quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Rebenta a bolha! [e um agradecimento]

Pau Storch Photography

A bolha está a rebentar. O tempo que falta para voltar ao trabalho começa a esgotar-se, e sei que é altura de me preparar para um novo ciclo. Mais um.
Não me posso queixar. O Vicente tem 6 meses e continuo em casa, com todos os direitos que me assistem, a usufruir deste filho que não planeei, mas que me transformou na mãe que sempre quis ser, mas que não sabia como.
Nos dias que correm, infelizmente, isto ainda faz de mim uma mulher e uma mãe privilegiadas, porque quantas de nós não tiveram possibilidade de gozar desta paz, deste tempo e deste direito? A mãe chinesa que estava ao meu lado na maternidade, tinha a filha nos braços há pouco mais de oito horas, urinava para a arrastadeira e mal conseguia ter-se de pé,  e já tinha a patroa portuguesa a ligar-lhe para o telemóvel e a perguntar-lhe, aos gritos, por um papel...a massagista onde fui durante a gravidez disse-me que só ficou com a sua bebé 1 mês, porque as contas tinham que ser pagas e quem não trabalha, não recebe. Este é o País real e eu vivo numa bolha confortável que recebe sem trabalhar, a lamber a cria, enfiada no ninho.
Ainda assim, nada disso me tira o peso da angústia, nem o direito de me lamentar. É bom voltar a sentir-me útil para além da utilidade que sou para o meu bebé, mas até ao ano de idade dele, confesso que preferia estar em tele-trabalho, ou numa actividade que me permitisse gerir o meu tempo.
Mas este é o sistema que temos, um sistema esquizofrénico, que ao mesmo tempo que nos tira a liberdade diária da gestão do tempo, nos garante direitos e não nos obriga a ir trabalhar 1 mês depois de parirmos. 
Mas porque os sistemas são feitos de pessoas, não seria justa se não agradecesse àquelas que fazem parte daquele a que pertenço (chefias e colegas), que em momento algum criticaram a mãe que escolhi ser: uma que pôde dar tempo e que teve espaço. Obrigada.

7 comentários:

Isabel disse...

Mais um texto lindo.
Como lhe ocorrem as palavras certas para nos mostrar tudo aquilo que pensamos, sabemos, vivemos mas não sabemos exprimir??? Sinto inveja desse dom :)

nat. disse...

A nossa bolha é confortável... mas sentimos falta de mais, certo?
Estou na 3ª gravidez, e das 2 primeiras gozei da licença de 5 meses, uma delas foi possivel juntar o período de férias, ficando assim 6 meses em casa... do 2º fiquei mesmo só os 5 meses e as férias vieram na altura delas...
Desta vez não si como vai ser, quer dizer, sei que vou tirar a licensa de 5 meses, mas não sei se será possivel juntar ou não as férias...
Em Março deste ano li na "Pais & Filhos" um artigo sobre direitos das familias com filhos" e uma das coisas que lá dizia era "Os trabalhadores com filhos com idade até três anos vão poder a exercer a actividade em regime de teletrabalho, quando este for compatível com a actividade desempenhada e a entidade patronal disponha de meios para o efeito. A lei, que apenas aguarda publicação, prevê que “o empregador não pode opor-se ao pedido do trabalhador”. Entrou em vigor no início de Setembro passado."
Não sei em que estado estão estas leis e estes direitos... Fica o link para o artigo (http://www.paisefilhos.pt/index.php/actualidade/noticias/8455-saiba-os-direitos-das-familias-com-filhos ) e se alguém souber... partilhe, pf.

Obrigada pela partilha das suas vivências!
Felicidades!

As minhas africanisses disse...

Quando leio este texto fico até emocionada!
Tive direito a miseros 60 dias em casa. Quando de facto precisava de 180 ou mais. Sendo mãe de um único ser, e estando num país sem qualquer apoio, senti-me sozinha. Tanta mudança e eu ali, sozinha, com 60 dias para me habituar a ser mãe, e ainda com o corpo deformado e as hormonas a rondarem, lá fui trabalhar.
Hoje, com a distância que tenho, faria muita coisa diferente. Aproveitaria mais esses 60 dias. Nem que fosse para ser a mãe que queria ter sido.
Quando vejo mães tristes por terem 180 dias, nunca as condeno, faço sempre o meu sorriso (nunca hipócrita) e digo que tive 60 dias. 60 dias, a aprender a ser mãe e a tentar encaixar um filho na minha vida profissional. Com 60 dias, e eu a trabalhar admito que muitos dias esquecia-me que era mãe, lembrava-me no caminho de casa. Juro que é verdade. 60 Dias não dá nem para aprender a ser mãe, nem para termos uma noção do que é usufruir de um filho.
quanto ao pai, 2 dias em casa.

ps- agora consigo sorrir quando me lembro, que tinha dias em que ligava para o meu marido a choramingar, e a pedir para ir a casa ver se o bébé estava bem, porque sentia algo...saudades!!! :)
Boa sorte para esta nova etapa.
bjs Nessa

Ana Lima disse...

Não foi em Setembro passado... Isso já existia no Código de Trabalho que quase ninguém lê...

Tem um capítulo só sobre parentalidade que acho que devia ser das primeiras coisas a ler quando se fica grávida...

Anónimo disse...

Não sei que sociedade é esta não compreendo o mundo , às vezes sinto-me muito velha de mentalidade para a realidade em que vivo, mas que conjuntura é esta que obriga miúdos tão pequenos a irem para a creche tão cedo na tenra idade e passarem tantas horas longe das mães, qud obrigam a serões a correr com os filhos entre banhos jantar e dormir , a maioria sem ajuda doméstica em casa ... sei que a maioria não concordará comigo e dirá que não se sente útil sem trabalhar fora mas será que está ideia da emancipação da mulher não nos tem sido impingida vendida pressionada pela sociedade como se a mulher fosse uma inútil por ficar em casa ? É só um desabafo . Bj

SM disse...

Bom dia Marta,

Sigo o seu blog ha algum tempo e devo dizer que adoro a sua simplicidade e verdade como escreve.
Estou gravida e resido na zona de oeiras. E possivel indicar-me o local onde fez as massagens quando esteve gravida?

Grata pela atencao e tudo de bom para si e para a sua familia!

Sonia

Dolce Far Niente disse...

Olá Sónia, fiz massagens no Espaço Saúde de Corpo e Alma, em Oeiras, perto da Biblioteca Municipal de Oeiras. Pode pesquisar no FB.

Um beijinho!