sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O Divórcio é um casamento fracassado?


O Divórcio é um casamento terminado.
Um casamento fracassado é aquele que dura uma vida inteira, mesmo sem já fazer nenhum sentido.
Um casamento fracassado é aquele que faz pais e filhos infelizes.
Um casamento fracassado é aquele que dá sinais errados sobre o que é amar e respeitar alguém.
Um casamento fracassado é que aquele que coarta a liberdade e que limita movimentos.
Um casamento fracassado é aquele que permanece sempre, apesar da dor, do sofrimento ou da desilusão.
Um casamento fracassado é aquele que não se pode questionar nunca.
Um casamento fracassado é aquele que causa feridos graves e que deixa sequelas.
Um casamento fracassado é aquele que nunca se desfaz, apesar de já estar desfeito.

O Divórcio é um casamento terminado.
Um casamento fracassado é muito mais grave, porque ninguém questiona, ninguém aponta o dedo, ninguém mexe na ferida. Mesmo que já só restem almas penadas, ele vingou. Ele é um sucesso retumbante.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Receita pessoal para cumprir sonhos!






Quando quiseres cumprir sonhos que te parecem impossíveis, faz isto:
- Mostra-te disponível para aprender sempre;
- Visualiza-te a cumprir o teu sonho;
- Partilha-o, porque verbalizá-lo é dar-lhe poder;
- Rodeia-te de pessoas que te empurrem para a frente;
- Tem a coragem de eliminares as pessoas tóxicas da tua vida;
- Abala todas as crenças que te dizem que não és suficiente;
- Faz um plano e prepara-te;
- Traça um plano B e C;
- Procura mentores nos livros que lês, nos professores que vais tendo, nos "amigos-alavanca" que te rodeiam;
- Vive o medo sem demasiado medo;
- Aprende a nadar e mergulha.

Aviso: vai haver um momento em que estás preparada, mas o medo é tanto, que achas sempre que não. Atenta aos sinais: o que te diz o coração? O que te dizem os "amigos-alavanca"? O que está a vida continuamente a dizer-te?
Pois.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Já experimentaste olhar para a tua história de um ângulo diferente?





Quando nos apaixonámos, cada um de nós trazia consigo a bagagem de um primeiro casamento. Esta circunstância de vida é a nossa história e é com ela que construímos quem somos e quem queremos ser.
Nós escolhemos fazer dessa nossa "bagagem" uma mala cheia de aprendizagens. Um malão de ensinamentos que evitam que repitamos os mesmos erros do passado e, só por isso, é um saco cheio de coisas boas.
E tu?
O teu saco está cheio de quê? De aprendizagens ou de dissabores?
De que ângulo escolhes olhar a tua história?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Divórcio, filhos, culpas e desculpas!





É apaziguador pensar que por mais infelizes que sejamos numa relação conjugal, se a mantivermos (mesmo que a qualquer custo!), conseguiremos educar filhos felizes. Lamento dizer que não é verdade. O barómetro de felicidade dos filhos é, durante muito tempo, a felicidade dos Pais, e enganamo-nos a nós próprios quando achamos que eles não percebem nada do que se passa na nossa vida. Mesmo que ainda não tenham idade nem maturidade suficientes para saber exactamente o estado d´arte da família,  as crianças têm uma espécie de "radar das emoções dos Pais", isto é, uma capacidade para detectar espaços de conforto e de desconforto, de paz e de conflito, ainda que latente. Isto para não falar de Pais em conflito aberto e escalado. Nesses casos, as consequências da exposição ao conflito dos filhos, pode ter repercussões para a sua vida inteira: para os pais que poderão vir a ser, para o marido ou mulher que escolherem ser, para o adulto do futuro.
Manter um casamento infeliz por causa dos filhos pode acalmar a culpa durante um tempo, ou servir de desculpa para não tomar decisões, mas a verdade-verdadinha, é que não faz nada por eles, a não ser dar-lhes sinais errados sobre o que é ter uma relação conjugal positiva com alguém.  Que exemplo estamos a dar aos nosso filhos quando permanecemos numa relação em que acontecem algumas destas situações com regularidade?
-Pais que não se beijam, nem se abraçam
-Pais que não conseguem conversar, apenas gritar
-Pais que não se falam
- Pais que não se olham nos olhos
-Pais que não se riem um com o outro
- Pais que se agridem verbal e/ou fisicamente
- Pais que não dormem juntos
- Pais que não passam tempo juntos
- Pais que não namoram
- Pais que não se respeitam mutuamente
-Pais que não se amam
- (...)

