quarta-feira, 11 de junho de 2014

Sónia, também sentes esta culpa?




Às vezes invejo as mães de um filho só. 
As mães que podem dar atenção exclusiva, que conseguem ouvir os filhos até ao fim, sem interrupções, que não se enganam com o que o que os putos gostam de comer ao pequeno-almoço, nem ao lanche, que organizam programas à medida. 
Eu, que sou mãe de três, sinto-me sempre uma mãe aos bocados. Uma mãe que nunca chega para as encomendas, porque as solicitações são imensas. 
Há dias, o mais velho informou-me que iria pedir uma rapariga em namoro. Terei dito um conjunto de palavras com nexo, mas não me lembro exactamente quais. Fui entretanto ajudar a Vitória a lavar os dentes, enquanto lembrava o Vasco que  o cartão da escola tinha que ir para dentro da mochila. Quando voltei ao assunto da namorada, era tarde demais, porque há espaços de tempo que se abrem e que se não agarramos, fecham logo a seguir. Às vezes é coisa de minutos. Frestas de comunicação que nem sempre se repetem.
Tive muitos filhos porque fui filha única. E não queria que eles, como eu, tivessem de recorrer a irmãos imaginários, nem sonhar com devaneios dos pais que pudessem ter deixado perdido um filho qualquer pela vida. Mas nem sempre me sinto mãe-inteira. Mãe de coração aberto para todos ao mesmo tempo, simplesmente porque não consigo. Nem que fosse mãe-polvo, não conseguiria.

Às vezes invejo as mães de um filho só. E acho que seria uma mãe melhor se tudo o que fosse e tudo o que desse de mim, fosse só para um.
Mas logo depois, bato na boca três vezes. E penso que mãe aos bocados seria, se me faltasse um. A verdade é essa.




6 comentários:

Patrícia Teodoro disse...

Deve ser difícil, não imagino porque sou mãe de uma só (e às vezes nem a ela a consigo a ouvir ate ao fim), mas agora a ler te vi que a minha filha terá sempre como único irmão o gato..ou tambem como tu ira recorrer a amigos imaginários, a vida é mesmo assim...dá-nos aquilo que nós somos capazes de dar e o mundo considerou que tu eras capaz de dar amor a 3 e que és capaz de dar conta do recado umas vezes melhor outras vezes pior

Paula Ferrinho disse...

Como me identifiquei, Marta!! Também sou mãe de três e sinto exatamente o mesmo, com a sensação de que há um dos filhos que fica sempre "pendurado"... Mas lá está... "Que mãe seria aos bocados, se me faltasse um deles?" O Puzzle precisa de todas as pecinhas e acredito que a partilha (da mãe) pelos afetos, os faz crescer muito!!! Adoro o seu blog,1 beijinho!!

SMS disse...

Sinto várias vezes. E sinto isso, também, de perder a tal janela de oportunidade na comunicação com um deles porque tive de ir fazer outra coisa qualquer. Não é fácil. Mas é muito mais bonito e rico! Digo eu… :)

S disse...

Tão lindo! Tão verdade... Bjs e obrigada pela partilha destes sentimentos :-) Bjs

Maria João disse...

Não é uma mãe pior porque tem que se dividir por três em vez de se dedicar apenas a um, é apenas uma mãe com mais trabalho. Tenho dois e não me sinto assim tão menos mãe. De forma alguma!

Nany disse...

Eu filha única e mãe de três penso sempre nisso. Afinal não estou sozinha e quando digo ao mais velho que espere um pouco porque a nossa conversa do costume não pode ser agora porque o mano mais novo, que dorme no quarto dele, está acordado; ou quando digo à miuda que espere um pouquinho e lá chego e ela já está noutra.
Não consigo ver sem um deles, são o meu mundo e alegra-me saber que são amigos, que terão mais amigos por causa dos irmãos, muito mais que eu com milhentos amigos imaginários.
nany