sábado, 16 de dezembro de 2017

Fechar ciclos faz chorar e faz crescer!


Acabou hoje a minha Pós-Graduação em Mediação Familiar na Red Apple. Em Janeiro e Fevereiro ainda terei uns trabalhos para apresentar, mas esta turma não se reunirá mais.
Tenho 43 anos e já acabei muita coisa, já fechei muitos ciclos, já completei muitas gestalts. Mas hoje sinto-me orfã desta espécie de irmandade. Um vazio fininho, uma nostalgia agridoce, situada algures entre o privilégio destas pessoas terem entrado na minha vida numa fase em que achamos que já ninguém nos marca desta maneira, e um sentimento de perda estúpido.
Hoje não consigo dizer grande coisa, porque ainda não me apetece. Dizer-vos, apenas, que nesta viagem conheci verdadeiras heroínas de carne e osso e ganhei a minha guru; uma mulher baixinha que se agiganta, porque tem o dom de dizer coisas que nos mudam por dentro num tiro certeiro.

Já tenho saudades vossas. Do bolo de limão, do amontoado de livros na casa-de-banho, das idas à Padaria Portuguesa, das confidências, dos podcasts que ouvia a caminho da Red Apple. Tenho saudades vossas, basicamente é isso.
A vida é uma merda, porque nos obriga a acabar coisas quando ainda não estamos preparadas para lhes dizer "fim". Ou se calhar estamos e ainda não sabemos.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Culpa e Conciliação: duas faces da mesma moeda!


Há dois meses que andamos entre otites, amigdalites e, mais recentemente, bronquiolites. A saga das "ites" traz muitas noites em claro, muitas idas à pediatra, muitos euros em medicamentos, muitas olheiras, muitas faltas ao trabalho, muitas acrobacias para tentar tornar a conciliação entre a vida familiar e profissional uma realidade efectiva e menos um conceito puramente teórico.
A verdade é que as mães que trabalham fora de casa com filhos pequenos sabem do que falo; desta constante sensação de estarmos sempre em falha com alguém ou com alguma coisa: com os filhos doentes, com a família que aguenta o barco quando pode, com as chefias a quem temos de ligar pela décima vez a informar que temos mesmo que faltar, com os colegas que (quando temos sorte e eu tenho tido), aguentam o tranco das nossas ausências.
Esta é a realidade pura e dura das mães com filhos pequenos que trabalham fora de casa. Uma culpa e uma ginástica constantes, um sentido do dever na família e no trabalho que nem sempre se concilia apesar dos chavões da "conciliação", um equilibrismo tantas vezes desequilibrado entre duas facetas da vida que se atropelam muitas vezes.
No meu caso, manter o equilíbrio seria impossível sem o apoio incondicional do meu marido, pai do Vicente e pai do coração do Duarte, do Vasco e da Vitória, nem sem o dos avós maternos, paternos e do coração que os meus quatro filhos têm a sorte de ter. A todos eles, o meu obrigada por poder dizer "sim" ao desafio de dar um passo à frente na carreira. Sei bem que nada se faz sem ajuda, e preciso muito da vossa para gerir as rotinas e a culpa de não estar sempre lá.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O Outono da minha mãe



A fotografia é da minha mãe e traduz o Outono que eu gosto. Mais que isso, traduz o imenso orgulho que tenho nela, que se reencontrou numa fase em que quase ninguém tem coragem de se reinventar.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Sair da zona de conforto




