domingo, 25 de setembro de 2016

Para quem pediu o planeamento dos nossos pequenos-almoços...

Apesar da família numerosa que tenho, nunca fui uma fada do lar, nem tão pouco uma mãe muito organizada nas tarefas domésticas. Até à entrada do Rui na minha vida, geria o improviso com a mestria e a descontracção possíveis, e nunca me saí mal, mas com ele, veio o planeamento, graças a Deus! Vieram as tabelas excel {essas dispenso, obrigada!}, as listas de compras e as tentativas {às vezes frustradas}, de menus para a semana inteira.
Claro que numa família grande como a minha, há uma máxima: "planeia tudo o que conseguires, mas sê exímia na arte do improviso, ou estás lixada!". Criei-a à minha medida, claro está, e ajuda-me a acreditar que eu e o meu homem nascemos um para o outro, porque somos o improviso e a organização, respectivamente.
Com o nascimento do Vicente, no entanto, tenho-me rendido ao planeamento familiar, em especial, no que diz respeito às refeições da semana, porque o tempo que tenho disponível para fazer compras é reduzido com um bebé em casa, e porque as nossas mudanças alimentares exigem que tenhamos os ingredientes em casa, caso contrário, enchemos a barriga com o que não devemos.
Por ter falado nisto, alguém me pediu o planeamento dos nossos pequenos-almoços, pelo que vos deixo o da semana passada, tal e qual como consta nas notas do nosso telemóvel:


O plano nem sempre foi seguido à risca, mas acreditem que ajuda de manhã, quando os neurónios estão de tal forma entorpecidos que não conseguimos pensar. E acrescentem a isto os pequenos-almoços de mais três miúdos, porque estes são só os nossos!
Haja vida e saúde! [e tempo para lavar a louça]

4 meses de ti❤️



Já ris à gargalhada e passas o tempo que estás acordado a palrar {e estás muito tempo acordado}. Fazes umas covinhas deliciosas nas bochechas quando sorris, e fechas os olhos quando estás mesmo contente {que é muitas vezes}. Passas o dia com as mãos enfiadas na boca e escorres baba queixo abaixo, até ficares todo molhado, mas não te importas. Fazes birra de sono e lutas até caíres para o lado para não adormeceres. Achas que a vida é boa e gira demais, e que dormir é uma perda de tempo {compreendo-te}. Continuas a dar-me noites interrompidas de três em três horas, mas acordas a rir, quase a pedir-me desculpa por não me deixares descansar. E eu derreto-me, porque é impossível resistir à tua cara fofa e ao teu cheiro. És o único que desarma os manos a qualquer momento e tens a capacidade mágica de fazer o papá chorar enquanto dormes {vou experimentar esse "truque de Bela Adormecida", a ver se pega!}. De mim, herdaste o gosto pelas "selfies", o riso fácil e a vontade de falar sem teres nada para dizer. De resto, és o papá chapado e, há quem diga, um bocadinho do mano Vasco.

Hoje fizeste 4 meses às 00.43h e és o bebé mais feliz do mundo. Do nosso, pelo menos.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Já te disse que te amo? [eu sei...preferes que te coma de beijos]


A poucos dias de fazeres 4 meses, já não me lembro de como era a nossa vida sem ti. Ou por outra, lembro-me e sinto falta de muitas coisas, mas já nada disso tem importância perto de tudo o que és e da sintonia que trouxeste a esta casa.
Acordo e deito-me exausta, não há volta a dar. Tu, os manos e a escola, o gato, a casa, o papá a trabalhar muito neste seu regresso à rotina, os dias e as noites. É cansativo ser mãe de quatro, parece uma gincana que nunca acaba, embora tenha sempre a quem passar o testemunho nos momentos-limite. Mas tu vieste para reclamar a mãe que sempre quis ser e que nem sempre consegui. E fazes o trabalho bem feito, porque és generoso e exigente na conta certa. És tudo o que sonhei e mais um bocadinho. Ah, e cheiras a baunilha.

