domingo, 9 de dezembro de 2018

Já vale fazer o balanço de 2018?



Nesta altura do ano, chega-me uma espécie de nostalgia silenciosa.
É a fase em que olho para trás e faço um balanço do ano que passou; é a fase em que olho para a frente e projecto o próximo; é a fase em que olho para dentro também.
2018 foi duro. Nasceu com um gigante desafio profissional, que escolhi abandonar em Setembro. Nunca é fácil deixar projectos e meio, por brio profissional, por orgulho, por espírito de missão, por teimosia. A sociedade olha de lado para quem desiste de projectos, porque é demasiado fácil rotular o gesto como sinónimo de fraqueza, de incompetência, de irresponsabilidade.
Quebrar este preconceito e avançar, ainda assim, mete um medo do caraças, mas implica coragem. E o meu 2018 foi assim: redescobrir prioridades, superar desafios, conhecer gente maravilhosa que tanto me ajudou a fazer o caminho linear, como me apoiou incondicionalmente no outro, aquele que foi noutra direcção.
2018 foi duro e rico em tanta coisa! Foi um ano de aprendizagem, de muito trabalho e, de certa forma, de renascimento.
Que venha 2019, estou pronta!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Queres começar o ano a falar-me de ti?



Quando publiquei este post, não pensei no impacto que ele teria aí desse lado. Escrevi-o por ter cada vez mais a certeza de que é importante voltarmos à nossa essência, isto é, a quem somos, àquilo que gostamos, às coisas que nos fazem felizes, tantas vezes pequenos "nadas" que nos energizam e que contribuem para os nossos momentos de felicidade. O trabalho, aquilo que fazemos, é naturalmente uma parte importante da nossa vida, mas o que me parece altamente limitador é a ideia de que nos esgotamos nele, como se fosse a única coisa que nos define perante o olhar dos outros e, mais grave ainda, perante o olhar de nós próprios. Gostarmos do nosso trabalho, sentirmos realização e satisfação pessoal a desempenhá-lo é maravilhoso e desejável, mas quantas vezes a nossa existência aos olhos das outras pessoas se resume à actividade que desempenhamos, ao cargo que ocupamos no momento, ao curso que tirámos, à visão mais ou menos distorcida sobre se somos profissionalmente competentes, esquecendo-nos de pensar sobre todas as outras nossas competências: a competência para sermos autênticos na relação com os outros e na relação connosco mesmos, a competência para comunicarmos de forma mais generosa, a competência para a compaixão e para a capacidade de estarmos presentes na vida dos outros e na nossa (quantas vezes não nos tornamos meros espectadores da nossa própria vida? Quantas vezes ela não ganha vida própria?), a competência para criarmos ligações com significado, a competência para sermos pais e mães conectados com os nossos filhos, a capacidade para "sermos", ao invés de somente "existirmos".
Este tema é inesgotável e falarei aqui sobre ele outras vezes, até pelos mails maravilhosos que recebi como resposta ao desafio "Fala-me de ti...". Partilhas que não esperava e que reflectem esta necessidade que temos de pensar sobre quem somos, afinal. Mas quero ir mais longe e dar-te a oportunidade de partilhares comigo, olhos nos olhos, quem tu és...
E se o "Fala-me de Ti..." se transformasse num workshop para todos aqueles que querem repensar e recontar as suas próprias histórias? Estarias interessado?

No dia 20 de Janeiro, entre as 10h e as 13h, podes vir falar-me de ti na Red Apple!
Inscreve-te através do email info@red-apple.pt, ou através do número de telefone 91 6104651.
Aparece!

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Queres vir conversar connosco?


A Jaquelina Amado foi minha Psicoterapeuta durante dois anos. 
Procurei-a, porque apesar de ter uma vida, à superfície, bem arrumada (um casamento estável, três filhos maravilhosos e saudáveis, um emprego seguro na Função Pública), sentia-me absolutamente miserável.
Foram dois anos de visitas semanais à mulher que me ensinou a não ter medo dos meus medos, ou por outra, a enfrentá-los (ainda que cheia de medo!), e foi enquanto sua paciente que tomei a decisão mais dura da minha vida: a de me separar do pai dos meus três filhos mais velhos. Foi graças a ela que em muitos campos da minha vida, me autorizei a tomar decisões próprias e a ocupar espaço (o meu espaço), sem pedir licença.
Um dia, já no fim de uma das consultas, disse-me que quando deixássemos a relação terapêutica, tomaríamos um café. Tomámos um café dez anos depois, e construímos, juntas, o ciclo de Sessões acima, sobre tudo o que trabalhámos: Ousar Ser, o Medo, a Comunicação Positiva e a Mudança.

