domingo, 28 de janeiro de 2018

A conciliação faz-se com uma rede de suporte. Apenas isso.

Juvenália de Oliveira Fotografia

Tinha decidido que teria todo o tempo do mundo para ti, porque és o meu último filho, mas não é assim. Agarrei um novo desafio profissional e o meu tempo divide-se por muitas frentes. Demasiadas.
Culpo-me de cada vez que te vou buscar à creche a horas obscenas, ou de todas as vezes que não chego a conseguir fazê-lo. Resta-me a certeza de teres o melhor pai e os melhores avós do mundo, que remendam as minhas faltas. Sobram-me os fins-de-semana e as vezes, durante a semana, em que te adormeço na minha cama, entre uma canção de embalar desactualizada e beijinhos repenicados, ainda que com o coração em sobressalto, porque é só depois de adormeceres que volto ao trabalho.
A conciliação não existe. É uma mentira descarada criada para aliviar a culpa. E alivia pouco.

5 comentários:

Susana Silva disse...

Que foto linda!
Mais um texto com palavras que podiam ser minhas e de tanta gente..

nat. disse...

Se existe a "conciliação" que foi sendo vendida, ainda não a encontrei...
Às vezes chega-se a um ponto em que por mais que se corra, não me sinto suficiente... Sinto que não chego onde quero, nem faço o que preciso...
E a culpa anda por lá... sempre a rondar...
Beijinhos... Boa semana

Inês disse...

A presença não tem de ser necessariamente presencial. Às vezes não é tão necessário estar lá, como o facto de eles saberem que nós estamos lá. A mãe é mãe mas o pai é pai e os avós são avós. Ou seja, que diferença faz quem vai buscar à escola? É a família que o vai buscar à escola, independentemente de quem seja. Eu sei que está a falar num tom mais pessoal, que acha que, como mãe, não está com ele tempo suficiente. Mas ele está sempre rodeado de família e sabe que a mãe está lá sempre na vida dele. Às vezes no trabalho, às vezes em casa, às vezes em viagem, às vezes na cama com ele. Mas sempre na vida dele. Acho que nos culpamos em demasia pela falta de tempo passada com os nossos filhos mas também acho que eles, na maioria das vezes, não não notam a ausência porque, como disse no inicio, a presença não tem de ser necessariamente presencial. A presença está no lanche bom que a mãe mandou para a escola, na camisola do ursinho que a mãe vestiu, no edredão que a mãe colocou na cama.

Vidas da Nossa Vida disse...

Sempre com um sorriso de felicidade, de quem está mesmo bem consigo, com a vida e o mundo! E cheia de estilo!! Boa semana!

Anónimo disse...

É verdade Marta, detesto a palavra conciliação no que se refere à parentalidade, porque nos fazem crer que se deve conciliar, que é o normal. Para mim é uma necessidade, uma obrigação porque infelizmente não posso abdicar de alguns anos de trabalho para me dedicar em exclusivo aos filhos.

Gostaria de ter essa opção, essa escolha, que quem todos os pais querem obvio.

Ter de conciliar é complicado, é estar a retirar uma parte de tempo à família. Falo por mim, claro.

Boa caminhada

Beijinhos