sábado, 22 de setembro de 2018

A vida a passar por mim, sem mim.


A conciliação não existe.
Existe o meu homem que faz das tripas coração para suprir as minhas faltas. Existem avós que se desdobram no tempo e no espaço para darem conta dos meus recados. Existe a vida em constante sobressalto para falhar o menos possível e para estar presente naquilo que é importante. Existem noites curtas, insónias e valdispert quando a ansiedade aperta. Existe o colo do meu homem e da minha mãe. Existe a generosidade dos meus filhos perante os meus atrasos e diante do meu desespero. Existem serões inteiros em frente ao computador. Existem as muitas vezes em que não vou buscar o meu bebé à creche. Existe muito trabalho depois da casa estar em silêncio. Existem os amigos do peito para me mostrarem vida para além da minha vida. Existe a vida lá fora, que é tão boa. 
A conciliação não existe. Esqueçam. Existem escolhas e prioridades em cada fase da vida. Apenas e só.

[escrevi este post em Junho, em frente ao Tamisa, naquele que terá sido o momento em que vi com clareza como a vida passava por mim, sem mim]

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Saber parar. Tu sabes?



Nos últimos tempos da minha vida caótica, acumulei 5000 emails por ler na minha caixa pessoal. Sim, leram bem, 5000 emails.
Já os li um a um, e apesar de grande parte deles serem newsletters que subscrevi nalgum momento ensandecido da minha existência ou press releases que, com o devido respeito, não me acrescentam grande coisa, alguns eram de leitores do blogue a quem lamentavelmente não respondi em tempo útil (respondi agora, mas a destempo e peço infinitas desculpas por isso!), ou fotos de família perdidas,que nunca cheguei a arquivar. A fotografia acima é uma delas, uma "pérola" perdida no meio do caos, que curiosamente representa a paz, a ordem e a sensação de que está sempre tudo no lugar certo.
Esta foi a primeira vez que o meu homem deu a mão ao nosso bebé, e isso diz quase tudo sobre isto da vida se encarregar de nos encaminhar para o trilho que nos pertence, assim saibamos ler os sinais. Falo-vos da nossa voz interior que tanta vezes nos sopra ao coração e quase nos grita ao ouvido, mas que por tantas razões (o medo do desconhecido, da pressão social, do fracasso, da mudança...), fingimos não sentir e não ouvir. Insistimos na falsa ignorância e ficamos cegos e surdos, mas mais importante que isso, tremendamente infelizes, às vezes, mortos-vivos, ainda que ninguém repare.
Sentes-te assim ou perto disto? Então faz isto: limpa a caixa de emails, areja o que tiveres que arejar lá em casa e pára um bocadinho. Ousa parar. Faz isso alguns dias seguidos. Pára, por favor. Pára e ouve. Pára e ouve-te.
A resposta vem.

*este post não respeita o Acordo Ortográfico, porque me recuso a escrever "pára" sem acento

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Nós por cá!


A vida corre normalmente sem ti, puto, não vou mentir-te. Os manos estão bem, os dias andam ensolarados, acordo de manhã com aquela sensação de que coisas muito boas ainda estão para chegar, continuo a rir à gargalhada, mantenho o apetite, durmo bem, ando feliz. A tua ausência não me parou a vida nem a tornou irremediavelmente triste. De todo. Mas uma coisa é certa: tenho tantas, mas tantas saudades tuas, que às vezes, por nanosegundos, me falta o ar.

Fala-me de ti...





