quarta-feira, 23 de março de 2016

Os nossos filhos, nós e o medo



O meu filho mais velho vai a Londres em Abril e ontem, enquanto preparávamos um chá depois do jantar, confidenciou-me em surdina que tem medo de um possível atentado. Gelei ao ouvi-lo, porque tomei consciência do impacto que isto tudo tem na sua vida, e porque sei que vai ter de aprender a viver com um dilema injusto para a sua idade: o desafio da autonomia num mundo que se revela assustadoramente incompreensível. 
Contive-me com dificuldade, algures entre o medo dele e o meu, num fantasma tristemente coincidente, e dei a única resposta que achei possível: mostrar-lhe o meu respeito pelo seu medo, mas pedir-lhe que não se deixe paralisar por ele. Dizer-lhe que a vida se faz ganhando mundo e que, infelizmente, desgraças acontecem a atravessar a rua, ou engasgado em casa, com um caroço de qualquer coisa. 
Teria sido mais confortável dizer-lhe para ficar, mas sei que não posso fazê-lo sob pena de alimentar a cultura do medo e de criar uma pessoa com receio de se fazer à vida e voar. E porque só há uma maneira de lutar contra o terror em que querem transformar a nossa vida: continuar a vivê-la plenamente. Ainda que com o coração nas mãos e em absoluto silêncio.


5 comentários:

Mummy Kanguru disse...

Olá Marta, o meu filho mais velho (11 anos) veio de Londres na segunda-feira dia 21 Março com os colegas e professores e o avião atrasou devido à greve de controladores aéreos franceses.. e na terça quando acordei e dei de caras com os atentados, gelei! Estou de acordo que não devemos paralisar com o medo, e apesar de ele não me ter dito nada, teve colegas que não foram nesta viagem já com receio dos atentados.. ele foi mas ciente do que nos rodeia hoje em dia.. e quando viamos as noticias os dois, ele deu-me a mão e não foi preciso dizer mais nada!
Que mundo é este onde as crianças tem de viver com esta realidade tão crua..
Um beijinho e felicidades!
Mummy Kanguru

Joana | Creme Pimenta disse...

É difícil este equilíbrio entre os nossos medos e a certeza de que os temos de deixar - e incentivar - voar...
:(

Anónimo disse...

Mesmo vidinha de emergentes..crianças q viajam é a pior das suas preocupações??'
Cada vez mais me convenço que as pessoas q n vivem nada são mesmo estas q andam aqui a ostentar vidas de tias de cascais lol

paulo rocha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
paulo rocha disse...

Mas que grande asno,tão estupido,invejoso e egoista que para além de burro que nem uma porta é um falhado de certeza...não são crianças, são filhos ó meu grande animal...