Sair da zona de conforto implica uma boa dose de coragem e de loucura. Implica olhar o medo de frente, segurá-lo pela mão e ter jogo de cintura para umas vezes deixar que ele nos guie e para outras, deixarmo-nos guiar por ele; sem tretas do género "ah, eu não tenho medo de nada" ou "isto é tão fácil como beber água!". Às vezes não é e não faz mal.
Sair da zona de conforto implica ser humilde para aprender o que não se sabe ainda e ser seguro para fazer o que se sabe bem. E implica viver bem com os dois lados da mesma moeda, sem falsas modéstias nem complexos de inferioridade. E também implica conviver com o caos durante um tempo; o tempo que é preciso até tomar o pulso a uma vida nova, até ganhar tempo para voltar a respirar fundo, até nos apropriarmos de uma existência diferente. E boa.
Sair da zona de conforto implica ter uma zona de conforto para onde voltar todos os dias, sem excepção. Implica ter rede, ter um ninho, ter colo e mimo e paz num sítio qualquer. Implica ter onde recarregar baterias, onde carpir mágoas, lamber feridas para voltar à vida lá fora.
Sair da zona de conforto implica pedir ajuda a quem se confia e aguentar firme em terreno pantanoso. Implica aprender a separar o trigo do joio e viver bem com isso.
Sair da zona de conforto implica ter vida que nos sustente, família, amigos, gente que nos acolhe no matter what. E implica lucidez para estabelecer limites e para ultrapassá-los só quando vale mesmo a pena.
Sair da zona de conforto implica lidar com a crítica dos outros e de nós próprios sem desabar. E implica distinguir claramente a que constrói da que derruba. 
Sair da zona de conforto implica precipícios diários, pontes diárias, perdas e ganhos. E implica distanciamento para ganhar perspectiva.
Sair da zona de conforto implica um exercício de humildade constante e a certeza absoluta de que há vitórias que nem sempre acrescentam e fracassos que, às vezes, são milagres.
Sair da zona de conforto é uma viagem do caraças que dói, que constrói, que destrói, que fortalece. É a vida.

domingo, 26 de novembro de 2017

Dos sinais [neste Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres]

Há uns anos tive um namorado que me levantou a mão porque ao servi-lo, deixei cair um bocado de comida na toalha de mesa. Achava eu que o amava perdidamente e acho que à minha maneira da altura, amava-o perdidamente, sim.
A mão levantada que não chegou a cair na minha cara mas que caiu definitivamente na minha alma, foi o gatilho para perceber que não poderia mais permanecer naquela relação que, aliás, já tinha dado sinais de pouca saúde. Sinais que até ali, até àquele exacto momento em que a sua mão quase desceu sobre mim, escolhia sempre esquecer.
É por causa desses sinais que escrevo este texto. Porque normalmente eles existem sempre, mas nem sempre escolhemos atendê-los, investidas que estamos num pretenso amor, numa pretensa culpa, num pretenso desamor próprio, numa pretensa esperança de que algo mude, numa pretensa ilusão que pode sair-nos cara. Demasiado cara.
Os sinais, aqueles mini acontecimentos a que escolhemos não dar importância mas que despertam o nosso instinto de auto-protecção, são o que nos pode salvar de um destino de merda. E seja por orgulho próprio, por medo, pelo que for, vale a pena escutá-los, acolhê-los e dar o salto. Dar o salto sempre. Por nós e por tudo aquilo que ainda merecemos viver.

sábado, 25 de novembro de 2017

Uma proposta indecente

Só conhecia o Pedro Rolo Duarte dos jornais, da televisão e da rádio mas, à descarada, mandei-lhe um mail com o assunto "uma proposta indecente" a convidá-lo para escrever o Prefácio do livro "As Mulheres Não Sabem Estar Caladas" que, em 2014, publiquei com duas amigas e que era a compilação de textos dos blogues que cada uma escrevia. Esperávamos uma resposta negativa politicamente correcta, mas ao contrário recebemos um "sim" e um convite para um café a quatro, para perceber melhor o que esperávamos dele. Encontrámo-nos na Pensão Amor, mortas de nervos, tomámos um gin, não nos calámos (como o livro prometia) e apaixonámo-nos pela simplicidade e generosidade do Pedro. 
Passado pouco tempo, recebi um mail seu com o Prefácio que agora publico aqui, e com a indicação de que poderíamos "(...) editar, cortar, ou mesmo deitar fora (...)".
Esta foi a generosidade do Pedro com três mulheres que não conhecia de lado nenhum. Uma generosidade que acabou por se estender à apresentação do nosso livro no dia 8 de Maio de 2014 (na véspera do meu casamento), e no testemunho que deu a um programa de rádio em que fomos entrevistadas e que nos pôs às três a chorar.
Este Prefácio é o legado que me deixou a mim, à Carla e à Ana e este post é o singelo agradecimento que lhe deixamos (acho que posso falar em nome das três)...

"Prefácio

E se elas se calam?

