domingo, 12 de janeiro de 2014

I Believe I Can Fly


Tinha dez resoluções para 2014. A décima primeira veio já depois, num post à parte.Tinha medo de falhar e de não ter a motivação necessária para cumprir o objectivo de sair de casa ao frio, ao vento, ao sol abrasador, e correr.
Em 2013 dei algumas corridas com amigas, mais empurrada por elas do que verdadeiramente investida no que estava ali a fazer. Ia para as acompanhar, porque fazia parte do grupo, por algumas razões fora de mim própria. Ia pelas razões erradas.
A verdade é que tudo em mim gritava para estar quieta no meu canto. Quando corria {alternando sempre com caminhada}, o corpo doía, o ar faltava, as imagens iam ficando gradualmente desfocadas até se tornarem uma massa difusa e desinteressante. Afinal, pouco interessava se corria junto ao rio, se num qualquer trilho manhoso, a corrida toldava-me a visão do mundo à minha volta. Apenas isso.

Ontem acordei e decidi ir correr sozinha junto ao Tejo. Estava uma manhã luminosa e precisava sair de casa, depois de três dias enclausurada com o meu filho mais velho doente.
Comi umas papas de aveia, bebi um carioca de café na Vela Latina e comecei a jornada, certa de que aos primeiros minutos de corrida começaria a caminhar, como era meu costume. Não tinha ao lado a motivação de nenhuma amiga, apenas eu própria e os meus pensamentos, tantas vezes traiçoeiros. 
E foi aí que o click se deu. Corria ao meu ritmo estupidamente lento {mas corria}, dava atenção à respiração {pela primeira vez sincronizada com os passos que ia dando}, e metia-me dentro de mim própria num exercício quase terapêutico. O sol brilhava {e eu dava conta disso}, o vento batia-me na cara e sabia-me bem, e não tinha que acompanhar ninguém. Tinha-me a mim e isso parecia bastar-me.

Corri 5Km sem parar uma única vez. 
E quando finalmente cheguei ao fim, sentei-me num pino qualquer e chorei. De orgulho e de alívio, porque acabara de testemunhar que, afinal, os limites estão na nossa cabeça.
E não imaginam a preciosidade desta descoberta. Vale-me o mundo.



7 comentários:

Ovelha Flor Guerreira disse...

Vês! Afinal não custa nada. Todos sabemos que os limites somos nós que os impomos!

Paula disse...

Só custa começar.
Por ti, ao teu ritmo.
Assim, ninguém te pode parar!
vidademulheraos40.blogspot.com.

Paula disse...

Só custa começar.
Por ti, ao teu ritmo.
Assim, ninguém te pode parar!
vidademulheraos40.blogspot.com.

anita disse...

Yey, parabéns! :D É assim mesmo! Sem um empecilho ao lado também é mais fácil! eheh Go, go go! ***

Beatriz Sotomayor disse...

Até fiquei emocionada. Preciso desta motivação!

Erica disse...

Boa! Foram os primeiros cinco, que são os mais dificeis segundo dizem! :)
Nice job!

Anónimo disse...

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except this paragraph is genuinely a fastidious piece of writing,
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