Se te pedir para falares de ti, falas-me mais facilmente do que fazes, do teu trabalho, do que de ti próprio, porque o teu trabalho é normalmente aquilo que te define. Tu e eu fomos treinados desde pequenos para formarmos a nossa identidade em função do que fazemos, para confundir o que somos com aquilo que fazemos. Senão vejamos: quantas vezes te perguntaram em criança o que querias ser quando fosses grande e quantas vezes já não perguntaste isso a outras crianças? Invariavelmente, terás respondido sobre a tua profissão de sonho, porque é esperado que à pergunta "o que queres ser?", respondas o que queres fazer. Esta ligeira confusão de verbos tem um impacto tremendo nas crenças que construímos à volta do trabalho e da nossa identidade. Somos o que fazemos, logo, se não fazemos bem somos um fracasso, se não sabemos o que queremos fazer, somos inseguros, pouco focados, e por aí adiante.
Lanço-te um desafio: se te pedir "fala-me de ti...", tenta responder sem recorrer ao trabalho que fazes, ao cargo que ocupas, ao curso que tiraste. Fala-me de ti, de quem tu és. Experimenta sem medo. Eu começo:
Sou a Marta. Filha única e mãe de 4 filhos, adoro viajar e escrever, e sou apaixonada por partilhar experiências e por criar "pontes", porque acredito que é nessa partilha que nos redescobrimos e que criamos conexão com os outros.
Agora tu...fala-me de ti...
Acredita que não dói nada.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

30 dias sem ti



Há exatamente 30 dias que viajaste. Falamos ao telefone todos os dias e manténs (para bem dos meus pecados!), aquele ar solto e desprendido que me ajuda a relativizar tudo. A pontinha de emoção que sinto da tua parte, é quando falamos do mano, aí, a tua voz adoça.
Dizer-te que o Vicente está à tua espera, feliz e resolvido com a tua ausência. Sabe que estás na China (onde quer que isso seja para ele), e acredita piamente que estás sempre a banhos, por causa do vídeo que lhe mostrei contigo mergulhado num lago maravilhoso. Para ele, a China é um sítio ou uma coisa qualquer que tem o "mano Date" dentro, mas não é mau. É algo confortável e amigo, onde tu cabes, mas que não te roubou dele. O mano sabe que estás por lá, mas que continuas nosso e dele, uma certeza que lhe vem do coração, porque a mente ainda não interfere.
És de poucas palavras e eu detesto falar ao telefone. De modo que como sou melhor com as palavras escritas, é só para te dizer que estamos todos bem, que quando voltares o teu quarto estará um nadinha diferente (culpa do Vasco!), mas que continuará a ser teu, e que o Natal já esteve mais longe.
Adoro-te, puto.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

A Mudança e o Medo


Muitas pessoas me perguntam se não tive medo de fazer as mudanças que fiz na vida, e se soube em que momento exacto fazê-las. Começando pela primeira questão, o medo faz parte. O medo alerta-nos para o perigo  e protege-nos tantas vezes. A chave está em esquecer a ideia de que o medo é um bicho papão, e encará-lo como ele é: um tipo porreiro que evita que façamos asneiras que nos custam caro. E eu sou a campeã dos medos: de baratas, de répteis, de alturas, de falhar, de acertar, de não pertencer, de ser má mãe, de ser má filha, de nunca ser suficiente, de não encaixar em sítio nenhum. Eu sou a pessoa que conheço que mais medo tem, talvez porque sou a que conheço melhor, mas não paraliso. Enfrento-o até libertar-me dele, como as cobras se libertam da pele, e saio sempre diferente; nem melhor nem pior, mas definitivamente transformada.
Quanto a saber o momento exacto para fazer mudanças, não sei. Se a vida fosse como fazer um bolo, bastariam a temperatura certa de forno e os gramas certos de açúcar e de farinha para tomar decisões, mas a vida real não se compadece com medidas exactas. De modo que é preciso intuição qb e doses homeopáticas de loucura. E é preciso ter planos B, C e D. E quem acredite em nós e nos dê a mão, mesmo quando tudo ainda parece não fazer sentido nenhum. Eu tenho isso tudo e sinto-me a mulher mais grata do mundo.

domingo, 2 de setembro de 2018

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Regresso às aulas a correr...vamos?*