Até conhecer a Ana Almeida, a Carla Rocha e a Marta Moncacha, eu achava que as mulheres não sabiam estar caladas. Agora que as conheço, tenho a certeza. E isso é bom, porque convoca, inspira  e compromete o livro que tem entre mãos.
Ora, a primeira virtude deste livro reside nele mesmo: o leitor só as deixa falar quando quer, quando lhe apetece. Elas estão ali, à mão de semear, mas obedientes ao dono do livro, que o lê ao seu ritmo, no seu tempo. Parece misógino? Talvez seja. Mas também é verdadeiro: este livro é seguramente o único momento em que estas três mulheres se deixam ficar.
No resto, basta lê-las para se entender o que senti quando as conheci pessoalmente: não se calam nem se deixam ficar. E essa é a qualidade que as distingue, que as fez chegar a um livro, e que me derreteu sem dó nem piedade.
Quis o destino que as três se encontrassem. Primeiro, na mesma geração, com vivências semelhantes, com um sentido de humor próximo, com cumplicidades em dose generosa - ainda que com todas as diferenças, como a cara de qualquer um de nós: sinal aqui, ruga acolá, dente mais afastado, queixo mais afilado. Depois, quis (também) o destino que se encontrassem no mesmo local de trabalho e, por fim, na mesma plataforma - a blogoesfera. Se fosse combinado, não correria tão bem: aos poucos, em cada um dos seus blogues, foi nascendo um conjunto de ideias, de textos, de desabafos, de observações, que se complementam e completam, e que até quando se opõem acabam por se amigar. Sendo um livro com seis mãos, tem na verdade uma única - a mão comum destas mulheres tão diferentes e, afinal, tão próximas
O que primeiro me atraiu (confesso: só conhecia um dos blogues até ser desafiado para este texto) foi a atitude e a pose das autoras: despojadas, simples, com um apurado sentido de humor. Falam de coisas sérias, mas não se levam demasiado a sério. Sabem rir de si próprias, mesmo no meio do caos e da desgraça. São pessoas comuns nas suas vidas - mas incomuns e extraordinárias, porque têm a capacidade de transformar o óbvio do dia-a-dia em textos, exclamações, crónicas, que nos deixam ora a rir, ora a pensar, ora com uma pontinha de comoção, até mesmo com uma saudável inveja.
O amor da Marta deixou-me com saudável e doce inveja, e foi essencial para alguns dias mais cinzentos. Como ela escreve, há sempre quem precise de saber que exista. Às vezes, para ganhar balanço e saltar. E saltando, encontrei-me com a Carla na esquizofrenia que é a modernidade, e que sinto diariamente: Comprei o jornal i por causa da Assunção Esteves e o Blitz por causa do Nick Cave. Insanidade ou mundo interior? Tombo para a primeira. Tombando e tentando endireitar-me, revi-me nas palavras da Ana: Nem sempre são os choros que fazem mais barulho. Há silêncios piores.
Sou homem mas nem por isso deixei de me identificar, de me rever, e de ter vontade de telefonar a qualquer delas para lhes dizer “é que não é mesmo nada disso, ou podia ter sido escrito por mim. Este livro tem esse efeito: parece nosso, sendo delas, página a página, nos encontros e desencontros que qualquer leitor tem com a Ana, a Carla, a Marta. Juntas ou separadas - em rigor, separadamente juntas na vida e neste livro.
No fim, volto ao principio. Depois de as ler, depois de as conhecer, a duvida que me resta, mistura de pergunta e receio, é outra: e se elas se calam?
Falo por mim: não quero que isso aconteça. Neste livro e na vida.

Pedro Rolo Duarte

Abril 2014"

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Desculpem a ausência...


Sim, desculpem a ausência. Tenho andado às voltas com a vida. Às voltas com escolhas, dilemas, desafios que nos arrancam da zona de conforto sempre que temos a arrogância de achar que fizemos as pazes com os nossos medos todos. Então a Vida vem, do alto da sua sabedoria indecifrável, e confronta-nos com fantasmas antigos para nos pôr à prova; quero acreditar que para nos mostrar o caminho, o que nos é colocado à frente dos nossos olhos ou o seu negativo; o que tiver de ser.
Daqui a uma semana agarro um desafio novo, mas continuarei sempre por aqui. Porque este blogue, vocês desse lado, este cantinho seguro que construo há 6 anos, são colo. E todos precisamos de uns quantos.

[fiquem por aqui]

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Já conhecem "o meu sítio do costume"?

