terça-feira, 2 de maio de 2017

A idade, o envelhecimento e tudo o que me apetece dizer sobre isso!


Desde que decidi assumir os meus cabelos brancos, e a poucos meses de fazer 43 anos, penso muitas vezes nisto do envelhecimento e de como esta fase pode (se quisermos que possa), fazer-nos caminhar para a nossa essência.
Os posts que escrevo sobre o assunto têm recebido comentários pouco simpáticos de alguns anónimos, que dizem que ando obcecada com a idade e que não falo de outra coisa. Referem que estou insegura com a minha imagem, e que é por isso que passo a vida a falar do assunto: das Mulheres de Prata, da maturidade típica desta idade, entre outras coisas.
Esquecendo a indelicadeza com que grande parte deles aborda o assunto, não deixam de ter razão num aspecto: começo a pensar muito no tema do envelhecimento, sim, porque se tudo correr sobre rodas, ficarei velha. Essa é uma inevitabilidade de quem não morre precocemente e gostaria muito de envelhecer para ver os meus filhos serem homens e mulheres, para conhecer os meus netos, para ter liberdade para fazer, reformada e com filhos crescidos, tudo aquilo que agora não posso: viajar muito, dedicar-me a não fazer nada se me apetecer, continuar a andar na rua de mão dada com o meu homem, velhos e apaixonados, e olhar-me ao espelho sem grandes artifícios, a sentir-me bem na minha pele. A minha melhor versão.
Este é o meu quadro idílico da velhice, aquele que não implica falta de saúde nem a ausência das "minhas pessoas", permanecendo na posse de (quase) todas as faculdades físicas e mentais e com o privilégio de ainda poder ter ao meu lado aqueles que amo.
Claro que não sei o que a vida me reserva e desconheço se esta visão de mim própria, daqui a uns anos, vai ser qualquer coisa perto disto. Mas uma coisa é certa: já não tenho a arrogância de achar que ainda me falta viver tudo, e penso muitas vezes na forma como quero que estes anos vão sendo, no que quero passar a valorizar, nas quinhentas mil coisas que ainda quero aprender, nos afectos que me apetece regar, e no que não vale nada e posso prescindir.
Se isto é estar insegura com a idade a passar, não sei, talvez. Mas é, de certeza, estar mais consciente do presente, e querendo acreditar com todas as minhas forças, que dele depende o futuro. Que mais nada controlo a não ser isto, o aqui e o agora.

8 comentários:

Juvenália Dorotea disse...

Parece-me haver alguma falta de coerência nas pessoas que entendem que estás insegura com a tua imagem.
Com uma figura invejável, com um corpo sem ponta de gordura, com a pele lisa que até parece que não tens filho nenhum, com um rosto jovem de pele igualmente lisa, podias perfeitamente manter, com o artifício da pintura do cabelo, o ar de alguém que anda na casa dos 30 anos, mas não foi essa a escolha.
Considero que, exatamente porque estás segura da tua imagem, é que te atreveste a tomar esta decisão e pode muito bem acontecer que, daqui a uns anos, quando nada estiver como agora, então retornes à "velha" pintura... ou não.
Enfim, se calhar o problema das pessoas não é o facto de estares insegura com a tua imagem, mas o facto de as fazeres sentir inseguras com as suas próprias imagens.

Inês disse...

Concordo plenamente com a mãe :)

Anónimo disse...

Marta, na minha terra costumam dizer "os cães ladre e a caravana passa" Um grande bem haja.

Anónimo disse...

Concordo plenamente!!!

Maggie F. disse...

Querida Marta, és consciente e isso incomoda. A mim incomoda-me mais o contrário: mães a rivalizarem com as filhas na magreza e nos trapos que compram. Mães da tua idade, da nossa, que insistem que são miúdas de 20. Isto sim, parece-me patológico.
Segue em frente, segue o teu caminho e o teu coração.
Beijinho
Maggie

Roberta disse...

Perfeitas colocações!

Roberta disse...

Justamente!!

manuela carvalho disse...

Concordo absolutamente com o que escreve e com o qual me identifico. E conforme diz uma leitora isso revela uma mulher muito segura e consciente daquilo que quer:)
Um grande beijinho pela sua frontalidade.
Manuela
(do blog Cem Manias)