Já te disse que te amo? Eu sei...preferes que te coma de beijos.

Uma noite lixada, um smoothie matinal e sono...muito sono!


Esta manhã, para ajudar à "festa matinal diária", o Vicente decidiu acordar para mamar às seis da manhã e não voltar a adormecer. Quis vir para a cozinha com os manos e esbanjar daqueles seus sorrisos que enternecem toda a gente {ou que nos enternecem a nós, pelo menos}.
Apesar disso, o meu humor não melhorou. Tenho o Vasco  com uma virose de vómitos e febre, e acabei de sair de uma noite de muito pouco descanso.

Para me animar, decidi fazer um smoothie matinal com o que tinha aqui por casa*:
1 banana
4 amêndoas peladas
40g de aveia demolhada durante a noite (para ficar amolecida)
1 colher de chá de mel 
1 colher de chá de canela
1 colher de café de cacau orgânico em pó
Bebida de soja  a gosto

*receita inspirada num smoothie da Deliciously Ella, mas adaptada ao meu gosto pessoal e aos ingredientes que tinha em casa

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

"O que és daquilo que querias ser quando fosses grande?"




A propósito deste post, recebi um comentário de um leitor que acha que todos nos deveríamos colocar a pergunta "o que és daquilo que querias ser quando fosses grande?".
Aquilo ficou-me na cabeça, porque ando há uma vida a tentar descobrir o que é que me move, qual a minha verdadeira paixão e o que vim cá fazer.
Adoro os meus filhos, a minha vida, a família que ganhei na lotaria e aquela por que corri atrás, os meus amigos, mas essa seria sempre a resposta-lugar-comum. Isso é de quem eu gosto, mas não responde à pergunta "do que é que eu gosto?", pois não? Não.
A pergunta do leitor fez ricochete e pode bem ser uma pergunta a que chamo de "casa de partida". Afinal, é na infância que, supostamente, estamos mais libertos de espartilhos sociais. ´É a fase por excelência, em que verbalizamos aquilo de que verdadeiramente gostamos sem medo de cairmos no ridículo, e sem ninguém a dizer-nos "isso não dá dinheiro nenhum!", "essa profissão não tem futuro!" ou "isso não é para ti!". Quando somos pequenos {partindo do princípio que temos uma auto-estima regada e espaço para sermos livres, como tem de ser}, podemos ser o que quisermos e, melhor que tudo, estamos autorizados a dizê-lo em voz alta sem sermos criticados por isso. É aqui que acho a pergunta do leitor fabulosa, porque ela remete para a origem, para o princípio de tudo, para o meu princípio.
Mas, afinal, qual foi o meu princípio? Bastam dois segundos para organizar ideias e responder: escrever e falar com pessoas. E vocês? Qual foi o vosso princípio, já pensaram nisso?

A vida correu e tornei-me Assistente Social. Gosto da minha profissão, porque gosto de pessoas, mas não sou apaixonada por ela {acho que é a primeira vez que digo isto}. O que me apaixona verdadeiramente, o que me faz perder as horas, o que me sai naturalmente, o que me faz frio na barriga é escrever {podia passar horas a escrever!}, falar com pessoas e partilhar coisas. Escrever e falar, escrever e falar. Comunicar.
Agora, a pergunta mais difícil, a do leitor: o que sou daquilo que queria ser quando fosse grande?
Este blogue tem contribuído para cumprir parte da minha paixão: a escrita e a necessidade de partilhar. O resto se verá, mas uma coisa é certa: saber o que me faz feliz já é uma enorme vitória. O que fazer com isso, garanto que terá resposta um dia.