Não sei como é Setembro em vossa casa, mas na minha, à ansiedade do início de mais um ano lectivo, junta-se a ansiedade dos miúdos pelo material escolar: cadernos novinhos a estrear, lápis de cor, canetas de feltro, cartolinas, listas infindáveis que se repetem a cada ano, mas que antecipam sempre o frio na barriga do regresso às aulas.
Este ano, ao frenesim típico da compra de material, junta-se o evento da Staples de que o Vasco e a Vitória não param de falar: a apresentação oficial da "Mochilada: a grande corrida da mochila", uma corrida que vai acontecer na loja Staples de Alfragide no dia 6 de Setembro, e que juntará muitos dos youtubers e instagrammers que eles adoram: Rui Unas, Mafalda Creative, João Sousa, Paulo Sousa, Angie Costa e Zorlak! 
Esta iniciativa está associada à campanha da Staples "Diverte-te neste Regresso às Aulas", a decorrer entre 20 de Agosto e 26 de Setembro, e oferece uma gama alargada de material escolar aos preços mais baixos e competitivos do mercado, numa altura super pesada para as famílias. Na verdade, que pais gostam do mês de Setembro?...
A Mochilada também servirá de mote para uma corrida semelhante destinada a 15 estudantes entre os 10 e os 18 anos, a decorrer no dia 13 de Setembro. Acham que os vossos filhos podem estar interessados? Se forem menores de idade também poderão participar, levando um termo de responsabilidade assinado pelos pais, mas todas as informações estão no site. Basta acederem ao microsite da iniciativa em www.mochiladastaples.pt e seguirem os passos indicados. A acção vai também ser promovida no instagram Staples Portugal, com o hashtag #mochiladastaples, e dará a possibilidade aos participantes de se habilitarem a prémios, que poderão ser uma ajuda para a aquisição de material escolar para o próximo ano lectivo.

Ah, e já agora, se vos apetecer passar pela loja Staples Alfragide no dia 6, eu, a Vitória e o Vasco também estaremos por lá a correr desalmadamente...ou mais ou menos, vá!

*Post escrito em parceria com a Staples

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

A vida real e os romances de Domingo à tarde

Juvenália de Oliveira Fotos e Histórias

Sempre que o meu bebé acorda a meio da noite, chama pelo pai. Quando cai e se magoa, chora pelo pai. Se tem fome ou sede, pede papa e água ao pai e por aí vamos.
Sei por experiência que os miúdos passam por fases e que todas elas trazem "preferências", mas não resisto a olhar para trás e a ver o filme da minha vida recente com lucidez. Nos últimos nove meses (desde os 18 meses do Vicente), terei ido levá-lo e buscá-lo à creche umas quatro ou cinco vezes. Das outras todas, foi o pai ou a minha mãe, igualmente responsáveis por passeá-lo no parque ao final do dia, por dar-lhe banho e por preparar-lhe e dar-lhe o jantar. Eu costumo chegar-lhe perto das sete ou sete e meia da tarde, e mantenho obsessivamente a rotina (dizem alguns "especialistas" que profundamente anti pedagógica) de o adormecer comigo na minha cama, embora quase sempre num registo apressado, porque quero ainda conversar com os meus filhos mais velhos, jantar, e voltar aos mails que deixei para trás há poucas horas, e que acumularei sem dó nem piedade no dia seguinte, se não der conta deles diariamente.
Não raras vezes, ouço as descrições babadas do meu marido e da minha mãe sobre as novas amizades que o Vicente fez no jardim por trás da nossa casa, e tornei-me "pro" a pedir resumos ao meu homem dos mails que a Educadora manda para os pais, e do que ela tem dito sobre a evolução do Vicente de cada vez que ele o vai buscar à creche. Também me tornei "pro" em fingir que acredito que a minha presença física não faz assim tanta falta ao meu bebé, porque tem a sorte de ter o melhor pai do mundo e uns avós e manos cinco estrelas, que mascaram todas as minhas ausências e substituem de forma irrepreensível todas as minhas faltas. Finjo acreditar que somos todos super heróis, a começar por mim, claro está.
Dizer-vos que não há almoços grátis e que o melhor dos dois mundos só existe nos romances de Domingo à tarde.


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

10 ideias para levares contigo...*




Comecei este post dedicado ao meu filho,dois dias antes de ele ir para a China, mas faltou-me o ânimo para o acabar. Agora, com o coração mais sereno, aqui fica...

