domingo, 24 de abril de 2016

Só não estou em pânico, porque é o quarto!


A nossa casa está em estado de sítio por muitas razões. Porque "descobrimos" agora que o Vicente está a poucas semanas de nascer, porque os putos estão em casa e a sala parece um cenário de guerra, e porque quase não me mexo. Não é que seja nenhuma fada do lar, que não sou. E assumo que há muitas tarefas domésticas que são feitas {e muito bem feitas} pelo meu marido, mais do que por mim. Mas dois adultos a fazerem coisas é diferente de um, e se soubessem a quantidade de tretas que ainda temos por tratar: substituir lâmpadas que fundiram, lavar a roupa do bebé, reorganizar armários e gavetas, arrumar a arrecadação e a garagem, tirar de casa o que só enche e traz pó, comprar o enxoval que falta e que mais nenhum amigo tem para emprestar, pôr a casa à prova de bebé, já quase esquecida do que isso implica.
Chama-se a isto "preparar o ninho", mas numa realidade que pouco ou nada tem que ver com a visão romântica e organizada que leio e que vejo em tantas fotos por aí. Não tenho a roupa do Vicente organizada por cores, nem por marcas, não forro gavetas com tecidos trendy, nem tenho sequer um quarto para pintar de azul às riscas, porque nesta família numerosa, o puto vai partilhar o espaço com quem já cá está. Nada contra as mães que conseguem fazer desta fase um idílio branco e imaculado, pelo contrário. Para ser sincera, gostava de ter um filtro de instagram que colorisse este tempo que vivo a tons pastel, para trazer serenidade. Mas simplesmente não sou assim e não consigo fazer melhor. Deixo {quase} tudo para a última da hora, sou desorganizada por natureza e sou optimista. Acumulo uma tríade de características que trazem um caos cool à minha vida, mas não sei o que trazem à dos outros. Ainda assim, acho que vou fazendo umas pessoas felizes.
Uma coisa é certa: mesmo sem os acessórios "último grito da puericultura", sem gavetas forradas e sem um quarto azul às riscas, o Vicente já é um miúdo cheio de sorte. Porque tem esta família meio louca à sua espera e que o adora. O resto, faz-se.

5 comentários:

Cláudia M disse...

E tem o mais importante ;)e é isso mesmo, o resto faz-se.

Um beijinho

Sandrajorge disse...

Quando as 33 semanas descobri que o Raul podia ter microcefalia o que importou não foram as gavetas arrumadas, nem o estendal por cores, o que importou, o que importa é que era, já , muito amado! Beijo

Anónimo disse...

Cada vez gosto mais de si. Muitas felicidades e tudo de bom para toda a família.bjinhos

Carla Lopes disse...

Grande mulher, realista,sem medo de assumir o q lhe vai na alma e neste caso na sua propria casa. A vida e mesmo assim, e a sua e um arco iris .... Gosto muito de ler o seu blog .

Carla Lopes disse...

Linda Marta... A sua vida nao e azul as ricas, mas sim um arco iris perfeito.... Beijinho grande...grande mulher