quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Regresso às aulas a correr...vamos?*


Não sei como é Setembro em vossa casa, mas na minha, à ansiedade do início de mais um ano lectivo, junta-se a ansiedade dos miúdos pelo material escolar: cadernos novinhos a estrear, lápis de cor, canetas de feltro, cartolinas, listas infindáveis que se repetem a cada ano, mas que antecipam sempre o frio na barriga do regresso às aulas.
Este ano, ao frenesim típico da compra de material, junta-se o evento da Staples de que o Vasco e a Vitória não param de falar: a apresentação oficial da "Mochilada: a grande corrida da mochila", uma corrida que vai acontecer na loja Staples de Alfragide no dia 6 de Setembro, e que juntará muitos dos youtubers e instagrammers que eles adoram: Rui Unas, Mafalda Creative, João Sousa, Paulo Sousa, Angie Costa e Zorlak! 
Esta iniciativa está associada à campanha da Staples "Diverte-te neste Regresso às Aulas", a decorrer entre 20 de Agosto e 26 de Setembro, e oferece uma gama alargada de material escolar aos preços mais baixos e competitivos do mercado, numa altura super pesada para as famílias. Na verdade, que pais gostam do mês de Setembro?...
A Mochilada também servirá de mote para uma corrida semelhante destinada a 15 estudantes entre os 10 e os 18 anos, a decorrer no dia 13 de Setembro. Acham que os vossos filhos podem estar interessados? Se forem menores de idade também poderão participar, levando um termo de responsabilidade assinado pelos pais, mas todas as informações estão no site. Basta acederem ao microsite da iniciativa em www.mochiladastaples.pt e seguirem os passos indicados. A acção vai também ser promovida no instagram Staples Portugal, com o hashtag #mochiladastaples, e dará a possibilidade aos participantes de se habilitarem a prémios, que poderão ser uma ajuda para a aquisição de material escolar para o próximo ano lectivo.

Ah, e já agora, se vos apetecer passar pela loja Staples Alfragide no dia 6, eu, a Vitória e o Vasco também estaremos por lá a correr desalmadamente...ou mais ou menos, vá!

*Post escrito em parceria com a Staples

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

A vida real e os romances de Domingo à tarde

Juvenália de Oliveira Fotos e Histórias

Sempre que o meu bebé acorda a meio da noite, chama pelo pai. Quando cai e se magoa, chora pelo pai. Se tem fome ou sede, pede papa e água ao pai e por aí vamos.
Sei por experiência que os miúdos passam por fases e que todas elas trazem "preferências", mas não resisto a olhar para trás e a ver o filme da minha vida recente com lucidez. Nos últimos nove meses (desde os 18 meses do Vicente), terei ido levá-lo e buscá-lo à creche umas quatro ou cinco vezes. Das outras todas, foi o pai ou a minha mãe, igualmente responsáveis por passeá-lo no parque ao final do dia, por dar-lhe banho e por preparar-lhe e dar-lhe o jantar. Eu costumo chegar-lhe perto das sete ou sete e meia da tarde, e mantenho obsessivamente a rotina (dizem alguns "especialistas" que profundamente anti pedagógica) de o adormecer comigo na minha cama, embora quase sempre num registo apressado, porque quero ainda conversar com os meus filhos mais velhos, jantar, e voltar aos mails que deixei para trás há poucas horas, e que acumularei sem dó nem piedade no dia seguinte, se não der conta deles diariamente.
Não raras vezes, ouço as descrições babadas do meu marido e da minha mãe sobre as novas amizades que o Vicente fez no jardim por trás da nossa casa, e tornei-me "pro" a pedir resumos ao meu homem dos mails que a Educadora manda para os pais, e do que ela tem dito sobre a evolução do Vicente de cada vez que ele o vai buscar à creche. Também me tornei "pro" em fingir que acredito que a minha presença física não faz assim tanta falta ao meu bebé, porque tem a sorte de ter o melhor pai do mundo e uns avós e manos cinco estrelas, que mascaram todas as minhas ausências e substituem de forma irrepreensível todas as minhas faltas. Finjo acreditar que somos todos super heróis, a começar por mim, claro está.
Dizer-vos que não há almoços grátis e que o melhor dos dois mundos só existe nos romances de Domingo à tarde.