As primeiras referências dos nossos filhos no que ao Amor diz respeito, chegam-lhes das suas principais figuras de referência que, na maioria dos casos, são os Pais. E Amor é respeito, é tolerância, é capacidade de comunicação, é alegria, é atenção, é cuidado, é intimidade, é cumplicidade.
Que mensagens lhes passamos quando decidimos permanecer num casamento árido disto tudo, em nome deles?
É ao contrário.
Devemos escolher o Amor em seu nome.
Devemos escolher a felicidade em seu nome.
Devemos escolher o respeito em seu nome.
Devemos escolher a coragem em seu nome.

Todas as escolhas são legítimas, quero deixar isso bem claro. É legítimo querer permanecer num casamento infeliz por medo do que os outros vão dizer, por medo de não nos conseguirmos aguentar nas próprias pernas, por razões económicas, por estatuto, por conforto, por medo do desconhecido, por amor...Todas as razões são válidas (e digo isto sem ponta de ironia!), menos os filhos.
A (des)culpa com os filhos torna-os culpados e esse é um fardo pesado e injusto demais.



domingo, 17 de fevereiro de 2019

Tens medo de quê?


Cresci cheia de medos e com a crença de que nunca teria coragem para falar a minha verdade. Na escola primária era conhecida como "a mariquinhas pé de salsa", passava grande parte do dia a chorar e grande parte dos intervalos fechada na casa-de-banho, com medo que me batessem ou que me dissessem algo que mexesse comigo.
Cresci com medo de tudo: de perder a minha mãe, das amiguinhas da escola, de estar sozinha, de me fazerem mal, de ninguém querer brincar comigo, de gozarem comigo, de não gostarem de mim. 
Viver com medo é lixado e, acreditem, lixa parte da vida, porque na idade adulta há momentos em que voltamos a sentir muitos dos medos irracionais da infância.
Aos 44 anos, contudo, leio muitos mails de pessoas que me chamam corajosa e ouço algumas amigas dizerem-me o mesmo, o que me tem feito pensar. De facto, quantas mudanças já não fiz na vida, mesmo cheia de medo? 
E tu...
Como é que ultrapassas o medo e passas à acção?
Como é que podes usar o medo a teu favor?
De que forma o medo te impulsiona, ou será que só te paralisa?
Tens medo de quê?

A resposta a estas e outras perguntas, vão ser dadas por mim e pela Psicoterapeuta Jaquelina Amado, na Masterclass " Fazer do Medo um Aliado e Não um Inimigo", na Red Apple, no dia 24 de Fevereiro, entre as 15H e as 18H.
Garante já a tua vaga através do email jaquelinamado@gmail.com!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Neste Dia dos Namorados, vamos falar de Amor?


Há poucos dias, no carro,  a minha filha disse-me "Mãe, tenho saudades daquele tempo em que vivíamos contigo e com o pai, semana-sim-semana-não".
Não fosse estar bem resolvida com este tema, a frase da Vitória teria caído como um banho de água fria! Afinal, não serei eu a figura de referência dos meus filhos? Não estarão felizes comigo? Não sou eu quem cuida todos os dias, a todas as horas? Não serei suficiente? Não estarei a dar conta do recado?
As perguntas e os questionamentos sobre a mãe que sou poderiam durar indefinidamente, numa espécie de tortura auto-imposta, mas já há muito tempo que não entro nesse jogo comigo própria. As saudades do pai e as boas recordações com que a minha filha ficou desse período da vida dela, só significam que ambos fizemos bem o nosso trabalho. Significam que os "modelos certos e errados" moram na nossa cabeça e que as famílias podem ser feitas de muitos tamanhos, feitios e cores e que a receita certa só depende de um único ingrediente: o Amor.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Eu, desavergonhada me confesso!