As nossas manhãs cá em casa [sem berros]


A partir das seis e meia da manhã, a minha casa {e em particular, o meu quarto!}, parece uma estação de comboios em hora de ponta. O Duarte toma banho na casa-de-banho colada ao quarto, o bebé acorda para mamar, o Vasco e a Vitória entram na minha cama para os últimos minutos de ronha até serem sete da manhã e terem de começar a despachar-se.
O meu homem, entretanto, já está na cozinha a preparar pequenos-almoços à medida de cada um: ovos mexidos, estrelados, torradas, panquecas, fruta e legumes descascados, o que tiver sido decidido na véspera.
Não é uma logística fácil, mas ninguém está à espera que seja, numa família de seis. Mas vos garanto que este planeamento prévio das refeições {incluindo pequenos-almoços}, tem sido uma enorme ajuda cá em casa, porque já sabemos o que todos querem comer, temos connosco os ingredientes necessários e não há berros. Acordamos cedo, mas sem atropelos, e temos tempo de sobra para comer sentados e juntos. Um privilégio nos dias que correm.
Toda a vida quis ter uma família grande e barulhenta. A coisa cumpriu-se.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Mediação Familiar Internacional [um tema mesmo actual!]


Quem acompanha o blogue, sabe que a minha vida pessoal, de filha e de  mãe, incluiu momentos difíceis relacionados com o tema da separação.
Por ser um assunto que me toca directamente, sempre que sei de workshops e formações nestas áreas do divórcio, conflitos familiares e mediação familiar, fico "de antenas no ar". E partilho por aqui, porque sei que também é um tema que vos interessa.
Fiquem, então, a saber que no Sábado, dia 24 de Setembro, a Red Apple está a organizar o workshop em Mediação Familiar Internacional, entre as 14h e as 18h. É dirigido a pais, Mediadores Familiares e Culturais, Advogados, Juristas, Educadores de Infância e outros profissionais das Ciências Sociais, e pretende sensibilizar e informar sobre as especificidades da Mediação Familiar Transfronteiriça como meio de resolução de conflitos familiares internacionais.
Para saberem todas as informações, espreitem AQUI! E já agora, inscrevam-se como eu.


Dia Mundial da Doença de Alzheimer [campanha "Instantes"]


Comemora-se hoje o Dia Mundial da Doença de Alzheimer e para assinalar esta data, a Associação Alzheimer Portugal promove a campanha "Instantes", procurando contribuir para sensibilizar a população para esta doença, que atinge centenas de idosos e suas famílias.
A Doença de Alzheimer é um tipo de demência que provoca uma deterioração global, progressiva e irreversível de várias funções cognitivas {como a memória, a concentração, a linguagem, o pensamento, entre outras}, e traz alterações no comportamento, personalidade e capacidade funcional do doente.
A fotografia acima, publicada AQUI, está propositadamente desfocada para lembrar que, às vezes, as memórias de quem mais gostamos podem começar a desvanecer-se. E eu não quero esquecer.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Mãe, estou a ficar igual a ti!

Mais um livro para a nossa biblioteca de cozinha saudável. E pela primeira vez, uns óculos de ver ao perto...
[acho que os 42 se abateram sobre mim!]

Registar para não esquecer...



O mais velho toda a vida quis ser engenheiro, como o pai, mas há dois dias informou-me que quer ser Biólogo Marinho. Adora animais, mas nunca seria Veterinário porque não gosta de sangue nem de ver os bichos sofrer. E emocionou-se pela primeira vez, quase ainda de fraldas, quando morreu o pai do Rei de Leão. Bate certo.
A miúda quer ser artista e desenhar a vida toda. Como se isso fosse possível, torna-se ainda mais luminosa quando desenha. Tudo tem cor e detalhes e expressão. Nela e naquilo que põe no papel.
O do meio {ou já não é do meio?} decidiu que quer ser Chef de Cozinha. Está sempre pronto para ajudar nas refeições, faz maionese melhor que o Rui e uma salada de tomate como a da minha mãe, à algarvia.