Já está pelo Concelho de Oeiras mais uma edição do Roteiro 30 Dias, uma publicação da Câmara Municipal de Oeiras que divulga o que de melhor vai acontecendo por aqui. Mais uma vez, conta com um texto meu da rubrica Rua das Lojas, um espaço onde pretendo ir divulgando o comércio local com dicas sobre lojas, restaurantes e outros spots que frequento e que recomendo. O desta edição é a Loja da Confraria do Vinho de Carcavelos que, como explico no texto, é especial por muitas razões:

1. Porque tem boa comida;
2. Porque tem bom vinho e quem saiba recomendá-lo;
3. Porque tem memórias minhas, muitas.

Visitem a Loja e leiam o Roteiro. Não se arrependerão em nenhum dos casos :)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Porque é que o Movimento "Mulheres de Prata" irrita alguma mulheres?[eu explico]



Os comentários mais desagradáveis que tenho tido por aqui aparecem sempre, curiosamente, quando falo da minha decisão de ter deixado de pintar o cabelo e de ter criado o grupo de facebook "Mulheres de Prata". O que parece irritar alguns leitores (leitoras, na maioria), é o facto de acharem:
1. que estou a querer catequizar alguém, 
2. que passei a diabolizar todas as mulheres que não decidiram o mesmo que eu, 
3. que acho que esta é uma decisão que pode mudar o mundo.

Comecemos pela primeira ordem de irritação:
Não quero convencer ninguém a fazer nada, porque não me julgo detentora de verdade nenhuma. Tenho o direito, sim, de partilhar uma decisão minha e se essa decisão for a de outras mulheres, porreiro encantado da vida. A criação do grupo Mulheres de Prata foi exactamente por isso: porque não quis fazer este caminho sozinha e porque percebi que muitas outras mulheres já haviam tomado a decisão, ou queriam tomá-la e precisavam de um "empurrão". A verdade é que este grupo já conta com 2494 mulheres a quem faz sentido participar num espaço onde possam colocar dúvidas e anseios, partilhar boas e menos boas experiências, ganhar coragem para parar de pintar o cabelo ou escolher que a decisão não é para elas (como já aconteceu com algumas e cujos testemunhos são igualmente emocionantes). Não quero catequizar ninguém a parar de pintar o cabelo. Na verdade, se esta minha escolha inspirar outras mulheres a pintar o cabelo às riscas porque toda a vida tiveram esse sonho, parte do meu objectivo está cumprido. O que eu quero é ainda mais ambicioso: contribuir para que as mulheres se sintam fortes o suficiente para tomar decisões em relação ao seu corpo e à sua imagem, sem que se sintam escravizadas pelos outros, pela sociedade, por quem quer que seja. Mas também quero inspirar outras mulheres a aceitar os traços do envelhecimento com generosidade e com orgulho, porque entendo que cada fio de cabelo branco, como cada ruga, contam uma história: a minha, a tua, a nossa. Quero que as mulheres parem de se criticar umas às outras, sempre com o medo implícito de perderem terreno, porque cada uma de nós é única, singular, especial, incomparável.
Que nada disto se confunda com descuido nem desmazelo. Aceitarmo-nos como vamos ficando não implica desleixarmo-nos e desistirmos de nós. Ao contrário, esta decisão corajosa requer muitos cuidados e é por isso que no grupo vamos falando sobre as cores que mais favorecem as mulheres grisalhas, a maquilhagem, os acessórios. Aceitarmos a nossa imagem não implica deixarmo-nos ir. Não. Implica a força anímica para construirmos a nossa melhor versão em cada momento, numa reinvenção constante que nos devolve identidade e que nos obriga a uma criatividade diária. Se isto tudo é possível continuando a pintar o cabelo? Óbvio que sim. Se perdemos a nossa identidade e a nossa história quando pintamos o cabelo? Claro que não. A questão é que ninguém questiona a mulher que decide pintá-lo mas, acreditem, muita gente o faz quando ela decide deixar de o fazer, principalmente quando ainda é relativamente jovem. E a minha questão reside nisto: nesta falta de liberdade encapotada.