Hoje saí do trabalho com o meu homem, e antes de irmos buscar o Vicente à creche, decidimos ir beber uma imperial e comer uns tremoços.
Na mesa atrás da nossa, estavam três mulheres a beber café e a ver o programa da Júlia Pinheiro que passava na televisão. Uma delas virou-se para as outras e disse "Gosto mais da Júlia Pinheiro que da Fátima Lopes. Tem cara de desavergonhada, já vai no terceiro! Eu já estou casada há 60 anos, tínhamos 19...".
Fiquei a pensar em como continuamos a viver numa sociedade tão preconceituosa e em como nós, mulheres, fruto da cultura patriarcal e de toda a porcaria que nos enfiaram na cabeça ao longo dos séculos, ainda somos tão cruéis umas com as outras. 
É certo que as "senhoras defensoras da moral e dos bons costumes" da mesa atrás da nossa eram de outra geração, mas fiquei a pensar nas várias mulheres da minha idade (e algumas delas, ditas "amigas"), que se contorceram de asco quando souberam da minha decisão de me separar do pai dos meus três filhos. Algumas, na verdade, nunca mais deram à costa. Não as condeno, porque as amizades são como os amores: há algumas que não são para ser, aceitemos isso com fair play.
Também fiquei a pensar que se aquelas senhoras, verdadeiras "guardiãs da decência feminina", soubessem que em vez de ir buscar o meu filho meia hora mais cedo à creche, fui beber jolas e comer tremoços, o que não diriam de mim? E se lhes acrescentasse que tive três filhos de um homem e um filho de outro? E se lhes dissesse que fui eu quem decidiu separar-se? E se lhes confessasse que o que determina um bom casamento não são os anos que ele dura, mas aquilo que realmente nos acrescenta?
As três senhoras da mesa atrás da nossa são, infelizmente, uma caricatura dos juízos de valor e da mediocridade que ainda grassa por aí. Pior que as senhoras da mesa de trás, são a massa disforme de senhoras de todas as idades que povoam o nosso universo, muito para além daquela tasca das imperiais e dos tremoços. São as senhoras da vida real, que por causa da tremenda infelicidade em que as suas vidas se tornaram e da sua incapacidade de fazer mudanças politicamente incorrectas, criticam a vida das outras. Das desavergonhadas.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Sabes o que dizem de nós?



"Adorei participar nesta Masterclass! O tema, a forma clara com que transmitiram os conteúdos e a generosidade com que partilharam as suas experiências de vida foi maravilhoso!", Patrícia C.

"Gostei muito! Foi bastante enriquecedor!", Rita G.

Dia 24 de Fevereiro, eu e a Psicoterapeuta Jaquelina Amado voltamos a estar juntas para a Masterclass "Fazer do Medo um Aliado e não um Inimigo". Vai acontecer na Red Apple, em Lisboa, entre as 15H e as 18H.

Junta-te a nós num momento intimista e transformador!


Inscrições: jaquelinamado@gmail.com


domingo, 10 de fevereiro de 2019

O Divórcio pode ser uma oportunidade para sermos Pais melhores!


