quarta-feira, 30 de março de 2016

Maternidade. A profissão mais dura do mundo

Pau Storch
Continuo a achar que a mais dura profissão do mundo é a maternidade, senão vejamos:
O horário laboral é largamente ultrapassado, obrigando todas as profissionais a horas extraordinárias consecutivas, a uma atenção e foco constantes e sem direito a nenhum tipo de remuneração.
No exercício da função, há desvios que podem ser irremediáveis, facto que coloca esta categoria profissional no patamar de uma "profissão de risco", com direito a síndrome de burnout, mas sem qualquer subsídio de risco associado. E também não contempla direito a reforma antecipada.
Não raras vezes, as profissionais da área têm sérias dificuldades em ir à casa-de-banho as vezes necessárias ou com a privacidade exigida, a tomar banho, a completar refeições básicas e ao direito ao sono, já que a profissão não tem horários. Ou por outra, a isenção de horário da profissional torna-a {como em tantos outros casos}, refém de um horário indefinido e, por isso mesmo, infinito.
Como se já não bastasse a completa ausência de remuneração ao final de cada mês, a profissão-maternidade também não permite o acesso a qualquer salário emocional, já que o reconhecimento do trabalho pela entidade empregadora {vulgo, pequeno petiz ou petizes}, é praticamente nulo. Este facto pode ser especialmente preocupante quando o patronato exerce um estilo de liderança autocrático e tirano, que fragiliza a profissional e que, tantas vezes, a coloca numa posição de desvalorização constante, que em nada beneficia o exercício das tarefas e os resultados esperados pelo consórcio {leia-se, a sociedade em geral}.
A profissão-maternidade, se exercida pelos mais incautos, pode inclusivamente arruinar casamentos, dar cabo da auto-estima de quem a pratica e causar danos irreparáveis junto de todos os parceiros envolvidos, razão pela qual carece de trabalho de equipa sério e rigoroso. E também carece de monitorização constante, praticada por supervisores altamente qualificados, como sejam outras profissionais da área, experientes e astutas, que descomplicam a profissão e que tomam as rédeas da situação sempre que a colega precisa de uma pausa. 

Caramba, vou ser mãe de quatro daqui a poucos meses. E devo estar louca, porque apesar do que escrevi acima, sinto-me a mulher mais feliz do mundo.

1 comentário:

Vera Moniz e Medeiros disse...

Simplesmente adorei o humor deste seu texto!
É exatamente assim... EU sou mãe de uma menina apenas e revi-me em tudo o que disse, apesar de muitas vezes ela dizer "linda mãe"... Considero isso uma "remuneração"! ;)