Quanto à segunda ordem de irritação, dizer que quem lê os posts que escrevo sobre este tema terá reparado que faço essa ressalva muitas vezes. Quem sou eu para diabolizar quem quer se que seja? Logo eu, que pintei o cabelo durante mais de vinte anos! Esta foi a minha escolha, mas a ideia é que consigamos todas fazer as nossas, sem pressão de nenhuma espécie. Esta não é uma escolha para todas as mulheres, mas que seja para todas aquelas que querem fazê-lo. E que seja uma escolha sem medo do que os clientes,  colegas de trabalho, patrões, maridos e amigas vão pensar.

No que se refere à terceira ordem de irritação, perdoem-me a falta de humildade, mas quero mudar o mundo, sim. Quero mudar o mundo da minha filha, para que ela possa sempre ser aceite e acolhida com as suas características únicas e intransmissíveis. Quero contribuir, um bocadinho que seja, para quebrar alguns mitos em relação à beleza no feminino, em relação ao envelhecimento no feminino (tão diferente do envelhecimento no masculino!), e ajudar a construir um mundo onde a minha filha de cabelo branco, às cores, às riscas, às bolas, tanto faz, possa sempre ser ela própria.

Terminar este post dizendo que não é por acaso que este é o tema, de todos os que tenho abordado por aqui, que levanta mais polémica. É sinal de que a liberdade de expressão (neste caso, através do direito que temos de deixar o cabelo ao natural, sem estigma, sem culpa, sem pressão, sem opiniões que ninguém pediu), é um valor ainda em construção.

domingo, 12 de novembro de 2017

A criatividade rega-se!



A minha filha é a pessoa mais criativa que conheço. E a criatividade rega-se, como as plantas, como o Amor e como a bonsai cá de casa. 
É bom que os putos percebam desde cedo, que a Arte salva. Quanto mais cedo souberem isto, mais ferramentas terão para enfrentar o cinzentismo de alguns outros. E mais cedo entenderão este mundo doido, genial, perverso e maravilhoso em que vivemos,

[tarde passada no CAMB - Centro de Arte Manuel de Brito, Exposição Paisagens]

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Se a nossa família fosse um cartoon...


...seria assim.

[sem palavras que cheguem para agradecer à querida e talentosa Maria Santos, que soube captar-nos a essência numa ilustração]

sábado, 4 de novembro de 2017

16 anos de ti!


Há 16 anos eu e o pai estávamos na sala de partos da Magalhães Coutinho à espera que nascesses; estava difícil.
As dores eram terríveis e o pai ajudava como podia. Seguia o gráfico das contracções com uma precisão de engenheiro, dava-me a mão e avisava-me sempre que se previa a chegada de uma mais forte. No final, logo depois de nasceres, pedi-lhe um croissant com queijo, que foi buscar ao café à frente da maternidade. Terá sido, porventura, o melhor croissant com queijo da minha vida. Fizemos por ti, um trabalho de equipa e vamos fazendo isso há 16 anos, de muitas maneiras e feitios e com avanços e recuos, como todas as equipas.
A vida deu muitas voltas, mas a tua chegada fará sempre parte do lado solar da nossa história. E essa certeza, meu amor, é tua para a eternidade; e nós somos teus para o infinito.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Há famílias que precisam de ti!


A mulher por detrás deste projecto solidário chama-se Marisa Barroca e é minha amiga. Conhecemo-nos por causa do blogue e apesar de vivermos longe uma da outra, é daquelas pessoas que está à distância de uma palavra. Uma palavra sempre certa no momento certo.
Para além do seu trabalho diário, dedica-se à causa maior de ajudar famílias que nalgum momento da vida precisam de apoio, e agora pede-nos ajuda para continuar a cumprir esta missão.
Vamos fazer a nossa parte?...

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O movimento Mulheres de Prata está a crescer!