Esta iniciativa é, para mim, o cumprir de um sonho, mas é muito mais que isso. É a prova provada de que a vida dá voltas, e de que há pessoas que entram na nossa vida para ficar.

Inscreve-te já, através do email: jaquelinamado@gmail.com

domingo, 11 de novembro de 2018

Queres tentar?

Rui Pinto, Grande Trail do Zêzere, 35Km

Acredito piamente que são os nossos maiores desafios que nos tornam mais fortes. São eles que nos põem à prova, que nos questionam, que desarrumam as nossas crenças limitadoras e que, por isso mesmo, nos empurram para a frente.
São os nossos maiores desafios que nos forçam os limites, que fazem doer e que com essa dor, fazem músculo. Um músculo do caraças!

Quando os desafios nos chegam, quantas vezes temos a tentação de lhes fugir, de lhes virar as costas, de fingir que não estão a passar por nós?

A minha proposta é que experimentes. 
Experimenta e acontecerá uma de duas coisas:
- Descobres o teu caminho por ali;
- Descobres o teu caminho por outro lado.

Queres tentar?

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Cuidado com o que pedes!


Conhecemo-nos tarde e comentámos, na altura, como teria sido bom termos passado juntas, pelos eventos da vida: casamento, nascimento dos filhos, aniversários...
Quis a Vida, no entanto, presentear-nos com tudo o que nos faltou antes, de modo que entretanto casei e tu foste madrinha, estive grávida e pari o teu futuro afilhado, assisti à morte da tua vida antiga e ao teu renascimento, partilhei contigo vários palcos, escrevemos um livro juntas, dormimos juntas, chorámos no ombro uma da outra, rimos às gargalhadas, demo-nos colo.
A Vida sabe sempre o que faz.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Queres mudar e tens medo? [este post é para ti!]

Activa, 2018

Perguntam-me, muitas vezes, como é que tive coragem para fazer tantas mudanças na vida. Acabei um casamento com três filhos, deixei um cargo de chefia, decidi "grisalhar" aos 43, quis voltar a casar aos 40, tive o quarto filho aos 41.
Respondo o seguinte: as mudanças dão um medo do caraças e não há volta a dar. Não há receitas para fazer o medo desaparecer e nem convém, porque é o medo que nos lembra que somos finitos e frágeis e de carne e osso. É o medo que nos inibe de cometer loucuras maiores e é bom que se mantenha de mãos dadas connosco em fases de mudança. Medo e Mudança são manos, e eu agradeço.
Mas se olharmos para dentro, sabemos quando é o momento para largar a mão ao medo e saltar. Sabemos sempre, se nos ouvirmos. E quando isso acontece - a necessidade de mudança ser mais forte que o medo, é preciso ter coragem, sim. E saltar.

Contacto: martamoncacha@gmail.com

domingo, 21 de outubro de 2018

Saudades.


Hoje voltei a sonhar contigo. Estavas a preto e branco, mas feliz. Estavas perto, mas não te conseguia tocar, nem falar. Não me vias, envolvido que estavas na tua nova vida.
A dormir, parece que as saudades brutais ganham um sabor a angústia que, felizmente, acordada não sinto. 
No sonho comecei a chorar, e quando abri os olhos, ainda de madrugada, estava a chorar também. Nunca mais tinha chorado desde a véspera em que te foste embora; 13 de Agosto.
Logo depois, adormeci. Adormeci a pensar que tenho que viver os teus irmãos, enquanto não ficam, também eles, a fazer parte de um sonho a preto e branco, ainda que um sonho feliz.

sábado, 20 de outubro de 2018

Eu fui vítima de bullying. E tu?


