domingo, 13 de maio de 2018

Uma provocação aos "psis" desta vida [e uma declaração de amor]

[a foto já tem uns meses, mas gosto dela. Obrigada pelo registo, mãe]

Ao contrário do professado pela maioria dos "Psis" que conheço ou que leio, deito o meu bebé na minha cama todos os dias e fico ao seu lado até que adormeça. Acho que a única parte que os "Psis" que conheço ou leio defenderiam, é a preocupação que tenho sempre em mudá-lo para a sua cama logo que adormece, para que não rebole da minha.
No tempo que demora até adormecer (que podem ser 5 minutos ou 1 hora), damos abraços, beijinhos e muitas gargalhadas. Também ensaiamos músicas, repetimos palavras novas até nos cansarmos, imitamos a vaca que faz múuu, o pato que faz quá-quá, o cão que faz ão-ão, e agora gostamos de imitar a ambulância, que faz ni-nó-ni.
Hoje, porém, tivemos uma novidade mesmo boa, quando para além dos bichos todos e da ambulância, o Vicente repetiu a palavra Amo-te, com a cara colada à minha. Disse como eu costumo dizer-lhe há muito tempo: a-mo-te. Assim mesmo, devagarinho, a saborear cada sílaba e com acento no U: a-mú-te!!!!
Não sei o que é que os "Psis" que conheço ou que leio achariam disto. Desta festa à hora do deitar na cama da mãe, sem lugar à autonomia do bebé no seu próprio quarto, sequer na sua própria cama. Agora que fui mãe depois dos 40, desato a fazer tudo mal, ao contrário da parentalidade "by the book" que segui com os meus três filhos mais velhos: a ordem para nunca saírem do quarto a partir do momento em que entravam; os minutos em que os deixava a soluçar sozinhos na cama, porque era assim que se educava para a autonomia; os beijos e os abraços fugidios a partir de certa hora, que no dia seguinte era preciso levantar cedo.
Arrependo-me da mãe perfeita que tentei ser e adoro a mãe imperfeita e feliz que sou agora. Os erros estão feitos; resta-me a vida inteira para acertar.

[adoro-vos, putos!]

7 comentários:

Anónimo disse...

Boa noite Marta
Este foi dos posts que já li aqui que mais gostei.Eu só tenho dois filhos. Só fui mãe depois dos 30. Li muita coisa dos psis, como tu dizes, mas a última palavra sempre foi a minha, nesse aspeto. Os meus filhos sempre puderam vir para a minha cama. Sempre que havia medos, só porque lhes apetecia, porque estavam doentes, porque sim...
Fui tolerante até dizer chega, neste aspeto. Quantas vezes acordei de manhã e tinha as pessoas mais importantes da minha vida ali, cada um enroscado para cada lado. Tão bom!
A pouco e pouco isso foi passando. Primeiro foi um, depois foi o mais novo. Hoje um já é um jovem adulto e o mais novo um adolescente "puro". Já nem pensam nisso. São "normais"!Sempre tive a noção que esse tempo ia passar rápido e o colinho e o quentinho da cama dos pais nunca é demais. Como eu já referi, à medida que foram crescendo a necessidade foi diminuindo. Mas é curioso que quando alguma coisa lhes corre mal gostam de vir contar-me sobretudo quando eu já estou deitada. Como se de repente voltassem ao ninho.
Beijinho. Aproveita bem esse bebé.
Lua Azul

Anita disse...

A maternidade é diferente depois dos 40 anos. Acho que melhor...

Titica Deia disse...

Ohh é tão bom... também adormeço o meu filho e adoro!!!

Ouvir ele dizer " amoti " deixa-me nas nuvens sempre, eles são maravilhosos demais para não os deixarmos ser eles próprios com demasiadas regras...

Beijinhos
https://titicadeia.blogspot.pt/

Fátima Bento disse...

Sempre fiz isso,Marta.
Se me arrependo? Não. Mas paguei um preço por isso, porque ele nunca quis adormecer sozinho (até aos 9).
Se voltava a fazer? Voltava. tentava talvez balizar um pouco a coisa,mas acho que faz parte da personalidade dele, este querer muito estar comigo. Vai fazer 22 anos e continua menino da mamã... só não é mais porque a mamã já não abdica de tempo para ela...
No teu lugar, faria o que fazes, sem tirar nem pôr.
Beijinhos

Anónimo disse...

Martinha... :)
Ler leio, o que dizem o que aconselham o que "acham" melhor, mas no fundo escolho sempre o AMOR!!! e o amor, não tem regras PSIS :))
Aproveitar enquanto ele ainda me deixa enche-lo de beijos e amassos... SEMPRE
<3
Beijos
Lena Alves

Marta Pereira disse...

Ontem os meus dois filhos de 7 e 2 anos adormeceram na minha cama, o mais novo passa grande parte da noite na minha cama!!

Ontem enquanto tentava adormecer os dois, eles estavam numa autentica galhofa e claro não deram ouvidos aos ralhetes que fui dando, até que o pai chega a casa e entra pelo quarto e pergunta o que se passa aqui e o mais velho responde: "Nada, somos felizes!"

Hoje ainda estou a absorver esta bela lição que nos deu!
Beijinhos,
Marta

Paula Sousa disse...

Ora...fui mãe aos 25. Sou Enfermeira, o que me traz algum conhecimento de causas. E também era apologista de muitas ideias, antes de ser Mãe. Sempre senti que isso iria mudar, no primeiro momento em que "falasse" com o Coração e não com a sabedoria profissional. Fui mãe e optei pela cesariana. Fui mãe e amamentei pouquíssimo. Fui mãe e muitas das ideias pré-estabelecidadas/impostas/aprendidas deixaram de fazer sentido para mim. Com a Graça de Deus, tenho uma filha forte, saudável, que não teve cólicas nem qualquer problema até hoje, e que agradeço todos os dias que assim tenha sido, pedindo para que assim continue a ser. Uma filha que dormiu sozinha, no seu berço (no meu quarto) até aos 6 meses e que, POR VONTADE MINHA E DO PAI, passou a adormecer e dormir na nossa cama, connosco, a noite TODA. E sabes? Provavelmente até ficaria muito bem no seu berço. Fez 1 ano há 8 dias. E eu NÃO tentei ainda. Porque NÃO quero. Porque ela terá o seu tempo para ser autónoma e independente. E eu AMO dormir abraçada a ela. E "ralhar-lhe" quando me acorda com puchões de cabelo. E Sou Feliz assim. Muito. Contra Psis, psos e psus !