Hoje de manhã na Rádio Renascença, com a Carla Rocha e o Renato Duarte

Há oito meses criei o grupo de facebook Mulheres de Prata, porque queria que alguém me acompanhasse na "viagem" (até ali solitária), de deixar de pintar o cabelo e aceitar os meus grisalhos. O grupo foi criado em Fevereiro e desde aí não tem parado de crescer: conta já com mais de 2300 mulheres, umas já "prateadas", outras a caminho, umas a ganhar coragem, outras interessadas pelo tema. Todas, vos garanto, investidas numa causa maior: o direito das mulheres de poderem escolher em liberdade e livres de preconceitos, a imagem que querem ter.
Tive hoje o privilégio de ir falar sobre o tema à manhã da Renascença e, por uma coincidência feliz, o movimento Mulheres de Prata está também hoje a ser referido como um exemplo de sucesso numa tese de Doutoramento sobre o empoderamento das mulheres na blogosfera, na Universidade de Sevilha, pela querida Susana Wichels.
Quero acreditar que isto pode crescer, que podemos ser muitas mais e que através da "simples" aceitação do nosso cabelo, podemos derrubar preconceitos, quebrar barreiras e rever alguns tabus sobre a beleza e o envelhecimento das mulheres. Quero acreditar que todos nós podemos fazer a nossa parte, por mais pequena e às vezes ridícula que possa parecer, basta acreditar e fazê-lo com o coração. E agora perdoem-me a lamechice, mas a energia boa que recebo todos os dias das mulheres de prata do grupo, é a prova provada de que juntas somos mais fortes e podemos tudo.

domingo, 29 de outubro de 2017

Sunday blues


Desde miúda que os finais de dia de Domingo são angustiantes. Antecipavam o início da semana na escola, um espaço que durante muito anos foi hostil. Era gozada pelas meninas da turma porque estava careca (depois de um acidente de viação que tive com a minha mãe, aos 7 anos), tinha psoríase no corpo todo e passava o tempo a chorar, razão pela qual era conhecida como a "mariquinhas pé de salsa". A fragilidade que mostrava a toda a gente, todos os dias a todas as horas, fazia de mim um alvo fácil, e talvez tenha sido por isso ou por outra razão parva qualquer, que fui várias vezes empurrada para a casa-de-banho para me baixarem as cuecas e que ouvi muitas vezes que era feia, cheia de crostas nas pernas, nos cotovelos e na cabeça, para além das partes do corpo que não se viam, mas que eu conhecia de cor. Vomitei muitas manhãs e sempre que via o carro amarelo da minha mãe a afastar-se do portão da escola, achava que iria morrer de medo e de solidão.
Hoje, trinta e tal anos depois, os Domingos ainda são um bocadinho angustiantes. E embora já não vomite nem ache que vá morrer de solidão, tenho a minhas solidões durante a semana, os meus fantasmas (uns mais humanos que outros), a mesma sensação de desamparo. Agora sei que apesar dos anos, da terapia e da felicidade que a minha vida me tem oferecido, há marcas que moram comigo para sempre, adormecidas, mas prontas a assomar à porta à primeira oportunidade.
Então, deixo aqui esta foto de felicidade para me lembrar que se não morri de solidão nem de medo aos 10 anos, não é agora que vou morrer. E para recordar a mim própria que o optimismo é contagiante e que a vida se encaminha naturalmente para o Bem. Basta termos a coragem de nos deixarmos ir.  

[boa semana!]

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Este post é para todas as Mulheres que ainda não sabem quão lindas são!