A nossa história pode ser o nosso propósito.
Este foi o mote para, em 2019, ter decidido começar a apoiar mães e pais que se separam e/ou divorciam a exercer uma parentalidade positiva, em condições que podem ser adversas para todos. Na verdade, ser mãe e pai é desafiante sempre, mas ser mãe e pai no meio do tsunami que pode ser uma separação conjugal, é uma ultra-maratona.
Acredito que a minha experiência de filha de pais divorciados e de mãe que se divorciou com 3 filhos, é uma mais valia. Sei de cor o que é estar em ambos os "lados da barricada" e, para além das ferramentas que vim a aprender em muitas das formações que tenho feito, conheço por força da minha história pessoal, muitas estratégias para sobreviver no meio do caos e para reconstruir uma vida com sentido.
Acredito que os nossos filhos merecem, em qualquer contexto, a nossa melhor versão, e também acredito que cada um de nós que se separa (quer quem tomou a decisão, quer quem foi confrontado com ela), merece reaprender a aceder à sua melhor versão com um bónus extra: a aprendizagem que esta experiência desafiante lhe trouxe.
Por mais politicamente incorrecto que isto possa parecer, sei que o divórcio pode ser uma oportunidade para sermos Pais melhores, porque é quando tomamos consciência de que não iremos deitar os nossos filhos todas as noites, de que não os iremos levar e buscar da escola todos os dias, nem estaremos presentes em todas as conversas importantes, nem em todos os momentos decisivos, que podemos tomar uma decisão (a única decisão possível, na verdade): aproveitar cada momento com presença e com alegria e sermos os melhores Pais que pudermos ser no tempo que temos à nossa disposição. Tomar consciência dos limites e da finitude de tudo isto, pode ser o gatilho necessário para exercer uma parentalidade intencional, o oposto da parentalidade em piloto automático que nos caracteriza tantas vezes!


Se quiseres saber mais informações, envia-me mail para martamoncacha@gmail.com

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Co-sleeping ou uma maneira pomposa de justificar a minha preguiça!


Há dois meses que o Vicente vem dormir para a nossa cama a meio da noite. Começou por ser já quase de manhã mas, aos poucos, foi antecipando a vinda, e hoje faz o primeiro sono na sua cama e perto das duas da manhã, aparece na nossa.
Sei exactamente o que temos de fazer: levá-lo de volta as vezes que forem precisas até regressar ao padrão de sono anterior, mas não temos dado conta do recado. Está frio, andamos mortos de cansaço, somos pais acima dos 40 e sabemos que mais velho, o Vicente vai querer esgueirar-se para outras camas que não a nossa.
Dizem os especialistas que estamos em co-sleeping. Estive a ler sobre isso para ver se dando nome a isto que nos deita abaixo, fica mais fácil. Mas o pior é que não fica. Estamos exaustos, sem paciência e com zero energia de manhã. Para ser sincera, levanto-me todos os dias com a sensação de que não dormi, e todos sabemos que a privação de sono é tortura. Acho que é isso, sinto-me mais ou menos torturada.
Agradeço todas as sugestões que me possam vir a dar ao lerem este post, e não quero parecer pobre e mal agradecida, mas preferia que não partilhassem dicas de como posso reverter a situação, nem me dessem lições de moral. Sei exactamente como posso fazê-lo e se não o tenho feito, tem sido uma escolha movida a preguiça que, como todo este tipo de escolhas, custa cara. Se quiserem ser generosos comigo, mandem-me beijos e sejam solidários. O resto, eu resolvo.
Obrigada pela paciência.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Socorro, vivo com o padrasto dos meus filhos!


