terça-feira, 29 de março de 2016

Por estes dias

Pau Storch Photography
Por aqui os dias passam devagar, num misto de contentamento por ter tempo de sobra e de pânico de me entediar nalgum momento.
Esforço-me por manter a cabeça ocupada e por fugir à tentação de me enterrar no sofá a ver merdinhas na televisão de empreitada, com o único objectivo de ver chegar gente ao final do dia. Acordo cedo, tomo o pequeno-almoço em família e corro para o computador para me inteirar das notícias do dia e para escrever um bocado, num exercício que me mantém desperta. Recuso-me a ficar de pijama e maquilho-me como se fosse trabalhar, porque me conheço e sei que grande parte da resistência à tentação de me acomodar sem fazer nada, implica que me olhe ao espelho e que me veja mascarada de mulher activa.
Tinha muitos planos para estes meses em casa, à espera do meu Vicente. Caminhadas pelo passeio marítimo, passeios no Chiado, lanches com amigas ao final do dia, pôr a casa em ordem para a chegada do novo inquilino, mas vejo-me a perder mobilidade todos os dias. Cada saída tem de ser estrategicamente planeada, porque não consigo andar de um lado para o outro, a verdade é essa. Há que estacionar o carro perto do destino, fazer compras essenciais que não pesem demasiado, ter sempre uma cadeira por perto e nunca andar à pressa. E à excepção de uma geisha ou de um caracol, já ninguém tem o meu ritmo alucinante. No outro dia, no cabeleireiro, precisei de ajuda para me desenterrarem da rampa de lavagem de cabeças, e o simples gesto de me debruçar para enfiar a loiça na máquina acelera as contracções e obriga-me a parar. Isto implica trabalho acrescido para o meu marido quando chega a casa, cansado do trabalho, e uma sensação de frustração por não conseguir fazer o mínimo.
Há dias mesmo bons, claro que sim. E há projectos na calha que me ocupam a cabeça e me lembram que não tenho duzentos anos e que voltarei a fazer o que fazia e mais ainda. Mas também há dias assim, mais cinzentos lá fora e menos brilhantes cá dentro.
Daqui a pouco passa.

4 comentários:

Vera Moniz e Medeiros disse...

Chamam-se "hormonas" ;)
Como bem disseste "daqui a pouco passa"!... Nós, mulheres que já tiveram filhos, sabemos exatamente o que isso é! ;)

Beijinhos e força!

Lili disse...

....respire..................................... respire................
ponha uma musiquinha................................. mime o seu princípe...................................re-pi-re.....................
beijinho

Paula disse...

Consigo compreender o que sentes, pois tive três gravidezes de risco.
Mas, como mãe de três a caminho dos quatro, também sabes é apenas uma fase. Um pequeno sacrifício que se faz por um bem gigante: um novo filho!

Desejo que tudo corra bem e o Vicente nasça forte e viçoso.

Bjs,
Paula


Vida de Mulher aos 40

Make it Happen disse...

Momentos...
Fazem parte e com certeza os dias alegres superam e fazem esquecer os menos bons. O importante é assegurar que tudo está bem e que relaxa o suficiente. Tudo a seu tempo...mas compreendo a sensação de frustração.

Beijinhos,
Mariana - makeithappenbym.blogspot.pt