sexta-feira, 22 de julho de 2016

Epifania

[foto de há 500 anos]

Olho para o Vicente e descubro que ele não veio só para dar ao meu homem a experiência da paternidade plena. Ele veio para me redimir da mãe que não soube ser dos meus filhos mais velhos. Para me redimir do pecado da desconexão. Não confundir nunca com falta de Amor, apenas com falta de presença emocional.
Percebido isto, não guardo espaço para a culpa, antes para a profunda tristeza. Porque tomo consciência de que há fases dos meus filhos de que não me lembro, porque nunca as vivi. Pior que isso, passei por elas todas, estive em todas de corpo presente, mas de alma perdida. A vaguear dentro das minhas próprias interrogações e insatisfações.
O Vicente veio para me mostrar outra maneira de ser e de fazer. E para me ensinar a não guardar rancor de mim própria, porque a idade, a maturidade e o contexto são outros. Completamente outros. E porque nunca é tarde para viver esta fase da maneira certa. Com presença.
Aos meus três filhos mais velhos, dizer-lhes que o meu Amor por eles é incondicional, intemporal e eterno. E que se não fiz melhor quando foram da idade do Vicente, foi apenas porque não fui capaz. 
Espero que me perdoem. E que saibam de cor o Amor que lhes tenho e que lhes digo, literalmente, todos os dias.

15 comentários:

Isabel disse...

Bom dia Marta

Fico tão feliz que tenha renascido...
Mas intriga-me saber porque teve 3 filhos, se se sentia tão "para lá", desculpe.
O primeiro foi provavelmente desejado e planeado, mas depois foi por "acidente" como se costuma dizer, foi intencional ou foi para tentar salvar um casamento (há muita gente que o faz erradamente)? Desculpe, quem segue uma blogger quase que "vive" a sua vida por assim dizer....responde se quiser é claro. Um beijinho para as suas lindas crianças e para si naturalmente

Sara Rodi disse...

Tomar consciência é tudo, querida Marta. Andamos aqui para errar... e aprender com os erros. Sinto muita vezes o que sentes. Ando sempre a corrigir-me, a tentar ser melhor, falhando em cada esquina. Mas a maternidade não é para pessoas perfeitas. É para quem tem tudo para aprender. E os filhos são esses grandes mestres, que nos ensinam o valor do que tem valor, de facto. Um beijinho grande!

Dolce Far Niente disse...

Sara, muito obrigada pelas palavras. Reli várias vezes este post antes de o publicar, com receio de ser mal interpretada. É bom saber que isto faz parte do percurso e que faz eco noutras mães.
Muitos beijinhos

da cidade pro campo disse...

O teu post está cheio de adjectivos sendo que destaco a maturidade, a humildade e a esperança de que, por muito que sejamos cientistas num laboratório chamado maternidade, a vida encarrega-se de nos mostrar que tudo dá certo quando feito com verdade e amor. Btw, obrigada por escreveres o que podia ter sido assinado por mim.
Beijos grandes.

Marta disse...

Obrigada Marta pela coragem de dizer o indizível e com isso confirmar a quem carrega tijolos destes no peito que, afinal, está (ou vai ficar) tudo bem.

ana rita disse...

A vida é cheia de tentativas e erros, de quedas e de recomeços. Mas para isso é preciso ter a capacidade de olhar para dentro de de se reinventar, a capacidade de superar é de enfrentar a vida com o peito aberto. Para isso é preciso ter muita força. A Marta escreve o que muitas de nós sentimos e não o conseguimos dizer!

Joana Carvalho disse...

Post com maturidade e cheio de amor (que deu, dá e dará)

Beijinho,
Joana (do clio)

Sofiazinha disse...

Querida Marta.

Sempre tão honesta. Gostei muito. Comoveu-me este post. Eu tento ser boa mãe todos os dias e superar-me a mim própria, é tudo tão complicado. Mesmo que pergunte a alguém se estou a fazer bem ou não, o que é que esse alguém me pode dizer? Nunca poderá dizer uma certeza. Porque não há.

Sempre a aprendermos e a crescermos... isso sim! Nós como pais, nós com os filhos e os filhos connosco!

Li hoje uma frase, era inglês, mas vou traduzir, dizia qualquer coisa assim:

"Eu sempre fui uma boa mãe. Até que tive filhos. Fim da história."

(Diz, ou não diz tudo?)

Mil beijinhos

As minhas africanisses disse...

Se soubesse o bem que me faz ler isso!!! Eu que estive mal quando tive o meu primeiro e único filho...imagine a solidão! Hoje com a distância das coisas, consigo falar e até pedir ajuda. Ler que aconteceu coisas semelhantes, faz de mim humana, real, e até normal!
Acho que só a ler estas palavras é que entendo a solidão que tive. Saí do buraco sozinha, aprendi a por os pés no chão e não ter medo de errar, afinal todos erramos!!!
Muito obrigada por conseguir contar esses sentimentos que por vezes tentamos esconder!! Muito obrigada mesmo!


Maggie F. disse...

Olá Marta, aqui em casa o Manuel também veio pelo mesmo motivo. Sou hoje uma mãe melhor, isto da maturidade e da idade traz vantagens. Não é tudo mau ;)

Beijinho

Lucinda Marques disse...

Marta, é tão verdade o que escreve...obrigada

Bailarina disse...

Fabulosa consciência de si, das limitações, da aceitação, do amor. Não ou psicóloga mas diria que a Marta vai no bom caminho!
Felicidades

Anónimo disse...

Uma grande vénia.

Anónimo disse...

Linda foto!Super maternal! De certeza que fez e foi mais do que pensa. :)

Anónimo disse...


Querida Marta,
A sua foto com os seus filhos é maravilhosa.
Não há mães perfeitas...aliás a Marta refere isso várias vezes em posts anteriores. Provavelmente não foi assim "tão mal"!!! De certeza que não foi.
Eu tive um época muito dificil na minha vida. O meu filho mais velho foi obrigado a crescer e a amadurecer cedo demais por causa disso. Houve dias em que apenas conseguia fazer "os serviços minímos" de mãe. Ás vezes nem sei como eles foram capazes de ser crianças naquela altura. Mas não me culpo. Fiz o que consegui e lutei muito para estar presente na vida deles. Não sei o que ficou no coração deles, mas seguramente sabem que o meu amor é incondicional, tal como o seu pelos seus filhos.
A vida não me deu a hipótese de tratar/criar outro filho, assim como a Marta. E se eu gostava de ter outro...
Faça o favor de ser feliz :)
Lua Azul