Ninguém sonha em dar aos filhos um padrasto ou uma madrasta. A família idealizada não inclui estas personagens que, aliás, nos habituámos a ver como monstros nos contos de fadas da nossa infância.
A vida, contudo, é bem mais criativa e surpreendente que qualquer história infantil, de modo que nos coloca no caminho situações que não esperávamos e pessoas com que não contávamos. O padrasto e a madrasta dos nossos filhos, podem ser algumas delas.
O medo vem naturalmente. Quando o Rui veio viver comigo e com os meus filhos, receei que não se adaptassem, que não se gostassem ou que, ao contrário, a sua presença viesse substituir a figura do pai. Não aconteceu nada disso, porque a sua integração na família foi tão natural, quanto clara. O Rui era o namorado da mãe, mas não era o pai de ninguém. E ainda que assumisse muitas funções normalmente atribuídas aos progenitores, o Rui tinha o seu papel, sem precisar assumir nenhum outro que não lhe pertencia.
Esta clareza de papeis é, em meu entender, a chave para um processo de integração bem sucedido. O padrasto (ou madrasta), precisam acolher a história a que nunca pertenceram, aceitar que nunca lhe pertencerão, e ser proativos na construção de uma nova história por estrear, onde possam assumir um papel decisivo. É um lugar de construção, onde tudo está em aberto, e essa circunstância é bela e aterradora ao mesmo tempo. Ser uma "tela em branco" é tão desafiante quanto assustador! É preciso coragem. É preciso paciência e alguma capacidade de resignação. É preciso saber lidar com a frustração de se tentar ser tudo, mas nunca se ser o bastante. É preciso segurança para gerir uma posição protagonista sem nunca se ser a personagem principal. Basicamente, é preciso doses massivas de Amor. Amor pelos filhos do coração, amor pelo(a) parceiro(s), amor pelo pacote todo.
E depois...depois é quando a magia acontece, e de padrasto se passa a (pai)drasto. E de madrasta se passa a (mãe)drasta. E é aí, nesse posto conquistado, que os verdadeiros desafios começam. Como as mães e os pais de todo o mundo, ao fim ao cabo.

[No dia 28 de Fevereiro, vou estar na Red Apple a falar sobre Pais & Filhos do Coração. Apareçam!]

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Pais & Filhos do Coração!

 A Vida deu-me um padrasto e uma madrasta e deu aos meus filhos um (pai)drasto e uma (mãe)drasta de mão cheia!
É sobre isso e sobre esta nossa família que se multiplicou, ao invés de se ter dividido, que falarei no dia 28 de Fevereiro, na Red Apple, em Lisboa.

Entretanto, é já amanhã que o Psicólogo e Mediador Miguel Leite vai falar sobre a gestão das emoções na Mediação.
Apareces? 
Contamos contigo!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

A tua "aldeia" pode ser maior do que pensas!


Quando me separei, desmoronei numa conversa de vinte minutos com a Educadora da minha filha. A ideia inicial era falar-lhe sobre esta mudança que estava a acontecer na vida da Vitória, e alertá-la para eventuais alterações de comportamento que pudesse vir a ter. Queria que estivesse preparada para lidar com perguntas, silêncios, alterações de apetite, o que fosse necessário para ser mais uma aliada da minha filha no processo. O que eu não estava à espera, era que a Educadora da Vitória se tornasse, numa conversa de vinte minutos, na "minha aldeia". Não é que tenha dito muita coisa, nem que tenha feito o pino para me confortar. Ao contrário, escutou-me, emocionou-se comigo e disse-me que iria ficar tudo bem. E abraçou-me. Não fez perguntas vazias, não emitiu opiniões estéreis, não fez julgamentos rápidos. Limitou-se a acolher a minha dor e ali ficou, abraçada a mim. 
A "aldeia" que construímos à nossa volta, às vezes, é feita de momentos, de pessoas que vão e vêm, de anjos da guarda que não permanecem, mas que põem um tijolo forte e vão embora. A "aldeia" pode ser construída de muitas maneiras, em muitos espaços e por pessoas que não estamos à espera. É preciso aceitar a ideia de que ela se amplia e que é dinâmica, como a nossa vida. E depois, é preciso aprender a aceitar o Amor que nos chega de onde menos esperamos e que, sem darmos conta, nos salva e nos redime.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

"Casa de chegada" e "Casa de partida"


Foste embora no dia 6 de Janeiro, Dia de Reis. Antes, tinhas ido embora no dia 14 de Agosto. Esta foto foi tirada no dia 22 de Dezembro e é, claramente, uma foto de chegada. Casa de chegada, e não casa de partida. 
Guardo estas datas com amor e com dor no peito. Farão parte de mim, de nós, da nossa história para sempre. Depois disto, não sei o que o futuro nos reserva. Voltas nas férias da Páscoa e depois voltas no Verão. E em Novembro és maior de idade e a vida é a tua porta de saída. Já deixei de fazer planos e de querer controlar a vida. Ela sabe o que faz. Quero muito acreditar que ela sabe o que faz. E connosco,já sabemos que não é um Continente que nos separa. Essa certeza, para já, basta-me.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Os teus filhos querem-te de volta!


