sábado, 20 de outubro de 2012

Dos dias de neura materna

Hoje tenho o meu homem a trabalhar na preparação da Corrida do Tejo. E quando isto acontece, é dia de ficar com três crianças para entreter, cuidar e alimentar, sozinha.
Não tem corrido mal, embora acabe sempre com uma certa neura ao final da noite.
É que apesar do dia solarengo que hoje tivemos, não houve grande espaço para passeios, porque há três testes para a semana, algumas dúzias de TPCs e pouca vontade {confesso} para me aventurar sozinha no mundo dos parques infantis e dos jardins e dos museus e de tudo aquilo que era suposto gostar de fazer, e que nem sempre me apetece. E a mãe que nunca sentiu isto que atire a primeira pedra.
É que apesar da aparente imobilidade familiar, também sabe bem estarmos juntos em casa. Sem correrias, nem horários para cumprir.
Há bocado estive na saga dos verbos To be e To have, das affirmative e negative sentences e da physical description. Agora estou no mundo dos nutrientes e suas funções, dos lípidos, dos glúcidos, das vitaminas e afins, da importância da alimentação variada e saudável, embora só me apeteça comer a tablete inteira de chocolate Pantagruel que tenho guardada no armário, e empanturrar-me em pão com manteiga.
E de cada vez que vou à cozinha {porque já estou farta do canal Panda e das Ciências da Natureza}, tenho mais uma qualquer compulsão gastronómica, apenas mitigada pela visão igualmente depressiva de um frigorífico quase vazio. Porque também não é fácil metê-los a todos no carro e ir abastecer-me. Não no estado de letargia em que me encontro.
Posto isto, quase me apetece dizer que faço tudo mal. Porque estudo com eles mas não me apetece, desenrasco jantares com o pouco que tenho em casa, e culpo-me continuamente porque não invento actividades que fomentam a interacção entre pais e filhos.
Sou um zero à esquerda, portanto.
Ou se calhar, sou simplesmente uma mãe como tantas outras.
Num dia de neura.
 
 
 
Este post é um "momento Limetree"
 
MM

3 comentários:

Ovelha Flor Guerreira disse...

Não te sintas só. Revi-me, em alguns dos meus dias!!! E eu só tenho duas e só uma delas anda na escola!

Isa disse...

E não temos todos dias de neura? Respirar fundo e avançar...

Anónimo disse...

Também sinto-me assim por vezes. E sinto que sou a pior mãe do mundo, mas que só quer o bem deles e que os ama mais do que ninguem. Somos seres humanos e por vezes também sentimos que falhamos e isso é normal (digo para me sentir menos culpada...)

BJS

SAMM