Quando tinha 7 anos, tive um acidente de viação com a minha mãe, fiz um traumatismo craniano com afundamento e tive de rapar a cabeça duas vezes, para as duas cirurgias a que fui sujeita.
Andava na escola primária, para onde voltei depois do acidente, de ligaduras na cabeça, e com as pernas cobertas de crostas da psoríase que tinha em fase activa, na altura.
Fui gozada muitos dias e deixada de parte em todas as brincadeiras. Ouvi demasiadas vezes que era careca e feia, que metia nojo, que era "mariquinhas pé de salsa", porque não conseguia parar de chorar.
Dizer-vos, sem nenhuma mariquice, que aos 44 anos ainda sinto muitas vezes o desamor e o desamparo desses tempos de escola. O bullying não tinha nome naquela época, mas deixou as mesmas marcas. Marcas para a vida adulta, que facilmente se transformam em crenças limitadoras.
O bullying é feito por crianças, jovens e adultos e pode matar aos bocadinhos, e só vejo uma maneira de combater este flagelo: educar com aquela forma de Amor que implica limites e respeito. A única forma que conheço.

[20 de Outubro, Dia Mundial de Combate ao bullying]

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Separar com amor: é possível?


Acredito numa espécie de "amor maior" que nos mantém ligados ao pai ou à mãe dos nossos filhos, e que permanece depois de uma separação, por força deste vínculo eterno que é o facto de sermos pais daquelas crianças para a vida inteira, e isso é muito poderoso.
Se é difícil? Imenso! Se, muitas vezes, parece um sentimento impossível? A maioria delas. Mas este tipo de Amor não implica mais nada que não um respeito profundo pela história comum, pelos filhos comuns e por nós próprios. Este Amor implica honrar o passado, e implica que estejamos preparados para viver outro presente e futuro, em plenitude.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

"Infelizes e juntos para sempre, até que a morte nos separe?"


Não sou apologista do divórcio, mas defendo-o como um mal necessário sempre que estamos perante um "mau casamento".
E o que é um "mau casamento"?

É uma relação destrutiva para, pelo menos, uma das partes. 

É uma relação que traz tristeza e desesperança a, pelo menos, uma das partes. 

É uma relação que faz infeliz, pelo menos, uma das partes.

Se reparares, em nenhuma destas afirmações inseri os filhos, o dinheiro, nem a pressão social e familiar, porque perante um "mau casamento", nenhum dos factores acima deveria ser razão para evitar o divórcio. Bem sei que a realidade não é esta. Há mulheres e homens que não se divorciam por causa dos filhos. Há mulheres e homens que não se divorciam por razões financeiras. Há mulheres e homens que não se divorciam pela pressão da família e da sociedade. Pergunto-me, contudo, se as mulheres e homens que não se divorciam "apenas" por uma das razões acima, por algumas delas ou por todas, levam vidas felizes. E por vidas felizes, refiro-me a uma existência que lhes traga serenidade, segurança e sentido de propósito.
Também fiz questão de referir que basta uma das partes sentir tristeza, desesperança e infelicidade para estarmos perante um "mau casamento", porque tal como no tango, o casamento só se dança a dois, embora tantas vezes nos esqueçamos disso, porque queremos muito que resulte, porque entramos em negação, porque temos medo de sermos deixados ou de deixarmos alguém e fazermos sofrer, porque, porque, porque.
A verdade é que, por mais doloroso que seja para todos os envolvidos, levar a vida para a frente, fechar ciclos e recomeçar de novo implica, por vezes, passar pela experiência da separação ou do divórcio. E ainda que algum sofrimento seja inevitável, é preciso abalar crenças para que o processo decorra com o mínimo de efeitos secundários.

Partilho convosco aquelas que, no meu processo, precisei derrubar:

1. Os filhos serão, inevitavelmente, infelizes depois do divórcio dos pais;
2. O dinheiro será sempre um problema com o divórcio (por razões culturais, esta crença abala mais as mulheres);
3. Os pais que se divorciam ficarão com a relação parental, irremediavelmente, empobrecida.

Abalar crenças requer tempo, coragem e, é preciso dizer, ajuda, mas a boa notícia é que elas se abalam. Vamos começar a desconstruir algumas?