"1. Aproveita cada momento, mesmo que saibas que tens o mundo  pela frente e mesmo que aches que nada será tão interessante como aquilo que ainda está para vir; 
2. Não percas tempo a pensar nas saudades que temos tuas, mas tenta matá-las de vez em quando; liga, responde às mensagens e fala connosco mais que 30 segundos;
3. Em momentos chave (tu lá saberás quais são), lembra-te daquelas frases feitas com que te bombardeei desde que te conheces: "liberdade com responsabilidade" e "pensa pela tua própria cabeça";
4. Nunca duvides, por um nanosegundo sequer, do amor imenso do mano Vicente; és o mano mais velho, a referência, o Rei Leão da vida dele e esse estatuto é eterno e imune a qualquer distância;
5. Usa o aparelho, ou os dentes desarrumam-se;
6. Se te cruzares com uma coisa que gostes muito de fazer para a vida, agarra-a com unhas e dentes; se isso não acontecer, não faz mal, tens tempo;
7. Bem sei que és económico nas palavras e nos gestos, mas lembra-te de abraçar e de beijar quem achares que te merece. Juro que vais gostar;
8. Tenta não roer as unhas; 
9. Liga aos avós e responde-lhes às mensagens;
10. Prepara-te: no Natal vais ser padrinho de um puto fofo chamado Vicente!"

*Decidi escrever estas ideias depois de ler o livro do Pedro Rolo Duarte durante as férias "Não Respire", no qual ele refere que fez algo parecido quando o filho viajou com a mesma idade do Duarte.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Síndrome do Ninho Vazio [ou um coração entre dois Continentes]



Desde o dia 14 de Agosto que o meu coração passou a viver entre dois Continentes. No meu telemóvel pus a hora e a temperatura de Chongqing e o whatsApp tornou-se a minha aplicação de eleição (passo a publicidade). Sempre que acordo a meio da noite, pergunto-me o que estará o meu filho a fazer, porque as minhas noites são os dias dele e isto de vivermos ao contrário é esquisito. A madrugada tem sido o pior período do dia, porque é quando acordo, ainda meio ensonada, que tomo consciência da sua ausência no quarto em frente; da sua ausência prolongada. Ele não virá depois da visita de estudo, nem depois de uns dias passados nos avós. Ele virá no Natal. E depois, virá no Verão.
O pai partilha fotos da apresentação na escola (sim, as aulas começam já na 2ª feira!), e da própria escola, digna de revista. Vejo uma fotografia do Duarte, homenzinho como eles só sabem ser longe das mães, um sorriso largo, feliz. Tento infantilmente ler-lhe os pensamentos, se tem medo, se está ansioso, se contente da vida. E numa existência agora meio bipolar, emociono-me de alegria e frustração, porque pela primeira vez, não estou perto em momentos chave. Não conheço a escola, nunca falarei com nenhum professor nem com nenhum colega, limito-me ao que é enviado por whatsApp pelo pai e que guardo religiosamente no telefone, numa tentativa de lhe conhecer as rotinas e de não lhe perder o rasto.
Acho que a isto se chama "dores de crescimento", será isso? Também se chama Síndrome do Ninho Vazio. Dar nomes às nossas angústias e aos nossos medos não resolve, mas ajuda. Saber que milhões de mães (e pais) espalhados pelo mundo inteiro já passaram, ou estão a passar por isto não resolve, mas ajuda. Saber que o nosso filho voou, mas está feliz não resolve, mas ajuda. Saber que está bem amparado não resolve, mas ajuda. Ter vida para além da vida dos nossos filhos não resolve, mas ajuda.
Acho que por hoje, é isto.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Os acontecimentos acontecem. As histórias são da nossa autoria.