Não sei o que o futuro lhes reserva, mas gosto que sintam esta liberdade para imaginarem qualquer coisa: ir à Lua, trabalhar na NASA, salvar vidas do outro lado do mundo {ou deste}, subir ao Evereste. Sonhar precisa-se, crianças e adultos. Urgentemente.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Este post não é sobre alimentação [é sobre a vida]




Têm-me pedido para dar algumas dicas sobre a minha alimentação actual, porque a perda de peso tem sido visível. Sobre isso, quero começar por dizer duas coisas:
1. Sempre que amamento perco peso com facilidade e esse facto, só por si, tem facilitado o processo;
2. Não tenho quaisquer conhecimentos técnicos sobre a matéria, nem sei dizer se o que faço se deve aplicar a quem está aí desse lado. Esta é, simplesmente, a minha experiência pessoal, que vale o que vale.
Posto isto, dizer-vos que passados dois meses do Vicente nascer, tive uma consulta de Nutrição na Clínica do Tempo, onde em função do meu peso, estilo de vida, etc. adoptei um plano nutricional específico que me ajudou a fazer uma reeducação alimentar. É assim que me faz sentido, porque é reaprendendo a comer que posso, de facto, fazer mudanças de fundo que geram rotinas e que estabelecem hábitos. O meu objectivo no pós-parto não era perder peso à força nem à bruta {nem podia ser!}, mas aprender a comer de acordo com as minhas características e necessidades e do meu bebé, e transpor muitas dessas mudanças para o meu dia-a-dia a médio e longo prazo.
Não irei aqui mostrar o Plano, porque não quero que ninguém caia no erro de o adoptar. Trata-se de um guião personalizado, que teve em conta muitos factores e que, por isso mesmo, não se deve generalizar. Ainda assim, dizer-vos que conta com algumas linhas gerais:
- Eliminar os hidratos de carbono à noite e reduzi-los drasticamente ao almoço {1 colher de sopa};
- Beber 2,5l de água por dia {confesso que este tem sido o meu calcanhar de Aquiles};
- Esquecer o pão {estava à espera que fosse mais difícil!};
- Abandonar os açúcares adicionados;
- Comer de duas em duas horas, evitando sentir fome e fazer asneiras desnecessárias.

Continuo a seguir este plano com pecadilhos à mistura, que não serei beatificada. Mas pelo caminho e fruto de pesquisa que comecei a fazer, intrometeu-se o regime Paleo na minha vida. Comecei por ler o livro "30 Dias para Mudar de Vida - Detox Paleo", da Joana Moura, e passei para o "Livro de Receitas Paleo" da Irena Macri. Pelo meio, visito muitos blogs sobre o tema e tenho o melhor aliado que poderia ter, o meu marido, que convertido ao regime Paleo, decidiu transformar a sua persona de Chef de cozinha, num Chef Paleo. Este facto, que parece não ter importância nenhuma, tem tido enorme influência no meu processo por duas razões:
1. É muito mais fácil a dois {fazer mudanças alimentares drásticas requer a cumplicidade do parceiro, ou tudo fica mais difícil};
2. O meu marido cozinha lindamente e tê-lo como aliado tem sido uma mais-valia {pesquisa receitas, inventa, experimenta e acerta}.

Descobrir o "mundo Paleo" tem sido um admirável mundo novo, perdoem-me o lugar comum. Não conto calorias, a comida é super saborosa e nunca tenho fome. Na verdade, acho que nunca comi tão bem e sem nenhuma culpa.
Não falarei aqui sobre os princípios desta alimentação, até porque os livros que citei {e muitos outros}, são a vossa melhor fonte. Mas dizer-vos que adoptei alguns deles, como a tentativa de deixar de comer trigo {não sou fundamentalista, mas evito quando posso}, a drástica redução do açúcar e a diminuição do consumo do arroz e da batata {à excepção da batata doce}, na maioria das vezes. Reforço "na maioria das vezes", porque não me privo em almoços e jantares de amigos, nem quando me apetece muito. Mas o estranho disto tudo, é que me vai apetecendo cada vez menos. Aposto em pratos bonitos e coloridos e sinto que estou a diversificar muito mais a minha alimentação, ao contrário do que se possa pensar. Afinal, há um mundo de alimentos para provar e é uma pena ficarmo-nos sempre pelos óbvios.
Outra mudança de fundo tem sido  uma maior preocupação com os alimentos que escolho cá para casa. Passei a comprar grande parte da fruta e dos legumes numa frutaria de bairro e evito alimentos com muitos aditivos. Penso nisso, pelo menos, e tento fazer escolhas mais inteligentes e saudáveis.