Crença 1. Os filhos serão, inevitavelmente, infelizes depois do divórcio dos pais.

A estabilidade emocional dos nossos filhos depende da nossa, por isso, tem atenção ao que lhes dizes, à forma como constróis a tua narrativa à volta do divórcio e às narrativas dos outros, a que as crianças ficam expostas. Elas ouvem e sentem tudo, ainda que possam parecer alheadas. E também fantasiam e criam fantasmas, quando a informação não lhes é passada em tempo útil e de forma adaptada à idade e à circunstância. Não subestimes a sensibilidade do teu filho para perceber que algo se passa. E certifica-te que, apesar de tudo, ele não sente que o chão lhe está a fugir debaixo dos pés. Tu e o pai continuam a ser pais, e é vossa responsabilidade transmitir segurança, estabilidade e Amor, independentemente das marés vivas em que possam estar a navegar. E lembra-te sempre: é pelas lentes dos adultos que as crianças olham o mundo que as rodeia. A tua visão será a deles, assume a responsabilidade.

Crença 2. O dinheiro será sempre um problema com o divórcio.

Perder a autonomia financeira com o divórcio é, infelizmente, uma realidade efectiva em muitos casos, mas arrisco-me a dizer que em muitas das situações, não falamos de perda de autonomia financeira, mas de perda de um determinado estilo de vida que o casamento proporcionava. Se for este o caso, é preciso reavaliar valores e prioridades, pesar prós e contras e decidir o que é realmente importante para ti.

Crença 3. Os pais que se divorciam ficarão com a relação parental, irremediavelmente, empobrecida.

Já escrevi sobre isto muitas vezes, mas repetirei sempre: A relação que os pais estabelecem com os filhos depois da separação ou do divórcio, é uma escolha, não é uma triste inevitabilidade. O divórcio não pode ser, em nenhuma circunstância (a não ser na negligência e no mau-trato), razão para alienar um dos progenitores ou para desaparecer da vida das crianças. O acesso a ambos os pais é um direito dos filhos, e se é verdade que a rotina é difícil,e que as exigências são muitas, também é verdade que essa será sempre uma responsabilidade e um dever dos adultos.Os filhos agradecem.


Não sou apologista do divórcio, mas sou defensora acérrima do direito que todos temos a ser felizes em qualquer fase da vida, mesmo que isso implique acertar o passo nalgum momento. Sermos infelizes até que a morte nos separe soa mal, mas é, infelizmente, o que acontece a muitos casais. É preciso pensar nisto com frontalidade, ainda que mortos de medo. Porque há vida para além do divórcio. 





domingo, 14 de outubro de 2018

Saudades mil.


Hoje sonhei contigo, puto. Sabias que o mano também? No meu sonho continuavas longe, mas estavas perto de mim, não sei explicar melhor.
Quando acordei, senti uma angústia fininha, acho que a isso se chama saudades. Muitas. Tantas, que nem sabia que existiam.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Mulheres de Prata, somos quase 5000!

Em Janeiro de 2017 decidi deixar de pintar o cabelo por muitas razões:
- Porque estava farta de o fazer de mês a mês;
- Porque via o cabelo frágil e danificado depois de 20 anos de químicos;
- Porque precisava poupar tempo e dinheiro;
- Porque estava a afastar-me de produtos tóxicos para o meu organismo (alimentação incluída);
- Por curiosidade: de que cor estaria o meu cabelo passadas duas décadas?
- Porque queria fazer uma mudança radical no meu visual;
- Porque sim.

A transição começou devagarinho, num processo que se avizinhava difícil, porque tinha o cabelo vermelho e o contraste iria ser enorme, não havia uma maneira milagrosa de disfarçar! Teria de lidar com as críticas, com os olhares de lado, com alguns confrontos e palavras ditas fora do lugar. Assim seria, mas não queria estar sozinha, precisava de ajuda e de motivação.
Foi assim que em Fevereiro de 2017, decidi que precisava encontrar outras mulheres que já tinham passado pelo processo, ou que estavam a passar por ele, e foi por isso que, num impulso, sentada à mesa da minha cozinha, criei o grupo de facebook Mulheres de Prata. Logo naquela noite (depois de o divulgar por aqui), percebi que companhia não me iria faltar! Tantas mulheres a pedirem para aderir, porque se identificavam de alguma maneira! É maravilhoso quando encontramos sincronicidade!
Também foi por essa altura que a minha mudança de visual começou de forma gradual e radical, ora lembra-te lá:


