segunda-feira, 16 de junho de 2014

Uma carta aberta à minha filha [repost]

E porque a minha filha faz 7 anos amanhã, lembrei-me deste post que lhe escrevi há dois anos atrás...

"Por razões que desconheço, cresci a achar que os grandes amores não existem.
Que são coisa de filme, de novela, de mulheres ingénuas ou fracas.
E acho que sem querer {e sem dar conta}, nunca acreditei no Amor. Ou por outra, passei muitos anos da minha vida a não acreditar num Grande Amor.
E porque não acreditava, nunca o busquei.
Quando falo de Amor, não falo daquele sentimento {que às vezes confundimos com Amor}, que nos enfraquece, que nos suga a energia e o vigor, que nos esvazia por dentro e que nos diminui. Não falo desse, porque esse não é Amor. Esse é o alter-ego do Amor. O seu lado sombra. Que ao invés de nos engrandecer, mata-nos aos poucos.
O Amor de que te quero falar, é outro muito diferente. Na verdade, é a antítese do que te descrevi.
O Amor a que me refiro, traz ao de cima o que tens de melhor. E faz-te sentir uma pessoa melhor, porque te enobrece o espírito e a alma.
O Amor de que te falo, torna-te iluminada, como se transportasses uma candeia acesa sempre contigo.
E mesmo nos momentos mais duros, sentirás sempre uma incandescência dentro. Uma luz interior que iluminará o túnel em que te encontrares. E é essa luz que te fará crescer sempre. Nunca ao contrário, ou não será o Amor de que te falo.
                            
Gostava de te poder dizer que os grandes amores são para sempre.
Não sei se são. Infelizmente, não tenho ainda essa resposta para te dar.
Quando leres esta carta, não sei se já terás descoberto que as mães não sabem tudo, por isso, adianto-te o trabalho e afianço-te que não sabemos {para mal dos nossos pecados}.
É por isso que não sei se um grande amor dura para sempre.
Mas também não sei se é isso que realmente importa...
Há quem diga que "o Amor é eterno enquanto dura".
Prefiro pensar que o Amor é eterno porque algum dia existiu.
E porque durou, na direcção certa. Com respeito, com verdade, com responsabilidade e com uma boa dose de loucura e de rasgo, ou morre aos bocadinhos.

O que sei, é que ele existe.
E que às vezes aparece quando menos esperamos.
E que é facilmente identificável, porque vem acompanhado de grandeza e nunca de mesquinhez. De leveza e nunca de peso. Mesmo quando há fardos que temos que carregar em nome do Amor. Mas que se carregam com amor, cá está.

Com esta carta, quero pedir-te que, ao contrário de mim, não te escondas atrás da certeza de que os grandes amores não existem. Ou que são exclusivos das mulheres ingénuas ou das comédias românticas de qualidade duvidosa.
Porque das duas uma, ou corres o risco de fazer as escolhas erradas, ou de passares pelo teu Grande Amor e não perceberes.
Só porque tens medo de ser feliz."

Maio de 2012

3 comentários:

Escrever Fotografar Sonhar disse...

esse teorema é um dos mais importantes da vida, mas só é apreendido (como quase todos) se demonstrado muitas vezes (como já o fazes afinal). Ela vai perceber que tem muita sorte de conviver com essa demonstração de muito perto.

bjs

Lili disse...


Ooooooooooohhhhhhhhhhh.
Tão. Mas [tão] bom.
Parabéns à (Dolce] Princesa.

sarovsky disse...

Há muito tempo que venho, de vez em quando, "beber" aqui um pouco da beleza que há nas tuas palavras. Comecei a visitar o blog quando tive a sorte de receber um postal de Natal do PPC que vinha com o teu nome. Muitas vezes me emociono com o que leio aqui, mas quando hoje a minha mãe partilhou este texto com a minha irmã, percebi que realmente há coisas que só algumas pessoas sabem escrever. Parabéns, Marta, por este dom. E obrigada... :) *