domingo, 27 de julho de 2014

Frida, Frida...

Ao olhar esta fotografia, revisito aquela manhã na Bulhosa, no meio de livros {tinha que ser!}, em que num impulso nos sentámos na mesma mesa, quando apenas nos conhecíamos de longe, e nos rendemos à indiscrição saudável que nos caracteriza a ambas. Falei-te de mim e da minha vida revirada há tão pouco tempo, na altura. Falaste de ti, da tua Maria, de intimidades que não partilhamos com um desconhecido. 
Foi o nosso primeiro "encontro". E foi tão profundamente insólito que me comoveu. 
De ti, apenas sabia que gostavas de cinema {escrevias sobre isso}, e que de longe parecias a encarnação de Frida Kahlo nos teus dias mais coloridos. Nos outros, davas ares à Sónia Braga, como se essa capacidade de incorporares personagens te conferisse uma certa aura de diva, que me intimidava.
Na época em que apenas te via passar, toda tu cor e gargalhadas sonoras, eu era feita de golas altas e medalhas a chocalhar ao peito, numa paleta de cores que não ultrapassava o cinzento. Estava ainda longe de adivinhar a espécie de auto de fé que viria a fazer com cada um desses espartilhos muitos pessoais. E mais longe ainda de saber que, anos mais tarde, já numa outra vida, liberta de apertos no pescoço e de pesos no peito, ter-te-ia como madrinha do meu segundo casamento e como amiga de todas as horas.

Desse café até esta fotografia demos um pulo de gigante, numa intimidade que {se acreditares, como eu acredito}, virá de outra vida. Não sei, nem importa.
Quero apenas acreditar que as grandes amizades também são histórias de Amor.
Como a nossa.


3 comentários:

Pedagogia do Terror disse...

Muito bonito! O texto e a amizade! ❤️

Raquel Caldevilla disse...

Que bonito, Marta! Como tu, acredito que há ligações que vêm de outras vidas e assim como tu também acredito que há amizades que são como histórias de amor!*

Frida Kahlo disse...

vim aqui ler mais uma vez só para me encher o coração <3