Desde aí até hoje, o grupo transformou-se numa comunidade de quase 5000 mulheres de prata, ou a caminho. Chegam de todos os cantos do País e de fora de Portugal: Brasil, Suíça, Austrália, EUA, França..., e têm sido um apoio incondicional neste meu caminho e eu (quero acreditar), no delas!
Hoje em dia, o grupo é muito mais do que um espaço sobre cabelos:
  • É um espaço seguro onde falamos sobre autoaceitação, acolhimento do nosso processo de amadurecimento, autenticidade, coragem para sermos quem queremos ser, independentemente das pressões e das normas sociais.
  • É um espaço de liberdade, porque independentemente da nossa escolha, respeitamos quem faz escolhas diferentes.

  • É um espaço de inspiração, porque as mulheres que ali chegam, impulsionam a vinda de muitas mais, num contágio bom.

  • É um espaço de solidariedade, porque apoiamo-nos umas às outras no processo de mudança, aceitando ritmos e acolhendo todos os retrocessos, todas as desistências, todas as dúvidas, todas as decisões.

  • É um espaço para desmistificar crenças, porque  para nós não há fracassos nem vitórias, há caminhos; não há certos nem errados, há verdades individuais; não há um conceito de beleza universal, há mulheres bem resolvidas com elas próprias, independentemente das escolhas que fazem.


Em 2019, será altura para nos conhecermos cara a cara, finalmente, para partilharmos caminhos, avanços e recuos, medos e ansiedades, dicas e testemunhos.
Alinhas? Queres fazer parte desta comunidade? Queres ajudar a divulgá-la?
Queremos atingir o nosso próximo objetivo: 10 000 mulheres de prata!

Para aderires ao grupo Mulheres de Prata, clica AQUI!
Para seguires o perfil no instagram, acede a @mulheres_de_prata.

Vamos a isto?

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Mediação, por favor!



Sou uma "sobrevivente" do divórcio dos meus pais, e do meu próprio com o pai dos meus três filhos mais velhos, de modo que conheço bem o papel de filha e o de mulher e mãe nessa circunstância.
Esta experiência num duplo papel, apesar de muito dura em qualquer um deles, trouxe-me a possibilidade de conhecer bem o medo de perder o meu pai quando o vi sair porta fora, e o medo de estar a causar aos meus filhos uma perda irreparável quando decidi separar-me: a de deixarem de viver com o pai como até ali.
Conheço demasiado bem o medo da antecipação destas perdas, mas aos 44 anos e depois de alguns quilómetros de vida, reconheço que a perda só acontece por escolha de alguém. São escolhas, não são inevitabilidades da vida. Quando um pai ou uma mãe decidem separar-se, é escolha de cada um deles o tipo de vínculo que irão estabelecer com os filhos naquela nova situação de vida. A separação dos pais não implica a separação dos filhos, ainda que esta constatação aparentemente óbvia não seja sempre tão linear. Imbuídos nos seus sofrimentos legítimos e em jogos de poder tantas vezes inconscientes, é tentador colocar os filhos no meio do conflito, arremessando culpas e construindo narrativas a preto e branco para histórias que foram feitas de muitas cores. E as crianças, inocentes neste palco de dor, vêem-se privadas do Amor a que têm direito: o da mãe e o do pai, independentemente de todos os contextos (retiro deste cenário, as situações de maus-tratos, naturalmente, que conheço bem, por força da minha profissão).
Eu sei; é duro reconhecermo-nos nisto. É duro assumirmos que se os nossos filhos não têm acesso a um dos progenitores, algum de nós não está a assumir o seu papel. Mas é verdade. A mãe ou o pai que vedam o contacto dos filhos ao outro, é tão grave como a mãe ou o pai que se anulam nesse papel e que abandonam. Excepção feita às situações de negligência e maus-tratos, todos os filhos têm direito aos pais, independentemente do marido e mulher que ambos foram, e separar estas águas pode ser penoso, mas é necessário.
Se vos disser que conheci o meu pai aos 20 anos, quando os meus pais se separaram, não vos minto. Até ali, era alguém que entrava e saía para trabalhar e que pouco ou nada sabia sobre mim. Foi só quando saiu de casa que decidiu investir. Sim, poderia ter sido tarde, mas ambos escolhemos não ser. Hoje, é o meu porto seguro, a par da minha mãe.
A separação ou o divórcio não podem implicar a perda dos filhos, e esse medo latente não pode ser inibidor de cumprirmos a nossa verdade. Nenhum pai e nenhuma mãe deve passar pela terror de perder os filhos quando decide separar-se, porque essa circunstância, mais do que a violação do direitos dos pais, é uma terrível violação do direito dos filhos. Há soluções legais e há soluções de bom-senso. Há Amor, mesmo quando os pais já não se amam mais.

