quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Como é que venço o medo?


Foto: Maria João Pote Fonseca
Faltam exactamente dez dias para o Festival Cogito e para a minha apresentação sobre Famílias Recompostas no evento, e sinto que tenho um countdown dentro da minha cabeça. Desde que fui convidada para participar que sei de cor quantos dias faltam, porque contabilizo o tempo que ainda tenho para respirar fundo e para me preparar para me lançar no precipício e morrer. Basicamente, conto os dias para a morte.
Este é o medo que está num dos lados do meu cérebro. Uma parte irritante que me diz constantemente que não sou capaz, que vou estar tão nervosa que não conseguirei dizer metade do que tinha preparado, que nada do que tenho para revelar tem interesse e blá-blá-blá. Esta é a parte do cérebro que me atrapalha a vida, porque me sussurra em repeat que nunca estou à altura daquilo a que me proponho. Reconhecem esta sensação?
Se fosse há uns anos, nunca teria aceite o convite, porque esta maldita parte do cérebro comandada pelo medo vencia sempre, sobre todas as coisas. Era um padrão. O medo {entidade que acolho, mas que não me pode definir, nem limitar}, era sempre maior que esta curiosidade que tenho de me desafiar. Um medo tão limitador, que fazia uma de duas coisas: ou não me deixava avançar, ou dava uma permissão quase sádica, porque me punha completamente de rastos, tipo "sim, vai lá a esse evento, mas te garanto que corre mal!"
Comecei a desconfiar desta prepotência do medo quando percebi que era raro correr mal, e isso pôs-me de sobreaviso sobre as suas boas intenções. O sacana não estava ali para me salvar, mas para me enterrar.
Hoje em dia, aceito os desafios antes que o medo se ponha em bicos dos pés comigo. E tento racionalizar as mentiras que ele me apregoa: afinal, qual é a pior coisa que pode acontecer no Cogito? Ter um AVC em palco? Engasgar-me? Esquecer-me da minha própria história? Partir uma perna? E se correr mal?...serei menos capaz, burra, tonta?...
O medo existe para nos pôr alerta e para nos mostrar que temos que nos preparar. E salvo se a ideia for atirarmo-nos a um poço, de uma ponte, ou para debaixo de um comboio, é avançar e ver no que dá.
Dia 26 é o que farei. Serei eu própria a ver no que dá. Com o medo a rondar, mas sem deixar que me engula.

7 comentários:

Isabel Patrício disse...

Vai correr bem ! Se fores tu própria ! boa sorte

Anónimo disse...

Preciso de ler este post muiiitas vezes. Bjhos vai tudo correr bem...gostava de ir mas estou longe (porto)

TG disse...

Acho que a assistente social tem os dias contados!!!! Não a conheço pessoalmente mas desde que a vi naquela pequena peça da RTP, confirmei o que penso de si: A Marta é uma excelente comunicadora - quer na expressão escrita quer falada. Rádio ou Televisão, no futuro próximo, já pensou nisso? Boa Sorte e que se lixe o Medo!

Bailarina disse...

Eu, por uma questão de personalidade, não tenho esse medo quando tenho que enfrentar o tipo de situações a que te referes, se bem que só falo em público no que diz respeito a questões de trabalho. No entanto estou rodeada de pessoas diferentes de mim que possuem o teu medo e penso que a única forma de o enfrentar é atacando de frente. Dizendo que sim, que vamos e depois se verá.
Tenho tido oportunidade de "obrigar" algumas pessoas a enfrentar esse medo, sugerindo o nome e não dando grande margem para dizer um não. Têm resultado sempre bem, até porque o pior que pode acontecer é não acontecer nada de mal.
Tudo a correr bem!

Juvenália Dorotea disse...

Não conheço TG, mas é a segunda vez que aquilo que diz me toca profundamente.
Quando a minha filha era adolescente, o futuro que lhe antevia tinha mesmo a ver com a comunicação social e procurei prepará-la para isso com formação em Inglês, francês e até com um curso de manequim numas férias, para saber estar, andar, maquilhar-se e estar perante o público sem grandes incómodos, como já primeiro a ginástica e depois a dança tinham contribuído.
Testes de orientação profissional na escola secundária, encaminharam-na para outro destino e só muito recentemente a Marta soube deste meu sonho que também não era por acaso, achava genuinamente que ela ficaria por lá muito bem. Neste momento penso que já é tarde, mas tenho muita pena que não tenha sido esse o seu percurso.
Por este seu testemunho e pelo outro anterior, fico-lhe muito grata.

Dina Monteiro disse...

muito, muito bem. não posso estar mais de acordo:)

Bailarina disse...

Que comentário tão bom! Tudo de bom para a família, parabéns!