domingo, 22 de janeiro de 2017

E tempo para nós, no meio deste caos?



Não temos tempo para nós, ponto final parágrafo. E o pouco que temos não serve para grandes manifestações de romantismo, porque andamos exaustos. O Vicente está doente e a dar-nos más noites, os miúdos andam em plena fase de testes, com tudo o que isso implica: mandar estudar vinte vezes ao dia, ajudar a esclarecer dúvidas, stress deles e nosso, o costume. A coisa não está fácil e a minha mente atraiçoa-me muitas vezes, sempre que tenho uma voz irritante ao ouvido a dizer-me que os casais raramente sobrevivem intactos, ao tsunami que é ter um bebé. Nada de novo, afinal, porque já tinha este medo ainda grávida. Sabes disso.
Há dias em que cedo ao pânico de me voltar a perder no meio disto tudo e de nos perder a nós. Medo de deixar de ter vontade de me arranjar, de voltar a enfiar-me na cama metida numa espécie de fato de apicultor, medo de nunca mais ter tempo para ir ao cinema, para passear pelo Chiado de mão dada, para namorar.
Tempo para nós, neste caos, é um luxo. E é um exercício diário do caraças, porque todos os dias me esforço para não resvalar para a rotina que arruína relações e que conheço tão bem. Arranjo-me diariamente, pinto as unhas e os brancos antes que a coisa atinja mínimos trágicos, tento que os miúdos vão para a cama a tempo de bebermos um gole de vinho tinto, mando-te sms´s românticos e outros picantes, ensaio uma leveza de espírito que nem sempre sinto, mas que me ajuda a ver os dias com uma certa frivolidade que, ao contrário do que se pensa, é sinal de inteligência emocional e estratégia de sobrevivência. Também te digo muitas vezes que te adoro, e faço questão de me lembrar de te beijar quando chegas e quando vais embora (mesmo que apenas ao supermercado comprar fraldas e fruta), porque sei o que a ausência do toque faz às relações. Aliás, sei de cor que a ausência vicia tanto como o excesso de qualquer coisa.
Esforço-me todos os dias, meu amor, tento superar-me e ferir de morte o "corpo de dor" que tantas vezes quer instalar-se, sempre que me sinto mais cansada...
E sabes que mais? Acho que andamos a conseguir dar conta disto, mesmo com olheiras fundas e com um humor de cão.
Amo-te.

7 comentários:

Alexandra Dinis disse...

E quando o esforço não é feito por ambas as partes.....?
Felicidades querida Marta

Anónimo disse...

Percebo a perfeitamente, mas é uma canseira a dobrar. Por todo o trabalho com os filhos e com o medo de perder a relação. Às vezes é o que sinto

Monteiro disse...

FORÇA! Recomeçar todos os dias, sem angústia e sem pressa. Love will find a way.:)

Anónimo disse...

Olá Marta, percebo perfeitamente o que dizes. Já passei pelo mesmo e não é fácil. Saúdo a tua coragem de vir até aqui partilhar coisas tão pessoais, mas que são sentimentos que muitas de nós vamos também vivendo ao longo da nossa vida.Espero que tenhas sempre esse homem ao teu lado.
eu estou a (re)aprender a estar e a viver sózinha.
Beijinho
Lua Azul

Silvia Oliveira disse...

Olá!
A vida é uma correria pegada.Quando se tem miúdos grandes,como a nossa e a vossa família,piora.
No nosso caso, temos as modalidades dos gémeos que nos separam praticamente a cada serão.
Ainda não temos o bebê ( faltam 2 meses e meio)!
Chegou a uma altura que instituímos a nossa noite: saímos para jantar fora, namorar, cinema, teatro, ou seja lá o que for a cada quarta-feira.
O bom de serem crescidos é que já se desenrascam sem nós umas horas.
Quando a Benny nascer, fazemos intenção de manter( obviamente depois do tempo razoável).
Sempre que viajamos em trabalho, conjugados agendas. Fazemos de tudo uma "desculpa" para passarmos,nem que seja só a noite, os dois num lugar bonito.
Requer imaginação, esforço,mas vale tanto a pena.
Beijinhos

Anónimo disse...

Força
Nem todas as familias se desfazem com a rotina.

Coquinhas disse...

Gosto muito de voces :) tenho a certeza que darao a volta a isso tudo