Hoje dei dois abraços apertados no aeroporto: ao meu filho que se ia embora e à outra Marta da vida dele, a (mãe)drasta. À minha homónima no nome e na vida, pedi ao ouvido que tomasse conta do meu menino e que estivesse atenta aos seus silêncios. Garantiu-me que sim, num compromisso selado com aquele tipo de abraço que não precisa sequer de palavras. A Marta poderia não ter dito nada e só abraçado, que eu teria ficado igualmente descansada.
Nada é branco ou preto. Madrastas, padrastos, separações, divórcios. Palavras a que damos o significado e a significância que escolhermos.
Para o melhor e para o pior, não controlamos os acontecimentos da nossa vida, mas temos o super-poder de escolher as nossas narrativas, as que contamos a nós próprios e aos outros.

E voou...


[14 de Agosto de 2018, Aeroporto de Lisboa, 6h30]

domingo, 12 de agosto de 2018

Este post é para ti, puto!


De todos os teus irmãos, sempre foste o mais económico nas palavras e nos gestos. Ainda me lembro de quando te ia buscar ao jardim-de-infância e no carro te perguntava como tinha corrido o dia, e me respondias com um lacónico "bem", mergulhando num silêncio que acho que só a mim me desconfortava. Tu ficavas impecável, sempre ficaste impecável com os silêncios.
A tua pouca necessidade de palavras foi uma luta para a minha natureza verbal, às vezes histriónica. Logo eu, que vomito as emoções com frases seguidas, estreei-me na maternidade contigo, omisso nas palavras e fugidio ao toque. Foste o meu maior desafio e o meu primeiro grande Amor, essa força maior que, felizmente, não se mede em minudências gramaticais.
Talvez tenha sido por isso que desabei quando te vi chorar copiosa, mas silenciosamente (lá está!), quando assististe à morte do pai do Rei Leão na cassete VHS que repetiste tantas vezes no quarto dos brinquedos. Ou quando te desfizeste em lágrimas, já bem mais velho, a ver um filme de um cão que quando o dono morreu, ficou especado ao lado do caixão, e de lá não saiu. Também ainda me desconcerto com o facto de continuares a dormir com o teu Johnny-cão desde os 3 anos, e de o levares contigo depois de amanhã, para o outro lado do mundo.
Não me estico mais, não te preocupes. Isto tudo é só para te dizer que te adoro, que és um sortudo por teres uma família gigante que te ama tanto, e que estaremos sempre aqui. E que não vou chorar no aeroporto. E que quando tiveres saudades nossas, estamos todos (eu, os manos, o Rui e os avós), metidos no Johnny-cão. Mas mais importante, enfiadinhos para sempre no teu coração.
Amo-te, puto.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Quantas vidas cabem numa vida?

Juvenália de Oliveira Fotos e Histórias
Numa vida cabem muitas vidas, assim tenhamos coragem de as viver. Se a mudança dá medo? Dá pavor; um pavor que pode paralisar ou apelar à acção. Depende do grau de "quase morte" em que estejamos. Ou do grau de consciência. Eu explico: mudamos impelidos por duas razões, porque estamos plenamente convencidos das melhorias que essa mudança trará às nossas vidas ou por pura sobrevivência. Já alguma vez sentiram que se nada fizessem, morreriam aos bocados, sem ninguém dar conta? É isso.
Uma sugestão: chegar a esse limite é perigoso. Tentemos antecipar a morte anunciada e tenhamos a coragem para fazer o que tem de ser feito, no tempo certo. Se dá medo? Já disse, dá pavor. Mas já olharam bem esta foto?

domingo, 5 de agosto de 2018

Aproveitar cada dia!


Faltam exactamente nove dias para o meu filho mais velho ir viver um ano para a China com o pai. Duzentas e dezasseis horas da sua presença, que nunca chegarão para tudo o que agora acho que poderíamos ter conversado e nunca conversámos, para todas as coisas que poderíamos ter feito juntos e nunca fizemos, e para todos os beijos e abraços que demos, mas que nunca serão suficientes para apaziguar o número de horas que ficarei sem poder fazê-lo.
Vivamos a presença dos nossos filhos sem a arrogância da certeza da infinitude. Saibamos sempre aproveitar o momento sem a antecipação da perda anunciada, mas com a sabedoria necessária para aproveitar tudo, todas as fases, as fraldas, as birras, as noites mal dormidas, as crises existenciais, a idade do armário, os amuos, os atrasos, os olhos a rebolar. É porque são mesmo só fases, e um dia acordamos, e elas far-nos-ão uma falta do caraças.

sábado, 4 de agosto de 2018

Vamos falar de tatuagens?