Para terminar, dizer-vos que a perda de peso é apenas a ponta do iceberg, a parte visível. Valorizo, igualmente, o que não se vê à vista desarmada, mas que tem mudado a minha vida em família: um maior planeamento das refeições e a adesão serena dos miúdos a algumas das novidades.
E por último, voltar a reforçar a ideia de que não embarco em visões fundamentalistas, na alimentação nem na vida. Acredito que é preciso ir ouvindo o nosso corpo para acertar, e pecar de vez em quando, ou nada disto teria graça.

Vencedoras do passatempo "Bimbo Global Energy 2016"!



Já temos três vencedoras e respectivas famílias que, no dia 25 de Setembro, virão caminhar comigo na Bimbo Global Energy - Lisboa corre pela Paz:

Catarina Morgado
Mafalda Cordeiro
Sofia Palma

Lá nos encontraremos, a caminhar pela melhor das causas!

As nossas manhãs [e o melhor pão de banana do mundo]



[pão de banana do livro da Irena Macri, feito ontem à noite, enquanto os miúdos dormiam]

Dou de mamar às duas e tal da manhã {às vezes, mais cedo}, e volto a dar por volta das quatro. E depois, às seis. Às seis e meia, o meu filho mais velho levanta-se porque agora é crescido e vai para a escola de comboio, e não durmo mais. Gosto de me levantar e de ficar a vê-lo, enquanto prepara uns ovos mexidos, metido nos seus pensamentos. Gosto de moer o café no moinho recém comprado e de pôr a cafeteira ao lume para sentir aquele cheirinho a café acabado de fazer. Gosto de ver o meu marido chegar à cozinha a cheirar a banho acabado de tomar, e de pormos a mesa juntos, para um pequeno-almoço familiar que planeámos de véspera. E gosto de abraçar o Duarte antes de sair sozinho. E de lhe dizer ao ouvido que o adoro.
Gosto de rotinas, porque são elas que fazem a nossa história. E porque a nossa, é uma grande história.

domingo, 18 de setembro de 2016

Putos deitados, pão de banana, vida nova!


São dez e meia da noite e temos, finalmente, os miúdos todos deitados.
Passámos meia hora a planear as refeições todas da semana {incluindo os nossos pequenos-almoços}, e estamos agora a fazer Pão de Banana sem farinha de trigo e sem açúcar adicionado, receita desta senhora.
Amanhã mostro e conto como correu, combinado?

[espreitem as nossas fotos aqui @martadolcefarniente]

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Vamos cortar no açúcar? [o meu desafio familiar deste ano lectivo]


[fotos de alguns dos nossos pequenos-almoços familiares sem açúcares adicionados]


