quinta-feira, 14 de abril de 2016

Não me chamo "Mãe", chamo-me Marta!



Tempos houve -numa outra vida- em que a mulher que era desbotou com a maternidade, logo a começar na gravidez. Esta mudança nem sempre é drástica nem visível a olho nu, e o perigo é exactamente a forma silenciosa como acontece, porque quando tomamos consciência do erro já é, tantas vezes, tarde demais. Ao contrário do que pensamos, é muito fácil esquecermos as mulheres que somos em troca do que se espera que passemos a ser: mães omnipresentes e muitas renúncias, umas mais conscientes que outras: ao amor e à paixão, tantas vezes à profissão, aos hobbies e a quase tudo o que nos definiu até então, mas que não conseguimos gerir sozinhas, nem sabemos {ou queremos} delegar. 
Caí neste erro três vezes, pelos meus três filhos e por culpa inteiramente minha, e quase morri devagarinho. Fui claramente feita para ser mãe, ou a Vida não me teria brindado com quatro filhos, mas aprendi a assumir que não me esgoto nesse papel, ou falta-me o ar. Descobri que o maior legado que lhes posso deixar é a minha gana de viver e de me cumprir, e disso fazem parte os meus projectos pessoais e profissionais e o tempo e atenção que continuo a dedicar ao meu marido, com quem em privado, continuo a ser amante, acima de tudo.
Nesta gravidez, treino esta tomada de consciência todos os dias. Visto-me para me sentir atraente e dispo-me com orgulho das minhas formas generosas. Namoro ao serão, preparo as surpresas possíveis e assumo que não morri para a vida {nem para nada, diga-se}, em nome da maternidade. Tenho uma amiga, mãe esmerada de dois filhos e amante eterna do seu marido de sempre, que quando se sente a perder-se da mulher que é, põe ao pescoço um fio com o seu nome, para se lembrar que não se chama "mãe". 
É preciso arranjar estratégias e isso dá trabalho. E às vezes é preciso ter falhado para perceber onde não voltar a tropeçar.
É aí que estou.

3 comentários:

Rita Caré disse...

Olá
Acho que nunca publiquei um comentário aqui, apesar de seguir o blogue há anos.
Apesar de não ser mãe, nem o serei, adorei este post!
Obrigada pela partilha! :)

Anónimo disse...

Marta,
Gostei muito do post, mais uma vez.
Gostava, no entanto de deixar a minha opinião sobre este assunto.
Sou mãe de dois filhos (lindões). Adoro ser mãe e gostaria de ter tido mais um, mas a vida não o permitiu por várias razões. Desde o nascimento do primeiro percebi que não seria uma mulher completa, apenas por ser mãe. Regressei assim que acabou a licença de parto e tanto no primeiro como no segundo filho o meu regresso ao mundo laboral foi feliz.Quero dizer com isto que fui sempre trabalhar com vontade, até precisava de o fazer para continuar a ser feliz... Mas reconheço que passei por muitas situações em que o meu papel principal parecia ser esse mesmo: ser mãe. Os meus filhos já são crescidos, mas continuam a precisar de mim (e eu deles). Não lamento o tempo que lhes dei e dou, pelo contrário. A vida corre tão depressa e não tarda nada estão a sair de casa. Se pudesse até parava um bocadinho o tempo...
É muito dificil em certas situações separar os papéis, de mãe, profissional, amiga, namorada, esposa etc. O que eu fiz sempre foi "avaliar" o que era mais importante num determinado momento e avançar. Não sei se me faço entender...se por exemplo um dos filhos está doente pode ser preciso decidir se fico a cuidar dele ou sair com alguém ou estar presente numa reunião do trabalho. Depois de avaliar a situação tomo a decisão e bem ou mal sigo em frente.
beijinho
Lua Azul























































Helena Silva disse...

Olá Marta!
Obrigada por este post.
Revejo-me nas suas palavras se bem que eu ainda me encontre a recuperar a minha condição de mulher/mãe, e de vez em quando me sinto a cair na condição apenas de mãe...
Vou tentar mais vezes me lembrar do meu nome e do que sempre fui, EU, amo os meus filhos de paixão, mas de facto preciso me voltar a encontar.
Obrigada uma vez mais pelas suas palavras e por partilhar com os que a seguem as suas aventuras e desventuras de mulher e de mãe.
Beijinhos e votos das maiores felicidades.
Helena