Anita La Sainte Tattoo Art
Embora estejamos em pleno século XXI, o preconceito associado a quem se tatua ainda é enorme, mesmo que muitas vezes encapotado. Umas pessoas sem dar conta, outras plenamente conscientes disso, associam as tatuagens a criminosos, rufias, irresponsáveis, toxicodependentes e/ou alcoólicos, tipos violentos, dignos de pouca confiança, má rês. Os chavões poderiam continuar indefinidamente, e infelizmente, sempre negativos. Ao fim ao cabo, é de rótulos que estamos a falar e como todos os rótulos, são profundamente limitadores e estigmatizantes. 
É preciso quebrar este preconceito e racionalizar. Senão vejamos: sou assistente social, mãe de 4 filhos e, neste momento, a exercer um cargo de chefia na função pública. Tenho dez tatuagens, a primeira feita perto dos 40 e as outras nove depois disso. Sempre fui tida como alguém responsável, competente e confiável. Pergunto se o facto de ser uma mulher recentemente tatuada mudou alguma coisa a este nível. Pergunto se as minhas 10 tatuagens significam que, repentinamente, deixei de ser a mulher que era e me transformei no rótulo. Isto parece óbvio, mas acreditem que não é. E são estes preconceitos que nos limitam tantas vezes a tomar decisões: o que pensarão no local de trabalho; o que pensarão os pais, e por aí adiante.
Dizer-vos que o estigma no local de trabalho cabe também a cada um de nós quebrar; somos os mesmos profissionais e mantemos as mesmas competências, certo?
Quanto aos pais, dizer-vos com toda a generosidade que é bem mais saudável assumirmos a nossa matriz (no que quer que seja), com eles em vida, que aguardando pelo dia em que já não estarão connosco. A maior tristeza na relação entre pais e filhos é fingir uns vida inteira. Fingir que gostamos de um emprego que nos faz tremendamente infelizes, fingir que estamos felizes num casamento miserável, fingir sobre a nossa orientação sexual, fingir que somos alguém que não somos. A maior tristeza na relação entre pais e filhos é a personagem que às vezes criamos para não desiludir, para não entristecer, para não zangar. É assustador sermos uma farsa em nome do Amor. E é perigoso, porque facilmente pode resvalar em ressentimento.
Com isto não quero obviamente dizer que todos temos que gostar de tatuagens. Ninguém é obrigado a gostar de nada. Eu não gosto de piercings no umbigo, porque nunca toquei no meu (isso daria um novo post!), detesto pezinhos de coentrada e cabidela e nunca pintaria o meu cabelo de loiro platinado, nem na fase em que queria ser a Alexandra Lencastre. É mesmo verdade que "gostos não se discutem". Sejamos felizes e livres, porque grande parte das nossas "prisões" mora na nossa cabeça.



segunda-feira, 30 de julho de 2018

Cara de férias com 4 filhos...


Só há duas maneiras de encarar isto:
1. Com uma certa dose de loucura/taralhoquice;
2. Com uma certa dose de desespero/desesperança.

Façam assim: adivinhem qual é a minha e a dele e escolham a vossa. E partilhem, já agora.
Obrigada.

sábado, 28 de julho de 2018

Os meus números!




44 anos. 4 filhos. 2 casamentos. 1 divórcio. 10 tatuagens. 1 prótese craniana.   2 pares de sogros. 3 famílias. 2 vidas. 0 irmãos de sangue. 2 irmãs de coração. 3, se calhar. 2 pós-graduações. 5 namorados. 6, se calhar. 1 licenciatura. 1 livro. 2, se calhar. 4-7-74, 1 capicua. 2018, ninho um bocadinho vazio. 2 cidades. 3, se calhar. 1 grande amor. 
Quem me conhece, sabe que os números não são o meu forte, mas os meus fortalecem-me.