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

10 ideias para levares contigo...*




Comecei este post dedicado ao meu filho,dois dias antes de ele ir para a China, mas faltou-me o ânimo para o acabar. Agora, com o coração mais sereno, aqui fica...

"1. Aproveita cada momento, mesmo que saibas que tens o mundo  pela frente e mesmo que aches que nada será tão interessante como aquilo que ainda está para vir; 
2. Não percas tempo a pensar nas saudades que temos tuas, mas tenta matá-las de vez em quando; liga, responde às mensagens e fala connosco mais que 30 segundos;
3. Em momentos chave (tu lá saberás quais são), lembra-te daquelas frases feitas com que te bombardeei desde que te conheces: "liberdade com responsabilidade" e "pensa pela tua própria cabeça";
4. Nunca duvides, por um nanosegundo sequer, do amor imenso do mano Vicente; és o mano mais velho, a referência, o Rei Leão da vida dele e esse estatuto é eterno e imune a qualquer distância;
5. Usa o aparelho, ou os dentes desarrumam-se;
6. Se te cruzares com uma coisa que gostes muito de fazer para a vida, agarra-a com unhas e dentes; se isso não acontecer, não faz mal, tens tempo;
7. Bem sei que és económico nas palavras e nos gestos, mas lembra-te de abraçar e de beijar quem achares que te merece. Juro que vais gostar;
8. Tenta não roer as unhas; 
9. Liga aos avós e responde-lhes às mensagens;
10. Prepara-te: no Natal vais ser padrinho de um puto fofo chamado Vicente!"

*Decidi escrever estas ideias depois de ler o livro do Pedro Rolo Duarte durante as férias "Não Respire", no qual ele refere que fez algo parecido quando o filho viajou com a mesma idade do Duarte.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Síndrome do Ninho Vazio [ou um coração entre dois Continentes]



Desde o dia 14 de Agosto que o meu coração passou a viver entre dois Continentes. No meu telemóvel pus a hora e a temperatura de Chongqing e o whatsApp tornou-se a minha aplicação de eleição (passo a publicidade). Sempre que acordo a meio da noite, pergunto-me o que estará o meu filho a fazer, porque as minhas noites são os dias dele e isto de vivermos ao contrário é esquisito. A madrugada tem sido o pior período do dia, porque é quando acordo, ainda meio ensonada, que tomo consciência da sua ausência no quarto em frente; da sua ausência prolongada. Ele não virá depois da visita de estudo, nem depois de uns dias passados nos avós. Ele virá no Natal. E depois, virá no Verão.
O pai partilha fotos da apresentação na escola (sim, as aulas começam já na 2ª feira!), e da própria escola, digna de revista. Vejo uma fotografia do Duarte, homenzinho como eles só sabem ser longe das mães, um sorriso largo, feliz. Tento infantilmente ler-lhe os pensamentos, se tem medo, se está ansioso, se contente da vida. E numa existência agora meio bipolar, emociono-me de alegria e frustração, porque pela primeira vez, não estou perto em momentos chave. Não conheço a escola, nunca falarei com nenhum professor nem com nenhum colega, limito-me ao que é enviado por whatsApp pelo pai e que guardo religiosamente no telefone, numa tentativa de lhe conhecer as rotinas e de não lhe perder o rasto.
Acho que a isto se chama "dores de crescimento", será isso? Também se chama Síndrome do Ninho Vazio. Dar nomes às nossas angústias e aos nossos medos não resolve, mas ajuda. Saber que milhões de mães (e pais) espalhados pelo mundo inteiro já passaram, ou estão a passar por isto não resolve, mas ajuda. Saber que o nosso filho voou, mas está feliz não resolve, mas ajuda. Saber que está bem amparado não resolve, mas ajuda. Ter vida para além da vida dos nossos filhos não resolve, mas ajuda.
Acho que por hoje, é isto.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Os acontecimentos acontecem. As histórias são da nossa autoria.


Hoje dei dois abraços apertados no aeroporto: ao meu filho que se ia embora e à outra Marta da vida dele, a (mãe)drasta. À minha homónima no nome e na vida, pedi ao ouvido que tomasse conta do meu menino e que estivesse atenta aos seus silêncios. Garantiu-me que sim, num compromisso selado com aquele tipo de abraço que não precisa sequer de palavras. A Marta poderia não ter dito nada e só abraçado, que eu teria ficado igualmente descansada.
Nada é branco ou preto. Madrastas, padrastos, separações, divórcios. Palavras a que damos o significado e a significância que escolhermos.
Para o melhor e para o pior, não controlamos os acontecimentos da nossa vida, mas temos o super-poder de escolher as nossas narrativas, as que contamos a nós próprios e aos outros.