O meu mundo desmoronou quando o pai dos meus três filhos mais velhos, há uns anos, me disse que queria residência alternada. Queria isto dizer, que passaríamos a viver com os nossos filhos, semana-sim-semana-não.
Terá sido a fase mais dura da minha vida, porque fui assolada por muitos medos:
Medo de perder o amor dos meus filhos.
Medo de lhes perder o rasto. 
Medo de perder o controlo sobre as suas vidas.
Medo de me sentir perdida e vazia.
Medo de não saber o que fazer nas "semanas sem filhos".
Medo que os meus filhos passassem a sentir-se "visitas" em nossa casa.
Medo que não fossem bem cuidados.
Medo que tivessem medo.
Medo de os perder.
Medo de não me achar.

Tudo o que implica sair da nossa "zona de conforto" e entrar em território desconhecido, é ameaçador e traz ao de cima os medos mais irracionais. E a residência alternada é, para muitas mães, profundamente assustadora, porque põe a nu a imprevisibilidade das nossas vidas, revelando a incapacidade que tantas vezes temos, de controlar todos os factores.
Uma mãe dizia-me no outro dia "Marta, eu não fui mãe para só ver o meu filho semana-sim-semana-não", e eu percebo a perplexidade e a tristeza. Somos mães (e pais), para vivermos a experiência na totalidade. Para acordarmos e adormecermos com os nossos bebés todos os dias, para os levarmos e trazermos da escola todos os dias, para os vermos todos os dias. Ninguém nos avisou, logo depois de parirmos, que a vida pode mudar e que aquele Ser que se torna o centro das nossas vidas em nano-segundos, pode não estar sempre ali, à nossa espera nem dependente de nós.
Confrontarmo-nos com a ausência física dos nossos filhos, com as camas vazias, com a casa em silêncio, com os lugares da mesa vagos, com os telefonemas como fracos sucedâneos do cheiro, dos abraços, dos beijos, até das birras dos nossos filhos, é demolidor. E também é demolidor confrontarmo-nos connosco próprias e com os nossos fantasmas. Em quem nos transformámos nestes anos todos? O que é que gostamos de fazer quando não somos mães? Quem somos para além da maternidade? O que nos traz energia? Este confronto carece de tempo, às vezes de ajuda, e de alguma busca interior. É preciso voltar à origem (à nossa origem), e (re)lembrar quem éramos antes da maternidade. 
Ainda te lembras?...

Se estás nesta fase, quero dizer-te que as "semanas sem filhos" são "semanas para ti".
Eu sei. É um caminho. É um longo caminho cheio de pedras, gravilha, areia na engrenagem. Been there, done that. Mas se souberes que um dia a sensação será essa, fica mais fácil. 
Ainda assim, tens que pôr pernas a caminho! Muda o teu vocabulário associado ao divórcio. Confia no outro progenitor. Assume que não podes controlar tudo. Lê um livro. Liga a uma amiga. Caminha na praia. Vai ao cinema. Acredita no poder do teu Amor pelos teus filhos. Devora a Netflix. Chora tudo o que tiveres que chorar e renasce das cinzas. Caramba, faz o que tiveres de fazer para te lembrares de quem eras e para chegares à tua melhor versão, porque os teus filhos querem-te de volta. E mesmo que já não tenhas a certeza, eu tenho: precisam de ti.


