quarta-feira, 8 de junho de 2016

As crianças, as mudanças e o Amor



Com a chegada do mano, a família dos meus três filhos mais velhos voltou a mudar. Os últimos anos têm sido, aliás, especialistas em mudanças para aquela malta pequena: o divórcio dos pais e as alterações inerentes, a chegada de um padrasto às suas vidas diárias, o nascimento do Vicente. Apesar disto, vejo-os resolvidos com a vida que têm. Encaram a família alargada como uma sorte extra e usufruem desta sua realidade com a naturalidade de quem não tem gente a complicar à volta.
Sei, no entanto, que a arte de descomplicar a vida dá trabalho. É preciso que os adultos ganhem a perspectiva necessária, que valorizem, de facto, o interesse superior das crianças, e que o defendam  com unhas e dentes acima de todos os conflitos, de todos os orgulhos feridos e de toda a tristeza inerente. E isso nem sempre é fácil, mas é possível. Como? Respeitando os milagres que o tempo opera e, no entretanto, evitando guerras desnecessárias, mesmo que isso implique engolir alguns sapos. Acredito mesmo que aprender a escolher as batalhas que travamos é uma arte preciosa na gestão de conflitos, e que vale a pena investir no seu domínio. 
O confronto com a mudança nas crianças é, no entanto, sempre delicado e é preciso estarmos atentos a alguns sinais: alterações de comportamento em casa e na escola, alheamento, tristeza e/ou sentimentos de revolta, perturbações do apetite e do sono, entre outros. Foi o que fizemos desde o momento zero deste já longo processo - o dia em que os meus filhos souberam que os pais se iriam separar, e é o que vamos fazendo até hoje, numa gestão atenta e reforçada, sempre que alguma mudança maior acontece. E não deverá sempre sempre assim, afinal?

O mano Vicente foi a mais recente reviravolta nas suas vidas e, mais uma vez, o Amor voltou a ganhar espaço e a sobrepor-se a todos os receios. E esse milagre é, por si só, um dos maiores da minha existência.

5 comentários:

Sofiazinha disse...

Parabéns Marta pelas palavras que definem tão bem o que se passa, concordo em absoluto e faço o meu esforço diário para, também por aqui, as coisas serem assim.

Beijinhos.

Magda disse...

Olá, eu tenho uma situação semelhante. A unica coisa que me doi é quando vão para o pai e eu fico com a bebé. Eles estão bem com o tema, até porque têm uma irmã bebé do outro lado também. Mas eu é que fico sempre com uma culpa, sei lá, aquela dorzinha na alma!

Anónimo disse...

Não percebo..quanto mais perfeitas vcs parecem mais rapidamente levaram com os pés do primeiro marido... lolol

Sofiazinha disse...



Anónimo

a mediocridade fica-lhe mal, sabia?

Anónimo disse...

anónimo das 21:41

eles é que foram deixados, deve ser mais isso...