terça-feira, 15 de abril de 2014

Casamento low-cost

Não sei quanto custou o meu primeiro casamento, assim como não sei tanta coisa daquele tempo. 
A vida fluía sem olhar de frente para ela e as decisões sucediam-se sem delas ter grande consciência, não porque fosse tonta, mas porque não me achava dona da minha própria existência. Não era timoneira de barco nenhum e entrava nas ondas desamparada, com uma boa dose de optimismo e de fé. O que me valeu durante tantos anos, afinal.
Não sei quanto custou o meu vestido de noiva nem a mantilha que levava na cabeça, não sei quanto foi o copo-d´água para perto de duzentas pessoas, não me lembro de quanto custou a lua de mel. Não admira, porque também nunca soube quanto pagava de água, nem de luz, e no supermercado não olhava a preços. Trazia o que achava precisar, sem grandes contas de cabeça e com quase nenhuma visão de futuro. 
Não atribuo a culpa deste desleixo a ninguém, a não ser a mim própria. Havia casado e já era mãe, contudo {e apesar disso}, via-me ao espelho e continuava pendurada na menina a quem a vida sorria sempre, sem grande esforço. Nada me haveria de faltar, que a vida protege os despreocupados. Afinal, na minha bolha segura a vida era amável com quem fingia estar sempre tudo bem, e se fingisse com muita força, passaria sempre por entre a chuva. Incólume à dor e invisível a qualquer tipo de desgraça.

Passaram-se alguns anos e estou prestes a casar pela segunda vez.
Sei quanto custa o jantar que iremos oferecer à família e aos padrinhos, sei quanto custou o que irei vestir no dia {obrigada mãe, pela prenda que tanto jeito me deu}, e estou bem ciente do que custará a viagem que gostaríamos de fazer e que ainda não sabemos se faremos, exactamente por saber de cor o que nos sai do bolso. 
Sei quanto pago de água, luz e gás, de IMI e de condomínio, de esgotos e de seguro do carro. 
Sei tudo desta vez, e não me esquivo a nada, porque aprendi a duras penas que a vida não é amável com quem não se preocupa. Ao contrário, é intransigente com quem finge ser tonto para evitar confrontos com a realidade.
E também sei que terei o meu casamento de sonho. 
Porque, apesar de tudo, ele não depende de quanto custa, mas de quanto vale.






18 comentários:

Frida Kahlo disse...

Meu Deus, grande texto. Grande, grande texto. Admiro-te tanto

Palmier Encoberto disse...

:)

Flor Guerreira disse...

Texto fabuloso. Não estou quase a casar-me pela segunda vez. Mas identifico-me com os teus dois estados.

Raquel disse...

Muito lindo.

Carla Neto disse...

A verdade pura e dura para tantas meninas - mulheres!

Escrever Sonhar disse...

Lindo. Antes frio e quente, que morno :)

Escrever Sonhar disse...

O amor vale tudo, o resto sao detalhes...

Angie disse...

E que seja o começo de uma época ainda mais feliz!

Beijinhos Marta.

Marisa Martins disse...

É tão bom ler as suas palavras e sentir-me reflectida em parte delas... Muitas, muitas felicidades! Tudo de bom, Marta! Este texto está especialmente "delicioso"!! :)
Beijinhos

Marisa Martins disse...

É tão bom ler as suas palavras e sentir-me reflectida em parte delas... Muitas, muitas felicidades! Tudo de bom, Marta! Este texto está especialmente "delicioso"!! :)
Beijinhos

Mel disse...

bem verdade! que sejas muito feliz todos os dias com um amor que vale a pena! felicidades!!!

o diário d'Inês disse...

transborda num misto de coisas boas todas estas palavras juntas

(LINDO!)

Anónimo disse...

Bom Dia

Que lindo texto, desejo muitassss

Felicidades!

Ana Fiuza disse...

Texto bonito Marta! Bjs

Ana Fiuza disse...

Texto bonito Marta! Bjs

Miss F disse...

Amei! Tudo! A vida não é mesmo "doce" com quem se esquiva mas ainda assim, quando uma porta se fecha, sempre se abre uma janela! Felicidades! E há "coisas" que não tem mesmo preço!

Caco disse...

Tão verdade. Parabéns pelo post!

Raquel Caldevilla disse...

E são estas palavras que me fazem admirar tanto a pessoa que és. Obrigada!