Cresci com a minha mãe a dizer-me que o excesso de açúcar fazia mal. Cresci sem iogurtes de sabores, sem bombocas, sem sumo Tang, nem Sumol, sem bolos na lancheira da escola nem aos Domingos à tarde, e sem bolachas, rebuçados e sugos na despensa da cozinha. E cresci bem. Às vezes, zangada com a minha mãe por não ter acesso ao que a maioria das minhas amigas tinham mas, na maioria do tempo, confortável com a minha alimentação. Afinal, não conhecia outra.
Quando comecei a fazer as minhas próprias escolhas {na altura da adolescência}, tive de experimentar tudo aquilo que me fora vedado na infância. Comi Bollycaos e folhados de chocolate nos intervalos das aulas, abandonei os iogurtes simples e comi fritos pela primeira vez.
Já adulta e mãe de filhos, e embora sem fundamentalismos alimentares, mantive fora da despensa as bolachas e os bolos,  os refrigerantes, e outros tantos açúcares que deixava os meus filhos comer, apenas em ocasiões especiais {"dias de festa", como lhes chamava}.
Mas foi depois de ter sido mãe pela quarta vez, de ter feito uma reeducação alimentar com a Clínica do Tempo e de ter, finalmente, tomado consciência de que o meu tempo por cá não é infinito, que decidi fazer algumas mudanças de fundo, a começar pela minha alimentação e pela da minha família.
Eu e o meu marido deixámos de comer hidratos de carbono à noite {e andamos a evitar o trigo, sempre que podemos!}, e estamos a tentar reduzir drasticamente o açúcar à família inteira, tarefa que não tem sido fácil para quem tem miúdos de 14, 12 e 9 anos em casa.
Com eles, o nosso plano foi fazê-lo aos poucos, sem dramas nem fundamentalismos. Até porque nestas idades, a imposição começa a ser uma "não-estratégia", já que os dois rapazes têm autonomia para fazerem as suas escolhas alimentares fora das minhas asas. Em bom rigor, na hora da verdade cabe-lhes escolher entre um croissant com doce de ovos e um snack saudável, porque nem sempre estou lá para dizer de minha justiça. 
Temos ido aos poucos. Começámos por cortar os cereais de pequeno-almoço, o que quase levou a um motim cá por casa! Depois passámos a investir nas panquecas {que eles adoram!}, com quase nenhum açúcar e com farinhas alternativas à de trigo. Mudanças que nem sempre apregoamos em voz alta, mas que lhes vão alterando o palato aos poucos. No outro dia, o Vasco dizia que com esta nossa mania de cortar no açúcar, já achava alguns alimentos demasiado doces.

Apesar dos avanços e recuos, vamos continuar este desafio cá por casa, devagarinho, até porque acredito que seja um dos melhores investimentos que podemos fazer pelas nossas crianças e jovens.
Mais alguém alinha?

PS: Para encontrarmos receitas saudáveis e que os miúdos gostem, temos recorrido às receitas da Joana Moura. De resto, temos dado asas à nossa imaginação!


quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Sabem qual é a semelhança entre um parto e o início do ano lectivo? [ambos são sofrimento que se esquece depressa]


[a foto foi tirada na única pausa do dia, ao almoço, e o sorriso tenta disfarçar a vontade de desmaiar!]


Acordei às seis e meia da manhã para dar os últimos recados ao meu filho mais velho, para lhe perguntar pela centésima vez se levava dinheiro, cartão da escola e telemóvel, e para abraçá-lo e sussurrar-lhe que o adoro, sem ninguém por perto. Tenho as hormonas aos saltos e sou estreante nesta coisa de ter filhos que vão sozinhos para a escola, mas derreti-me ainda mais quando cheguei à cozinha às sete da manhã, e vi o meu homem a preparar-lhe o pequeno-almoço, um mimo de que já não precisa mas que quer dizer "cresceste, mas ainda és o nosso miúdo!".
Depois disso, já tive duas apresentações dos outros dois filhos, reuniões com Directores de Turma, já almocei com o meu homem e com três filhos atrelados, já dei de mamar e mudei a fralda dentro do carro e numa sala de professores, já levei os putos aos avós paternos, já dei um jeito à casa. Por mim, tinha o dia feito, simplesmente porque são seis da tarde e já parece que são três da manhã, tal o estado de exaustão em que me encontro.
Mas ainda falta dar de mamar mais seiscentas vezes, ir ao supermercado, fazer jantar, acabar de dar um jeito à casa, adormecer o bebé, preencher os duzentos mil papéis das escolas de três miúdos, sorrir e acenar.
Todos os anos me esqueço de como é difícil o início do ano lectivo. E tal como acontece nos partos, ainda bem, ou nunca teria tido mais do que um filho.

Puto, já te disse que te adoro?