Há pouco tempo usava pestanas postiças, gelinho nas unhas e tinta vermelha no cabelo. Numa outra vida cheguei a usar rabo de cavalo postiço, pus unhas de gel (incendiei uma delas a acender a vela do bolo de aniversário do meu filho mais velho!) e descolorei ao cabelo porque queria ser igual à Alexandra Lencastre. Se formos por aí, fui ruiva por causa da Julia Roberts, fiz uma permanente (na altura em que tinha o cabelo mais liso) para me parecer com a minha vizinha de baixo e um alisamento (quando o cabelo encaracolou depois das primeiras três gravidezes), porque quase todas as minhas amigas tinham cabelo liso, escova progressiva, alisamento marroquino, realinhamento térmico-capilar, alisamento a laser ou infravermelho e outros procedimentos cujos nomes são dignos de filme de ficção científica.
Sempre quis ter um estilo próprio e andei à procura dele muitos anos, mas só recentemente percebi que partia sempre da premissa errada: não era o meu estilo que procurava, mas o das mulheres que admirava por alguma razão e com quem me cruzava nalgum momento. Uma busca que se revelou cansativa, ridícula e estéril e que culminou no dia em que disse à minha filha que ela não se devia envergonhar dos seus cabelos encaracolados, que eram lindos, e ela me perguntou, então, porque que razão esticava eu os meus. Fiquei sem pio e decidi parar de alisar. E acho que esse foi o primeiro passo para a aceitação da "matéria-prima" de que dispunha e com a qual (tal como pregava à minha filha), teria que lidar a vida inteira: o meu corpo, o meu cabelo, o "pacote" todo.
Mas não me interpretem mal. Não desatei, repentinamente, a diabolizar todos os artifícios a que recorremos para melhorar alguma coisa em nós, para aumentar a auto-estima, ou simplesmente, para mudarmos. Continuo a defender que é tudo legítimo, assim nos sintamos confortáveis. Continuo a ter amigas que insistem em alisar o cabelo e que só se sentem elas próprias daquela maneira, e ninguém tem o direito de questionar isso em nome de nenhum tipo de fundamentalismo. Mas também acho que há um trabalho de aceitação a fazer, a começar pelos nossos filhos e (perdoem-me a discriminação), pelas nossas filhas! A minha tem uma imagem diferente da maioria das coleguinhas da escola, fora dos estereótipos, e tem sofrido com isso. Continua a sofrer com isso. E só há uma maneira de resolver a questão: empoderá-la. Dizer-lhe as vezes que forem precisas que ela é única, que somos todos, e que é essa característica que enriquece cada um de nós e o mundo inteiro. Dizer-lhe que ela pode esticar o cabelo, um dia, e pintá-lo de todas as cores do arco-íris, mas sem nunca se esquecer que também é linda assim, tal como é; e que essa certeza é a maior liberdade delas todas. É como quando chegamos a casa e nos sentimos num porto seguro; o nosso corpo também pode sê-lo, façamos com ele o que quisermos, mas sabendo que lhe poderemos voltar um dia. E que nos reconheceremos.

[este post é para ti, filha. Para quando cresceres mais um bocadinho]

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Também queres ser Mediador Familiar?


Há quase um ano decidi voltar a estudar e inscrevi-me na Pós-Graduação em Mediação Familiar da Red Apple. Já conhecia a coordenadora do curso, a Ana Varão, tinha lido vários testemunhos sobre a qualidade da formação e dos formadores e achei que era o momento certo para mergulhar, ainda que com algum esforço pessoal e familiar, já que o curso passaria a ser dois dias por semana, quinzenalmente.
Praticamente a dois meses de o terminar, olho para trás já com nostalgia, porque para além dos conteúdos e da imensidão de coisas que tenho aprendido, ganhei família. Sei que soa a lugar comum, mas foi o que aconteceu. A qualidade e a proximidade dos formadores é desconcertante e a cumplicidade que ganhei com os colegas é algo que não esperamos encontrar aos 43 anos. Alguém me dizia que não se fazem amigos a partir de certa idade, mas não é verdade. Depende da sorte e do que fazemos com ela. Depende das pessoas.
Parece que não tem nada a ver, mas relaciono isto com uma frase do Mia Couto que ontem uma grande amiga me mandou num SMS:
"(...) Queixamo-nos de que as pessoas não lêem livros. Mas o deficit de leitura é muito mais geral. Não sabemos ler o mundo, não lemos os outros (...)".
Ora tive a sorte de, neste grupo de luxo, me ver rodeada de gente que lê o mundo através das pessoas. Que lê nas entrelinhas, nas palavras ditas e nas não ditas, nas rugas da cara, aquelas que se fazem das gargalhadas que demos e dos desgostos que tivemos, gente que lê a vida muito para além das aparências. E se a isto tudo juntarmos uma equipa de formadores que mexe connosco, que nos imprime dúvidas, mais do que certezas, porque  é com as dúvidas e menos com as certezas que a magia da aprendizagem acontece, então isso é uma sorte danada.

A 11ª Edição da Pós-Graduação em Mediação de Conflitos com especialização em Mediação Familiar está à porta! Em Lisboa tem início a 26 de Janeiro e em Coimbra, a 19 de Janeiro. São 220 horas de formação e habilita quem terminar o curso com aproveitamento ao exercício da actividade de Mediador Familiar. E se se avançar de alma e coração, garante um mergulho sobre nós próprios; o melhor e mais útil deles todos.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Alunos de Apolo


Voltar ao sítio onde fui infinitamente feliz. Onde fiz amigos para a vida. Onde voei, apesar do medo de cair. Onde percebi que os preconceitos são construções da nossa cabeça. Onde me apaixonei pela primeira vez. Onde descobri que não há voos sem medo e que o medo que não paralisa, é dos bons.
Voltar ao sítio onde fui infinitamente feliz; com ela agora: esta dançarina em construção.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Mudança de estação, mudança de calçado!*