Red Apple vai iniciar mais uma Pós-Graduação em Mediação de Conflitos com Especialização em Mediação Familiar, no dia 26 de Outubro. 
Inscreve-te AQUI!

sábado, 6 de outubro de 2018

Desafio #decidiestádecidido

ACTIVA, Março 2018
Por que raio fazemos mil planos para o início de cada ano, definimos objetivos e metas, repescamos sonhos, e esquecemo-nos de fechar os anos com chave de ouro, como merecem? É bem mais fácil recomeçarmos já embalados, do que andar a procrastinar com a nossa vida até 31 de Dezembro, certo? 
Já alguma vez pensaste nisto? Eu não, até saber do desafio #ospróximos90dias criado pela Lua Fonseca e pela Tati Sabadini.
Decidi adaptá-lo para uma "versão tuga", porque preciso de foco e da tua ajuda. E é por isso mesmo que partilho contigo os meus desafios diários atá ao final de 2018, na esperança de que te sintas inspirada e te juntes a mim nesta empreitada:

  • Fazer 15 minutos de exercício físico diário;
  • Berrar baixo com os meus filhos, inspirada no livro "Berra-me Baixo" da Magda Dias;
  • Eliminar os açúcares adicionados da minha alimentação;
  • Partilhar à refeição (normalmente ao jantar, quando estamos juntos em família), 2 situações do dia em que vi "o copo meio cheio", em vez do "copo meio vazio";
  • Reservar 1 hora de "me time" para cuidar de mim e para fazer o que me der na telha, inspirada na coach parental Sandra Belo, da Family Coaching.
Se me quiseres acompanhar neste desafio, basta seguires a página do instagram @martadolcefarniente, e partilhar fotos do teu desafio com o hashtag #decidiestádecidido.
Se vais falhar algum dia? Vais tu e vou eu, porque faz parte, porque somos humanas e porque há dias do inferno! Mas acredita que estabelecer objectivos concretos e ter com quem partilhar os resultados, faz toda a diferença!

Vamos a isto juntas?

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O "copo meio cheio"

[Nova Zelândia 2018]

O Duarte vive desde há um mês com o pai, a (mãe)drasta e o filho dela. O Duarte vive com família, uma família que em vez de se ter dividido na vida dele, expandiu-se. 
Porque é que numa separação ou num divórcio, escolhemos fazer contas de dividir em vez de multiplicar? Porque é que achamos que os filhos de pais separados vão perder família, e não ganhar uma ainda maior?
Escolho ver o "copo meio cheio". E vocês?

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Quando os nossos filhos adoecem


Na semana passada o Vicente esteve doente, e esta tarde voltaram a ligar da creche, porque estava com febre e vómitos. A minha primeira reacção em "piloto automático", foi ligar à minha mãe e pedir-lhe para o ir buscar, porque foi esse o meu padrão dos últimos meses. O meu trabalho não podia esperar, não porque alguém mo impusesse, mas porque eu me impunha a mim própria.
Depois de já ter ligado à minha mãe, parei por uns segundos e perguntei-me por que raio não ia para casa ter com o meu bebé. Por que raio não assumia eu a responsabilidade de estar presente e a benção de ser o seu colo. E fui, sem culpa.
Dizer-vos que não julgo as mães que não vão. As que não vão porque não podem, as que não vão porque têm outros afazeres, as que não vão porque têm quem possa ir por elas. Todas as razões são válidas e todos os caminhos são legítimos, desde que vividos com verdade. Acontece que, às vezes, a nossa verdade muda e aí, tenhamos a coragem de mudar a rota e acertar o passo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Desapego e Amor