[Contacto: martamoncacha@gmail.com]

sábado, 2 de fevereiro de 2019

A minha "caixa negra"


A minha "caixa negra" é o meu telefone. É lá que tenho registados todos os números de telefone, que tenho guardadas todas as notas importantes, desde pensamentos soltos, até frases que me inspiram, senhas de acesso à minha vida inteira e receitas de cozinha. É no meu telefone que faço o calendário de todos os eventos que considero importantes, e é onde tenho gravados, para mais tarde recordar, todas as fotos e todos os vídeos dos meus filhos, e meus e do meu marido.
Tudo o que importa está guardado na minha "caixa negra", que faleceu há uma semana, depois de uma queda e de problemas técnicos relacionados com backups, clouds, recuperação de passwords, restauro de conta e cenas desta natureza que não vos sei explicar, mas que garanto, estão a ser tratadas, ainda que não no tempo útil que gostaria.
Isto quer dizer que o meu telefone só me permite fazer aquilo para que os telefones foram inicialmente criados e que já nos esquecemos: fazer e receber chamadas. De resto, está vazio como um balão sem ar: sem números de telefone, sem acesso a nenhuma rede social, zero, nada.
Poderia dizer-vos que estou a lidar bem com a situação, porque o que importa na vida são as pessoas e a relação que estabelecemos com elas. Afinal, um telefone é só um telefone e a vida continua. Acontece que não vos quero mentir só para ficar bem na fotografia. Já chorei muitas lágrimas com esta sensação de perda e de vazio, porque embora tenha acesso às pessoas que amo (o mais importante, de facto!), perdi o acesso às coisas que gosto e isso frustra-me e traz-me uma sensação de profundo vazio. Não consigo fazer chamadas por what´s app para o meu filho que está longe, não posso publicar nada no instagram, não acedo aos eventos que inseri no calendário, não sei o número de telefone de ninguém (e não identifico nunca quem me liga), não sei a senha das Finanças, não tenho a receita do bolo de alfarroba que alguém me deu, nem a frase da Agustina a que recorro nas Notas, quando preciso de inspiração. Bem vistas as coisas, falta-me uma parte da vida e isso é frustrante e entristece-me.
Mas como tenho esta mania obsessiva de tentar sempre ver o "copo meio cheio" e o sentido de tudo o que de menos bom me acontece na vida, dou por mim a procurar um propósito nisto. E descobri os seguintes:
Leio mais.
Consigo ficar mais focada numa única tarefa.
Sinto-me menos dispersa.
Olho mais para os meus filhos e menos para os écrans.
Vejo mais séries com o meu homem ao serão.
Revitalizei o blogue.
Deito-me mais cedo.
(...)

Quero que tudo isto se resolva o mais depressa possível, porque o meu telefone é um instrumento de trabalho e um elemento afectivo, a verdade é essa. Mas que o propósito desta fase não se perca depois, ou nada disto terá valido a pena. 


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

É preciso uma aldeia inteira quando uma família se separa!


Ser Pai e Mãe é das tarefas mais desafiantes que existem. Acrescentemos-lhe a circunstância de uma separação ou de um divórcio, e a tarefa desafiante transforma-se numa missão de alto risco!
A vida fica virada de pernas para o ar, o chão sai-nos debaixo dos pés, ficamos submersos num carrossel de emoções gigante, parece que somos engolidos por um tsunami de onde custa sair.
Costumo dizer que um divórcio é como um acidente: faz feridos graves, pode causar situações de coma, deixa sequelas e implica um período de recuperação. Ora tudo isto, juntando-lhe a responsabilidade de sermos Pais e Mães, não é pêra doce!
Há que interiorizar novos hábitos, adquirir novas rotinas e reinventar rituais. Há que estar disponível para a mudança e, muito provavelmente, há que pedir ajuda.
O ditado diz que "é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança". Eu digo que é preciso uma aldeia inteira quando uma família se separa. Fazer uma sopa. Dar um ombro para chorar. Estar à distância de um telefonema. Ficar uma noite com os miúdos. Permanecer em silêncio (mas permanecer). Dar um jeito à casa. Oferecer colo. Não dizer nada, mas dizer tudo. Deixar chorar. Limpar as lágrimas. Assegurar que vai ficar tudo bem. Não desaparecer.

