domingo, 1 de março de 2015

Faltam 21 dias

A vida é feita de desafios {cliché, eu sei}, e decidi definir mais um: vou correr a minha primeira meia-maratona no dia 22 de Março.
Não tenho andado parada, é certo, mas não me sinto preparada. Sou uma curiosa no meio da corrida, e vejo-me sempre como a miúda mais alta da turma, descoordenada motora e lenta como uma tartaruga, que fugia das provas de estafetas como o diabo da cruz e de tudo o que implicava mexer o rabo, sem música.
Ao longo dos anos tenho tentado desmistificar esta imagem que ainda guardo de mim. Esta ideia pré-concebida de que sou preguiçosa, lenta, pouco focada em objectivos concretos, com medo de falhar. E sem falsas modéstias, acho que me tenho saído bem neste esforço, já que tenho conseguido cumprir muitos dos que vou traçando e superar-me, devagarinho.
Ainda assim, continuo a ter o medo do fracasso como o meu pior fantasma. E nos momentos mais frágeis, sei que ele me aparece, inevitavelmente, para me assombrar os dias e algumas noites.
É por esta razão que tinha decidido partilhar que iria fazer a Meia Maratona de Lisboa, praticamente de véspera. Não queria divulgar o desafio e correr o risco de não conseguir cumpri-lo. Não queria que pensassem que os meus tempos e as minhas distâncias nunca me possibilitariam fazer uma meia. Não queria que assistissem ao fracasso de correr 10km e caminhar o resto do trajecto. Seria tão mais bonito dar-vos conta do desafio, só depois de superado. Tão mais bonito e tão mais seguro. Sem margem para falhas, já que se não conseguisse aquilo a que me tinha proposto, nunca ninguém saberia.
Esqueçam, deixei-me disso.
Informo aqui, em primeira mão e numa espécie de catarse, que me inscrevi para a Meia Maratona de Lisboa.
Ando a treinar com mais regularidade do que nunca, mas ainda não ultrapassei os 13km {ontem}, e tenho um ritmo médio registado no Nike+ de 8:31/km, uma vergonha {eu sei}, mas a mais pura das verdades. A minha verdade, o meu ritmo actual, quem eu sou e não outra coisa qualquer.
Até dia 22 não tenciono aumentar a velocidade, apenas a distância. Queria, mesmo, fazer os 21km a correr, mesmo que a arrastar-me. E não queria ser a última da prova, parceira do "carro vassoura" {outro fantasma meu}, mas se for, que sejam uns tipos porreiros a conduzir a viatura.
Também quero evitar lesões até ao dia "D" e para isso, preciso da Sara como de pão para a boca. É ela que trata o meu homem e que me vai curando das minhas clássicas maleitas: cervical e joelhos. E mais recentemente, de um pé. É a ela que recorro quando tenho uma dor, ou quando acho que tenho uma dor. E é ela que me acalma o espírito num ambiente zen, as horas que forem precisas, para sair como nova. Com sono e como nova.
Também tenho que beber mais água e dormir mais horas. E tenho que treinar ao sol e ao calor, condições que me deitam abaixo com muita pinta. 
Tenho quinhentos mil desafios e muitos milhões de medos pela frente. 
Mas há um que acabo de perder: o de assumir que as expectativas podem-se alterar e eu posso falhar. E então?



5 comentários:

meu mundo disse...

Tenho vindo a seguir este blog com interesse. Talvez porque me identifique com algumas situações. Talvez porque me cativou a humildade e sinceridade com que é escrito. Talvez porque acredito que o ser humano pode ser sempre ir mais além. Acredito em ultrapassar obstáculos. Acredito em sermos cada vez melhores. Acredito que terminar a corrida a passo não seria o fim do mundo. No entanto, tenho a certeza que quando realmente queremos algo, vamos buscar energias para concretizá-lo. Por isso, acredito que esta meia maratona será mais um obstáculo ultrapassado; e se não for, paciência, pelo menos houve luta. ;)

Bi disse...

Pronto... acabei de arranjar companhia para mim! :)) Também lá vou, muito curiosa (e muito lenta)!
Um beijinho

Jane Doe disse...

Já fui parceira do carro-vassoura muitas vezes e não foi isso que me deixou menos satisfeita ou orgulhosa no final da corrida. O meu medo é sempre que os senhores da ambulância adormeçam ao volante por causa da minha 'estonteante' velocidade e me passem por cima. :)
Muito foco, muito treino, muita persistência nestes 21 dias que faltam e esse objetivo será facilmente concretizado. Boa sorte.

Luz Santos disse...

Olá Marta, comento apenas para dizer para não se preocupar o lugar de carro vassoura na meia-maratona vá ficar para mim:):)
Bons treinos e dia 22 lá estaremos!!

Anónimo disse...

Corajosa!!!
É preciso muita coragem para assumir os nossos medos e limitações.
A Marta é uma lutadora e tenho a certeza que vai superar-se.
Continuação de uma boa preparação!
Muita Força!
Beijo Grande!
Cláudia