[Foto aos pés da Vitória, pela avó Ju]

A minha filha é a "princesa da ervilha dos pés". São poucos os sapatos que não lhe fazem doer, os que não lhe provocam bolhas, ou que não a incomodam de todo. De modo que quando recebemos esta prenda da Pisamonas, achei que a coisa iria correr mal. Botas lindas, é certo, glitter a perder de vista, ao melhor estilo da minha filha, também é certo, mas o que fazer com os queixumes constantes sempre que muda de calçado?
Dizer-vos que me enganei redondamente e que se a Vitória pudesse, dormiria com as botas calçadas. Aliás, insiste em usá-las mesmo numa época em que as estações do ano estão trocadas e em que o Outono mais parece Verão! E também insiste em usá-las nos dias em que tem Educação Física na escola, mesmo que saiba que é mais prático ir já de ténis calçados e pronto.
Vamos pôr as coisas assim: a minha filha é uma espécie de detector humano de calçado desconfortável levado ao extremo. E não faz fretes, o que quer dizer que se não gostasse, nunca calçaria.
À Pisamonas, o meu obrigada pelas botas, pelas sabrinas de princesa, e por me terem resolvido um problema.
Aos leitores deste blogue que tenham em casa "príncipes e princesas da ervilha dos pés", vejam estes modelos e deslumbrem-se...







E para conhecerem toda a nova colecção Outono-Inverno 2017 da Pisamonas, espreitem este vídeo lindo...

*post escrito em parceria com a Pisamonas

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

As minhas dicas para desacelerar!


Ando há muito tempo a pensar em desacelerar um bocadinho, mas a vida não deixa. Ou então sou eu que não deixo e desculpo-me com a Vida, esse ente incorpóreo que por não ser feito de matéria nenhuma (ou por corporizar todas as matérias!), serve de bode expiatório para todos os nossos males e para todos os nossos defeitos.
Deito-me à noite tantas vezes frustrada com esta minha inabilidade para respirar fundo e deixar a coisa fluir, mas depois descubro que estou a ser demasiado exigente comigo própria, porque há pequenas estratégias que vou tentando fazer para parar; é que às vezes, é mesmo preciso parar.

Partilho convosco dicas simples que me vão permitindo respirar fundo e que me salvam tantas vezes:
- Aproveitar alguns finais de dia durante a semana para caminhar; O Vicente vai comigo no carrinho e os outros filhos vêm sempre que lhes apetece e que podem;
- Reservar uma parte do serão para fazer o que me apetece: ler, escrever, ver uma série qualquer; encarar isto como um direito e não como uma concessão que faço a mim própria;
- Permitir-me o gozo da preguiça sempre que posso, mesmo que isso implique não estender a roupa assim que ela acaba de lavar e não obcecar com a arrumação; delegar tarefas nos miúdos é o meu desafio do momento;
- Aproveitar o que a zona onde moro tem para oferecer e andar a pé sempre que posso: fazer compras localmente, usufruir dos espaços verdes à volta, fruir do espaço público e do comércio local como nunca antes;
- Falar baixo em casa, mesmo quando só apetece disparatar; juro que requer treino, mas vale a pena (baixamos todos o tom de voz, é contagiante e poupa energia vital!);
- Planear as refeições com ementas semanais (poupa tempo e dinheiro e contribui para um plano alimentar mais equilibrado);
- Dormir cedo (antes da meia-noite, quero dizer!), porque nunca sei quantas vezes acordo por noite e despertar às seis da manhã está sempre garantido;
- Desconectar-me das redes sociais ao serão (ponho o telemóvel no silêncio ou longe da vista para resistir à tentação; faz bem aos graúdos e, principalmente, dou o exemplo aos miúdos);
- Seleccionar com precisão suíça as solicitações que nos vão chegando; deixar "de ir a todas"; aprender a dizer "não" e matar a culpa;
- Visitar o mercado biológico da minha zona todos os Sábados para abastecer o frigorífico de coisas saudáveis (acalma-me o espírito!);
- Viver um dia de cada vez, seleccionando pensamentos tóxicos (se o futuro assusta um bocadinho, só há uma hipótese: viver o presente!);
- Ser feliz na maior parte dos dias.