quinta-feira, 16 de março de 2017

"E que tal de azul, mãe?"



Desde que assumi publicamente que iria deixar de pintar o cabelo, tenho recebido muitos comentários no blogue, no instagram e no facebook, que podem ser divididos em 3 categorias:
1. Comentários de apoio (que agradeço);
2. Comentários críticos, mas feitos de forma educada (que agradeço e que me fazem crescer);
3. Comentários críticos cruéis e gratuitos (que abomino, mas que me tornam mais forte).
Hoje, contudo, quero falar-vos da categoria 2, onde se incluem muitas mulheres que, de forma sempre correcta e educada, discordam firme e legitimamente da minha decisão, porque não compreendem porque raio não tento retardar o envelhecimento, esse "bicho-papão" que parece retirar-nos tudo: beleza, sensualidade, credibilidade, e por aí adiante.
Juro-vos que nunca tinha pensado sobre isto, mas com esta experiência, questiono-me sobre algumas verdades absolutas com que crescemos a vida toda: 
- As mulheres de cabelo pintado têm sempre um ar mais jovem que as mulheres de cabelo branco;
- Deixar de pintar o cabelo significa desistir da nossa imagem e acelerar, inevitavelmente, o processo de envelhecimento;
- A condição feminina deve implicar uma busca constante pela juventude eterna (ou perante a impossibilidade da eternidade, a juventude que o bisturi, o cabelo tingido, o que for), conseguir aguentar;
- (...).
Não estou certa disto, mas também eu própria estou numa busca. Não condeno o bisturi, nem o cabelo pintado. Se isso nos fizer felizes naquele momento, porreiro-encantado-da-vida. Mais uma vez, cada caso é um caso e a minha experiência é a Minha, a Tua é a Tua e assim se faz o caminho da liberdade, da tolerância e da auto-determinação das mulheres e dos homens.
Acredito piamente que o segredo do bem-estar está em construirmos a nossa melhor versão em cada momento da vida. E para mim, neste momento, isso implica ver-me para além das tintas no cabelo, implica usar um batom vermelho quando me apetece, implica poder dizer o que penso, implica ser livre.
Isto não quer dizer que daqui a uns tempos não me apeteça voltar a pintar o cabelo. E como diz um dos meus filhos, "que tal de azul, mãe?". Sim, e que tal de azul?...
Não hasteio a bandeira das mulheres grisalhas, mas hasteio a bandeira da liberdade de sermos o que quisermos, sem pressões. No outro dia, alguém me mandava uma mensagem pedindo-me encarecidamente para parar de emagrecer e para pintar o cabelo...fiquei a olhar para aquelas palavras uns minutos, curiosamente ternas e quase em tom de súplica (ao contrário de outras que vou recebendo), e a tentar entender o que quereriam dizer...em que é que este processo assusta as mulheres? O que é que põe em causa, quando falo de um caminho individual que não obrigo, naturalmente, ninguém a seguir?
Tantas dúvidas e tão poucas certezas. Apenas uma: o cabelo, tal como o mundo inteiro, é feito de muitas cores, muitos matizes, muitos tons diferentes. E ainda bem.

4 comentários:

Anónimo disse...

Já tentou entender, que e melhor nem se dar ao trabalho de responder a essas pessoas, só gasta o seu tempo para nada
Deixe se ir e nao ligue

mãeee disse...

"Não hasteio a bandeira das mulheres grisalhas, mas hasteio a bandeira da liberdade de sermos o que quisermos, sem pressões." É mesmo isto Marta. Nem mais. Beijinhos doces

Unknown disse...

Há tantos preconceitos. Impressionante. E há sempre julgamentos. Ou porque estamos gordas ou magras, ou pintamos o cabelo e nos arranjamos e somos vaidosas ou não pintamos e somos desleixadas e ficamos envelhecidas. Enfim, tantos exemplos. Quando o meu avô faleceu fiz luto, usei algum tempo preto e cores mais escuras. Não conseguia ver cores. Fui tão criticada, porque já não se usava disso, não era moderno. Pois para mim, ser moderna é ser livre nas escolhas.

Sofiazinha disse...

:)

Marta, mais uma vez fantástico texto. Assumir a liberdade de escolha, isso sim é valorizar. Se gosto de ver mulheres "crescidas" com cabelos verdes/azuis/outra cor?! Não, não gosto. É uma adolescência demasiado tardia, mas é a escolha daquela pessoa....

Agora o branco e assumir a prata..?! Acho lindo! Mesmo.

Parabéns! Também faço parte do grupo. Apesar de ter uns (míseros) 7 ou 8 cabelos brancos, mas tenho o cabelo tão, mas tão seco, que pintar estará fora de questão.

Digo-o agora. Acho-o agora. Se em determinada altura não gostar, logo se vê.

:)

Beijinhos.

Sofia