quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Conciliação entre o trabalho e a família: uma miragem?



Há exactamente 17 dias que a minha vida mudou. Assumi novas funções no sítio onde trabalho e com elas vi crescer a responsabilidade, o trabalho e o medo de perder a minha vida tal como a conhecia. 
Ainda não sei dar resposta a esta última questão, mas sei que já muitas coisas mudaram. Na verdade, estas duas semanas têm sido um misto de entusiasmo, de pânico e de alguma dor, porque embora goste de mudanças (e a minha vida tem sido feita de muitas), também sofro com elas, que ninguém está livres das dores de crescimento.
O meu maior desafio tem sido a conciliação; esse chavão bonito que cai bem em congressos e em textos sobre a igualdade de género e sobre as novas formas de viver o trabalho e a maternidade, mas que na prática é lixado de alcançar, porque nos sai do pêlo. A conciliação é possível, mas com franqueza, deita-nos abaixo. Eu faço assim: em vez de ficar até muito tarde no meu local de trabalho, opto por fazer o que tenho a fazer em casa, mas só depois de preparar o jantar, de jantar com os miúdos, de conversarmos sobre o nosso dia, de adormecer o Vicente e de namorar um bocadinho. É depois disso que começa a terceira parte do meu dia que, não raras vezes desde há 17 dias, acaba por volta da uma da manhã. Concilio tudo, se formos a ver: sou profissional, mãe, mulher e amante, tudo no mesmo dia. Mas sou isso tudo com olheiras até ao joelhos e com um cérebro amassado, imagino que o panorama da maioria das mulheres que estão aí desse lado.
Não me queixo, porque gosto muito do que estou a fazer. Gosto, até mais, do que alguma vez imaginei. Mas não me lixem com a treta da conciliação, que ela só se consegue por duas razões: porque nós somos super-mulheres com artes de canivete suíço e, no meu caso, porque tenho um super-homem ao lado e uma família que me ampara sempre. 
A conciliação é só isto: ter flexibilidade para fazer o salto encarpado todos os dias, e ter a sorte de não estarmos sós.

5 comentários:

Susana Campos Rebocho disse...

Obrigada por este post, Marta.
Nem imagina o bem e a pacificação que me trouxe, logo hoje que comecei o dia a sentir-me tremendamente cansada do ritmo frenético em que vivo.
Grande beijinho e Boas Festas para si e toda a família :)

Vidas da Nossa Vida disse...

Boa sorte e Boas Festas!! Eu costumo brincar que às 22h começa o meu terceiro turno... Porque para poder ir buscar as crianças (2, 4 e 7 anos) à escola, ir à natação, brincar, ir ao parque e dar banhos e jantares saio cedo do trabalho e depois sento-me ao computador, quase todas as noites, uma ou duas horas, depois deles já estarem deitados. Mas eu prefiro assim. Tenho esta flexibilidade de horário e faço a gestão do meu trabalho, e para poder acompanhar a médicos e ir às reuniões de pais, ou ficar com eles quando estão doentes, faço muitas vezes o meu trabalho a partir de casa, gerindo tudo o melhor que consigo. Mas há alturas em que tudo o que apetecia à noite era cair no sofá ou na cama a ver uma série enroscada no maridão e é preciso sentar em frente do portátil para cumprir um deadline. Mas assim consigo acompanhá-los e estar presente no dia a dia dos meus filhos... Somos todas umas malabaristas!! Beijinhos, que tenho uma entrega para fazer esta noite!

Mafalda disse...

mesmo. revejo-me muito nas suas palavras.Os saltos encarpados não são para todas, só mesmo para as mais fortes. Um grande beijinho.

ML disse...

É literalmente isto: "A conciliação é só isto: ter flexibilidade para fazer o salto encarpado todos os dias, e ter a sorte de não estarmos sós."

Feliz Natal.

Ana Filipa Oliveira disse...

Parabéns por essa capacidade!
Eu ainda tenho muita dificuldade e não tenho metade das responsabilidades. Mas já não estou onde estava, embora ainda não tenha chegado onde quero ;-) Estou na caminhada.