Quando me separei, a minha "aldeia" foram os meus pais e uma amiga. Olha à volta e descobre se podes ser "a aldeia" de alguém. Juro que faz milagres. E que salva vidas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Os teus filhos servem-te de desculpa para quê?


Acredito que os filhos não podem ser a desculpa dos pais para estes permanecerem ou para saírem de um casamento, por mais nobre que a atitude possa parecer, e por mais tentadora para o ego, para a culpa e para a sociedade. Os pais são os "adultos da jogada", de modo que qualquer decisão que tomem, é por eles próprios, e esse seu aparente "egoísmo" é, na verdade, onde reside o seu maior acto de Amor. 
O melhor que os pais conseguirem fazer por si próprios, é o melhor que farão pelos filhos. Sem desculpas.

[abençoada Mel Robbins!]

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Medo: um inimigo ou um aliado?



Costumo dizer que sou a campeã dos medos.
Quando era miúda, tinha medo do escuro, medo que a minha mãe morresse, medo que não gostassem de mim, medo que não fosse suficientemente inteligente, medo que me gozassem na escola, medo que me fizessem chorar.
Fui crescendo e grande parte destes medos mantiveram-se, ainda que alguns deles tenham ganho nomes mais pomposos:
Medo de não ser aceite;
Medo de não corresponder às expectativas dos outros;
Medo do sentimento de "fracasso";
Medo de não agradar/de não ser amada;
Medo de ser julgada;
Medo de revelar vulnerabilidades.

A lista continuaria infindável...
A Vida, que no meio disto é sábia, foi-me mostrando que alguns destes medos eram infundados e fez-me essa revelação da única maneira que pôde: pondo-me à prova! Agora percebo que muitas das experiências pelas quais tenho passado, serviram para me mostrar por a+b, que sou capaz de vencer o medo e de sobreviver (quase) incólume. E também me tem mostrado que os medos, esses bicho-papão, servem um propósito: o de nos pôr alerta; o de nos preparar para todas as eventualidades; o de nos proteger.
O truque não está em eliminar o medo das nossas vidas. Ao contrário, a estratégia é dar-lhe atenção q.b. e, de mão dada com ele, atravessar os obstáculos que nos pareciam intransponíveis e que, tantas vezes, só moravam na nossa cabeça.

Inscrições: jaquelinamado@gmail.com


domingo, 6 de janeiro de 2019

Estou Grata


O meu ano parece só começar verdadeiramente amanhã, porque andei, desde o Natal até hoje, numa espécie de hibernação familiar. Um casulo quentinho e seguro, de onde só saio amanhã de manhã, para voltar a dar os primeiros passos na vida real.
Fazendo o resumo disto tudo, estou grata pela vinda do meu filho e pela maneira como eu e o pai soubemos gerir estes dias. Estou grata pela forma como o Duarte veio, mas crescido, mais paciente, mais doce. Estou grata por ter a família alargada que tenho (extensível aos avós paternos dos meus três filhos mais velhos), que me dá sempre a sensação de que nos multiplicámos, em vez de nos termos dividido. Estou grata aos meus outros filhos, que receberam o mano com tanta generosidade e que souberam aceitá-lo como a "personagem principal" destas festas. Estou grata por me ter sido dada a oportunidade de tirar estas férias e de gozar a família neste "tempo de família". Estou grata ao meu marido que está sempre aqui, de pedra a cal, a aturar esta montanha russa que é a nossa vida. Estou grata pelas oportunidades que me estão a chegar e que me mostram, novamente, que o Universo ouve, sempre que estamos na direcção certa. 
O meu filho voltou para a China e eu estou grata, porque seria tremendamente injusta se pedisse contas à vida.