sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A escola, os meus filhos e eu

Quem tem três filhos em idade escolar como eu, teve de certeza um dia como o meu: três reuniões na escola diferentes, duas delas sobrepostas.
Correndo o risco de me saltarem em cima, faço um ponto prévio começando por dizer que estou nas antípodas daquelas mães que antecipam o choro dos filhos com a sua entrada na escola ou no pré-escolar, chorando antes deles. Ou por eles.
Talvez seja uma privilegiada, porque nunca passei pelo stress de deixar filhos a chorar na escola. E também nunca percebi se esse facto era um feito {criei filhos preparados para a autonomia}, ou um defeito {criei filhos que não se importam nada de me ver pelas costas}. Em qualquer dos casos, nunca nenhum dos três ficou aparentemente desconsolado à porta da escola e nem me deixou a mim de coração partido. Confio que a vida está a correr na direcção certa e sei que é inevitável que saiam da bolha almofadada da casa e da família. Faz parte, e é essa inevitabilidade que lhes tento transmitir a cada ritual de passagem.
Talvez por tudo isto {e talvez porque vivi  grande parte da minha existência com uma professora daquelas que se preocupa, que vai a casa dos alunos, que chora de alegria com as suas conquistas e de tristeza com os seus fracassos mais severos }, há comportamentos de alguns pais que me fazem comichão e, às vezes, urticária severa. 
Falo daqueles que questionam constantemente a escola onde inscreveram os seus filhos, que criticam os professores pelas regras que aplicam na sala de aula desculpabilizando, em toda e qualquer circunstância, o mau comportamento dos filhos, simplesmente porque "vivemos numa democracia" e porque "os miúdos são miúdos".
Não quero com isto generalizar: nem todas as escolas funcionam bem, nem todos os professores são competentes e justos e nem todos os pais são desresponsabilizadores dos próprios filhos. Mas quem anda nestas lides de reuniões de pais há uns anos, sabe do que estou a falar. E sabe que há sempre aqueles para quem os filhos são seres perfeitos e imaculados, a quem deve ser permitido tudo em nome de uma aparente super protecção que ao contrário de educar, desprepara para a vida.
Tive uma reunião que me causou urticária. Foi isso.



2 comentários:

Pedagogia do Terror disse...

És cá das minhas! Adorei!

vera disse...

Eu adorava ter comparecido a uma reunião de pais, mas a minha filha que entrou este ano para a 1ª classe ainda não tem professor atribuído...