domingo, 4 de novembro de 2012

Há 11 anos

Fui mãe pela primeira vez há 11 anos.
E com o nascimento do Duarte, aconteceu o meu (re)nascimento também: o da Maternidade.
Dar vida, contudo, confrontou-me com  o que eu tinha de pior: a imaturidade, o egocentrismo, a impaciência, a preguiça, e tudo aquilo que morre aos bocadinhos quando somos abalroados pelo nascimento de um filho. Uma morte lenta e dolorosa, porque nem sempre estamos preparadas para sair de nós próprias com a velocidade que nos é exigida. Com a velocidade que um filho recém-nascido exige.
É verdade que vê-lo sair de mim, senti-lo ainda quente contra o meu peito, assistir ao milagre de se alimentar através do meu corpo, foi o acontecimento  mais emocionante da minha vida.
Mas não correu tudo bem.
Não fui abençoada com o milagre da transformação imediata. Não conheci o "admirável mundo novo" que tantas mães descrevem. Aquele "happening" transformador que parece trazer sentido a tudo o que já se fez e a tudo o que ainda falta fazer, quando nasce um filho.
Com o nascimento do Duarte não se fez luz, por mais que doa admiti-lo. E se o consigo fazer agora, é simplesmente porque passados 11 anos, faz-se luz todos os dias.
O seu choro irritava-me. As horas de sono perdidas impacientavam-me. A falta de tempo para mim deprimia-me. A mudança drástica de vida dava-me uma constante vontade de chorar. Como se estivesse imersa numa bolha, isolada de todos, diferente de todos, mais infeliz que todos.
E esta constante sensação de insatisfação prolongou-se por algum tempo, num alheamento interior que acho que só eu percebia, mas que me pergunto muitas vezes que marcas terá deixado no meu filho.
Mas não é desses momentos que se faz a nossa história de mãe e filho, porque 11 anos é muito tempo e já tive muito dele para me redimir, num exercício de uma vida.
E não me culpabilizo com isso, porque aprendi que a maternidade é isto mesmo: um exercício de uma vida, num constante movimento de ensaio e erro.
A parte boa disto, é que hoje sou definitivamente uma mãe melhor. Porque já não me perco da mulher que sou. Nunca mais.

Hoje, o Duarte enche-me os dias de luz.
A provar que as bençãos não chegam quando queremos, nem quando esperamos.
Chegam somente quando estamos preparados. Uma verdade tão simples, afinal.


Este post é um "momento Limetree"


MM

4 comentários:

Teresa Martins disse...

Parabéns ao Duarte e parabéns à mãe do Duarte por ser tão sincera, honesta e corajosa!! Um grande beijinho

vidasdanossavida disse...

Muito bonito. Tudo verdade. Parabéns à mãe e ao filho. Um dia ( e uma vida) muito feliz! Bjs

Rita disse...

Fiquei com pele de galinha só de ler. Parabéns ao filho, e à mãe!

Juvenália disse...

Lindo...!Parabéns filhota!