sábado, 8 de julho de 2017

Liberdade de seres quem és [em cada momento]


Não pinto o cabelo há meio ano. Seis meses livre de químicos e de horas de pousio, enquanto a tinta actuava devagarinho no meu organismo inteiro, não tenhamos ilusões.
Confesso que este meio ano foi mais fácil do que pensei, também porque optei por fazer um corte radical para acelerar o processo, mas principalmente porque fiz o que me apeteceu, sem pressões, nem grandes expectativas.
Hoje em dia, olho-me ao espelho e já não estranho a imagem que por lá fica. Agora é ao contrário: estranho as fotografias de cabelo vermelho; gosto delas, mas já não me identifico. Assim como também já não reconheço o meu braço sem esta tattoo que escondi durante 1 ano, porque as pessoas são assim mesmo: mutáveis, tantas vezes inconsistentes, e incompreensíveis, diferentes em diferentes fases da vida.
Gosto de pensar que a ideia de sermos sempre a mesma pessoa ao longo da nossa existência, é uma mentira que nos contam mascarada de congruência, e que é tantas vezes em nome dela que cristalizamos em quem julgámos ser num dado momento, ou em quem julgam que somos para a eternidade. E não há prisão maior.

3 comentários:

Anónimo disse...

Simplesmente soberbo! A última frase, então, encerra (para mim) uma mensagem tão real e tão sábia! Obrigada pela partilha!

marina maia disse...

Lindo!
E isso é que importa, como te sentes, sem te preocupares como que te possam dizer ou não, adoro ler-te Marta!

Anónimo disse...

É isso, o passo seguinte é saíres à rua de pijama...o nosso aspecto exterior é uma mera convenção social, interessa mesmo a quem?