Juvenália de Oliveira Fotografia


Puto, hoje começas uma nova etapa.
Já te dei o dinheiro para o comboio, já te expliquei mil vezes a linha que deves apanhar, já te massacrei com as senhas de almoço, já te disse que vai tudo correr bem {digo-te a ti, mas estou a dizer a mim própria}, já te falei dos horários mil vezes, e que estou à distância de um telefonema.
Já estou cansada de te dizer coisas...pareço uma máquina de despejar conselhos, dicas, avisos, sugestões. Repito tudo aquilo que já sabes, mas acalma-me ouvir-me a dizer-te tudo pela milésima vez. Perdoa-me, mas as mães são cansativas e chatas e tudo e tudo. Faz parte do CV materno. Já te falei que há comboios rápidos e outros que param em todas as estações? 
Fogo, vai lá. Voa, mas não caias. Não...não era isto que queria dizer...voa. E se caíres, estou aqui para te agarrar.


[já te disse que te adoro? Juro que não te abraço ao pé da escola]

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Quem quer caminhar comigo pela Paz?


A maior corrida do mundo está de regresso a Lisboa e o Dolce Far Niente tem entradas para oferecer a toda a família!

Depois do sucesso da 1ª edição, a Bimbo Global Energy 2016 - Lisboa Corre pela Paz volta à capital do país no dia 25 de setembro, Domingo, a partir das 10h00, com uma caminhada de 3 Km, destinada a miúdos e graúdos, e uma corrida de 10 Km, para corredores iniciados.

O evento desportivo organizado pela BIMBO terá lugar, em simultâneo, em 37 cidades localizadas em 22 países, o que o torna na corrida mundial com o maior número de cidades envolvidas no mesmo dia.

Marcha/Caminhada dos Combatentes pela Paz, com um total de 3 Km, destina-se a toda a família, com o objectivo de incentivar à prática desportiva e à adopção de um estilo de mais saudável em todas as idades. A caminhada inicia-se no Forte do Bom Sucesso, em Belém, às 10h00, com um percurso de ida e volta junto à zona ribeirinha.

O Dolce Far Niente tem 3 entradas familiares para oferecer para a Caminhada!*
Para habilitar-se a ser um dos vencedores, basta aceder à página de FB do Dolce Far Niente AQUI, e dizer porque gostava de participar neste evento, de âmbito mundial. Os primeiros 3 candidatos receberão 3 entradas familiares!

Participe até dia 17 de Setembro e venha caminhar comigo pela Paz!!


* Entrada familiar: Máximo de 4 pessoas

E quando os nossos filhos ganham uma {mãe}drasta?

Juvenália de Oliveira Fotografia


Quando dei aos meus três filhos mais velhos um pai{drasto}, sabia que a chegada de uma {mãe}drasta era uma possibilidade e um direito. Alguém que, como o meu marido, lhes desse beijos e abraços, lhes aconchegasse os lençóis à noite, conversasse com eles sobre a vida, fosse para eles uma "figura de referência", um novo Amor na cadeia dos afectos.
 Acho que o inevitável aconteceu e dou por mim a pensar como me sinto cá por dentro. Com ciúmes? Com medo de perder o meu "posto" ou o Amor que me têm?
Dou voltas e mais voltas e só sinto alívio. Um profundo alívio por sentir que ficam bem entregues e que são queridos. E a certeza de que andamos todos a fazer a coisa bem feita, porque vão e vêm felizes, porque ganharam "irmãos do coração", e porque nada mudou a não ser a soma de mais gente que os adora.
Que saibamos todos - mães, pais, padrastos e madrastas desta vida- ter a sabedoria para entender o lugar de cada um no coração das nossas crianças. Que nunca nos atropelemos, nem nos desrespeitemos em nome da saúde mental das nossas crianças. Que saibamos sempre salvaguardar o seu superior interesse, acima do nosso orgulho, das nossas feridas por sarar, dos nossos egos. Que não compliquemos e que sejamos felizes, porque pode ser simples. Assim tenhamos coragem para retomar as rédeas da nossa vida, qualquer que seja a nossa história.