Nova Zelândia, 2018

O desapego não significa deixar de amar. Não significa largar, esquecer, abandonar. Desapego pode ser Amor no sentido mais nobre da palavra, porque implica deixar ir, amando muito. Implica deixar voar, mantendo a rede. Desapego é uma das maneiras mais bonitas de gostar de um filho, porque mostra-lhe que ele é capaz e que nós, pais, também.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Staples, o nosso sítio do costume*


Comprar material escolar para os meus filhos, é uma espécie de regresso às origens. A um sítio lá atrás, onde a minha mãe passava o serão a forrar livros e gavetas com papel autocolante, onde as borrachas cheiravam a morango e a pastilha elástica (lembram-se?), e onde ensaiava uma letra nova nas etiquetas dos cadernos prontos a estrear.
Comprar material escolar é, ainda hoje, muito mais que uma rotina com os miúdos; é voltar aos tempos em que eu e a minha mãe éramos o mundo uma da outra, é voltar a um lugar único, pessoal e intransmissível que não existe mais, a não ser na minha cabeça e nos cheiros dos cadernos novos, e das borrachas com aroma a morango e a pastilha elástica.
[como todos os anos, fomos fazer compras à Staples, o nosso sítio do costume]

*post escrito em parceria com a Staples

Coaching Parental, sabes para que serve?

Sou Assistente Social há 20 anos, e sei por experiência própria como é desafiante trabalhar com famílias. As pessoas com quem trabalhamos chegam-nos, tantas vezes, carregadas de preocupações e de dificuldades, saturadas das suas próprias vidas difíceis, uma sensação de peso e frustração que inibe muitas vezes os técnicos (psicólogos, educadores professores, mediadores, entre tantos outros), de encontrar alternativas criativas e eficazes para dar a volta à situação e contribuir para a mudança.
O Coaching Parental e esta formação de que te vou falar em particular, serve para isso mesmo: para dotar os técnicos de ferramentas que lhes permitam fazer diferente, provocando mudanças positivas na vida das pessoas, orientando sem recriminar e sem julgar, porque a tarefa de educar é a mais nobre e a mais difícil do mundo, e quem nunca se sentiu perdido e desnorteado a ser pai e mãe, que lance a primeira pedra.
O curso "Coaching Parental: Uma Nova abordagem no Trabalho com Pais", vai decorrer nos fins-de-semana de 29 e 30 de Setembro e de 13 e 14 de Outubro na Red Apple, em Lisboa. Se tiveres interesse em saber melhor do que se trata, poderás encontrar todas as informações AQUI e inscrever-te. 
Acrescento que uma das formadoras é a Sandra Belo, amiga, psicóloga, mãe empreendedora, mulher de armas e uma profissional de mão cheia. Só boas razões para quereres saber mais e, quem sabe, para fazeres já hoje a tua inscrição.
Vamos a isso, que a vida não espera.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O poder das histórias


Contar histórias aos meus filhos sempre foi a melhor maneira que arranjei de criar ligação, e de estar emocionalmente presente para eles. Nunca gostei de me sentar a brincar, também nunca fui fã de jogos nenhuns, de modo que facilmente a minha mente voava para outras paragens quando tinha que focar a minha atenção neles. E era cansativo e frustrante e culpabilizante.
Contar histórias foi a minha salvação (e talvez a deles), porque nos conectou. Hoje, mãe de 4 e com 44, acho que o importante disto tudo é arranjar estratégias que nos sirvam, e que não sejam impostas por livro nenhum, nem por nenhuma moda pedagógica. Acredito que a conexão é tudo na relação entre as pessoas (e, naturalmente, entre pais e filhos), por isso, se a tua onda for cantar músicas em conjunto, fazer um bolo, pregar partidas, fazer macacadas, dançar na sala, tudo vale em nome da conexão. Porque os filhos voam, nós também, e ela é a cola disto tudo.