quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

As mães também erram [e um lembrete para amanhã]

A coisa que mais me entristece, é penalizar os meus filhos quando as minhas irritações chegam de fora.
E no momento em que a maré acalma e eles já dormem {quando, finalmente, me sento no sofá e adoço as minhas dores}, só me apetece acordá-los e pedir-lhes desculpa pelos gritos fora do lugar e pelo olhar desatento. E dizer-lhes que a minha tristeza deste final de dia não veio deles. Ao contrário, eles são sempre o que de luminoso permanece em mim.
Amanhã de manhã, vou dizer-lhes isto.

5 comentários:

Beatriz Sotomayor disse...

O importante é perceber isso. Que esteve mal. Que eles merecem um pedido de desculpas! Esse é o bom caminho :)

Juvenália Dorotea disse...

Mas tu tens uma paciência de Jó. Hoje a tua filha tirava a paciência a qualquer santo por mais milagreiro que ele fosse e tu aturaste-a com um estoicismo...! Tenho que te tirar o chapéu! Não sei se é da velhice, só por si ou por finalmente viver num silêncio e numa paz que durante toda a minha vida de professora não foi possível viver, não aguento gritos ou birras, faço um enorme esforço para suportar, mas é muito, muito difícil, às vezes impossível, sem qualquer manifestação de maior dureza. Acho que não tens que te penalizar, acho que eles também precisam perceber que há limites e que as mães também têm o direito de perder a paciência quando eles esticam demasiado a corda. Pedro d´Orey da Cunha, grande pedagogo, que foi escolhido para dar o nome a uma escola em que andaste, diz entre outras coisas: "Assim, o bebé pensa ao princípio que a mãe faz parte dele. Não reconhece a autonomia da mãe, nem com certeza é consciente de si próprio. É só à medida que a mãe mostra a sua autonomia, que deixa às vezes de estar presente, que se afasta, que se zanga, que exprime o seu desagrado, que o bebé a vai reconhecendo como diferente e, nessa mesma medida, se vai reconhecendo como autónomo. Daqui já se pode ver que mães que se tornam dependentes dos filhos, que se submetem a todos os seus desejos e caprichos, que nunca mostram os seus interesses e direitos, mães que não são autónomas, são mães que nunca provocam autonomia nos filhos." Diz ainda: " Convencidos dos males do autoritarismo , desistiram de educar e perderam a autoridade. Com medo de ofenderem a dignidade dos filhos, deixaram de exigir, cederam a todos os seus caprichos, permitiram muitas vezes que os educandos os humilhassem e abusassem. Não querendo submetê-los, deixaram-se submeter. O resultado...foi a proliferação de filhos mimados, de alunos psicopatas, de jovens egoístas e exploradores... de jovens que nunca foram confrontados com a autonomia dos pais e que ...ainda julgam que o mundo gira à volta deles e que os outros são apenas instrumentos ao seu serviço. Mas como os outros não contam, tão pouco podem ser amados". Portanto minha filha não te penalizes, quando te zangas com eles e não acredito que o tenhas feito sem quaisquer razões, porque eles nunca deixarão de ser "o que de luminoso permanece em ti" e eles sabem bem isso. Beijos

Titanices disse...

Ontem padeci do mesmo mal, e tal como tu, ao rever o meu dia sentada no sofá, no silêncio da noite, tive remorsos! Daqueles que fazem doer... e dormi mal, muito mal mesmo. E saí da cama mais cedo esta manhã para acordar os meus piolhos com mais tempo para mimos e beijos e pedidos de desculpa. E fui recebida com carinho e beijos e abraços e tiradas de 'esquece mãe, estavas de rastos ontem...', e estava mesmo, estourada em todos os meus poros. Mas tive a força necessária para descarregar neles, e isso deixou-me triste...

Marisa Martins disse...

Olá Marta,

Não pude deixar de comentar este seu post porque, de facto, é tão assim que as coisas acontecem... Tenho um filho de 4 anos, e revi-me nas suas palavras, como se ao lê-las me convencesse de algo que é evidente: acontece a todas as mães, não sou a única, não sou diferente, não sou melhor, mas também não sou pior. Sou mãe, como qualquer outra mãe...

"Descobri-a" há cerca de um mês atrás e tornei-me sua fã: fã da forma simples e verdadeira como escreve; fã da sua bonita história de amor, porque também eu descobri que o amor verdadeiro existe e, por acaso, também aconteceu comigo; fã da sua honestidade em relação a si própria, tem plena consciência dos seus erros e assume-os de uma forma muito sábia, o que a meu ver é um grande princípio para a resolução da nossa consciência!
Um beijinho, obrigada por partilhar um pouco de si e da sua vida, e por nos fazer rever em muitos acontecimentos! :)

Carla Pereira disse...

Acontece-me tanto isso, mas com os meus avós. Por isso é que temos lá no blog a rubrica "qualquer semelhança com baby blogs é pura realidade"! Esta é só mais uma das semelhanças! Se estiver impaciente por outros motivos, acabo por ser demasiado impaciente com eles. O que vale é que nos conhecemos bem uns aos outros e sabemos que daqui por uns momentos já estamos de volta à normalidade! :)