sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Co-sleeping e eu

Desengane-se quem acha que somos uma mãe só ao longo da vida. Não somos. Sou uma mãe diferente para cada um dos meus filhos e tenho sido uma mãe diferente {quase radicalmente diferente}, ao longo destes 12 anos de exercício da maternidade.
Senão vejamos:
Quando nasceu o meu primeiro filho, fui absoluta na forma de ser mãe. Seguia à risca os manuais da altura e era de uma intransigência que só a insegurança e a inexperiência explicam. 
Este fundamentalismo fez com que o Duarte nunca se tenha refugiado a meio da noite na minha cama, nem nunca tenha fugido de um pesadelo para debaixo dos meus lençóis, factos que para os críticos do co-sleeping terão sido uma vitória, mas que para a minha experiência empírica, tenho dúvidas. Dos meus três filhos, este é o que ainda hoje dorme agarrado a um peluche de estimação, e é o que até há relativamente pouco tempo, fugia de beijos e abraços como o diabo da cruz. Não estabeleço uma relação directa, mas tenho as minhas suspeitas. Aquelas que só as mães têm.
Com mais dois filhos no currículo, o caso tem mudado de figura ao longo dos anos. Afinal, já não acho que nenhuma teoria seja para seguir à risca. Já aprendi que as teorias também flutuam como uma bóia em mar alto, e que há fundamentalismos que coartam a liberdade das famílias, porque nem tudo cabe em caixinhas fechadas. Há filhos e pais diferentes, há contextos distintos, há fases da vida em que é vital para os nossos filhos refugiarem-se debaixo dos nossos lençóis e que não faz mal. Não ficarão por lá até à idade adulta, que rapidamente chegarão à conclusão que dá mais gozo dormir noutras companhias.
Este intróito para dizer que tenho a minha filha a fugir para a minha cama em muitas noites. Porque tem frio, porque acordou para fazer xi-xi, porque se queixa de ser a única da família a dormir sozinha, porque, porque, porque. 
E apesar de acordar mais amassada, gosto de a ir tendo por lá. De lhe sentir o hálito quente, de lhe ouvir a respiração pesada, de saber que está à distância de um dedo. E porque hoje sei que tudo passa muito depressa {depressa demais}. E que noites chegarão em que sentirei saudades disto tudo. Desta proximidade à distância de quase nada.



5 comentários:

Patricia B disse...

Digo isso mesmo a mim própria cada vez que a minha, com 20 meses, se aninha na nossa cama... vou sentir saudades disto.

Mel disse...

obrigada pelo teu testemunho... tb era um pouco mais rígida em relação a isso mas agora q tem estado doentinha dorme tão melhor na minha cama e eu também. bjss

Mel disse...

obrigada pelo teu testemunho... tb era um pouco mais rígida em relação a isso mas agora q tem estado doentinha dorme tão melhor na minha cama e eu também. bjss

Diana Mora Moraes disse...

Concordo a 100%!! :) E ainda bem! Sou apenas mãe de primeira viagem... e nunca consegui seguir à risca fundamentalismos... hoje, que a minha filha tem 19M, eu sei que ainda muito por aí vem, mas sei que fiz a escolha certa :) já tenho saudades de a adormecer ao colo!! e sempre que acontece (tão pouco) é tão bom!!

Marta Valente disse...

Para mim é a sesta: dormir uma hora com os braços dela agarrados a mim, é das melhores coisas da minha vida. Ela tem 3 anos e qualquer dia já não quer nada disto... mas enquanto a convenço, aproveito!