E voou...


[14 de Agosto de 2018, Aeroporto de Lisboa, 6h30]

domingo, 12 de agosto de 2018

Este post é para ti, puto!


De todos os teus irmãos, sempre foste o mais económico nas palavras e nos gestos. Ainda me lembro de quando te ia buscar ao jardim-de-infância e no carro te perguntava como tinha corrido o dia, e me respondias com um lacónico "bem", mergulhando num silêncio que acho que só a mim me desconfortava. Tu ficavas impecável, sempre ficaste impecável com os silêncios.
A tua pouca necessidade de palavras foi uma luta para a minha natureza verbal, às vezes histriónica. Logo eu, que vomito as emoções com frases seguidas, estreei-me na maternidade contigo, omisso nas palavras e fugidio ao toque. Foste o meu maior desafio e o meu primeiro grande Amor, essa força maior que, felizmente, não se mede em minudências gramaticais.
Talvez tenha sido por isso que desabei quando te vi chorar copiosa, mas silenciosamente (lá está!), quando assististe à morte do pai do Rei Leão na cassete VHS que repetiste tantas vezes no quarto dos brinquedos. Ou quando te desfizeste em lágrimas, já bem mais velho, a ver um filme de um cão que quando o dono morreu, ficou especado ao lado do caixão, e de lá não saiu. Também ainda me desconcerto com o facto de continuares a dormir com o teu Johnny-cão desde os 3 anos, e de o levares contigo depois de amanhã, para o outro lado do mundo.
Não me estico mais, não te preocupes. Isto tudo é só para te dizer que te adoro, que és um sortudo por teres uma família gigante que te ama tanto, e que estaremos sempre aqui. E que não vou chorar no aeroporto. E que quando tiveres saudades nossas, estamos todos (eu, os manos, o Rui e os avós), metidos no Johnny-cão. Mas mais importante, enfiadinhos para sempre no teu coração.
Amo-te, puto.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Quantas vidas cabem numa vida?

Juvenália de Oliveira Fotos e Histórias
Numa vida cabem muitas vidas, assim tenhamos coragem de as viver. Se a mudança dá medo? Dá pavor; um pavor que pode paralisar ou apelar à acção. Depende do grau de "quase morte" em que estejamos. Ou do grau de consciência. Eu explico: mudamos impelidos por duas razões, porque estamos plenamente convencidos das melhorias que essa mudança trará às nossas vidas ou por pura sobrevivência. Já alguma vez sentiram que se nada fizessem, morreriam aos bocados, sem ninguém dar conta? É isso.
Uma sugestão: chegar a esse limite é perigoso. Tentemos antecipar a morte anunciada e tenhamos a coragem para fazer o que tem de ser feito, no tempo certo. Se dá medo? Já disse, dá pavor. Mas já olharam bem esta foto?

domingo, 5 de agosto de 2018

Aproveitar cada dia!


Faltam exactamente nove dias para o meu filho mais velho ir viver um ano para a China com o pai. Duzentas e dezasseis horas da sua presença, que nunca chegarão para tudo o que agora acho que poderíamos ter conversado e nunca conversámos, para todas as coisas que poderíamos ter feito juntos e nunca fizemos, e para todos os beijos e abraços que demos, mas que nunca serão suficientes para apaziguar o número de horas que ficarei sem poder fazê-lo.
Vivamos a presença dos nossos filhos sem a arrogância da certeza da infinitude. Saibamos sempre aproveitar o momento sem a antecipação da perda anunciada, mas com a sabedoria necessária para aproveitar tudo, todas as fases, as fraldas, as birras, as noites mal dormidas, as crises existenciais, a idade do armário, os amuos, os atrasos, os olhos a rebolar. É porque são mesmo só fases, e um dia acordamos, e elas far-nos-ão uma falta do caraças.

sábado, 4 de agosto de 2018

Vamos falar de tatuagens?


Anita La Sainte Tattoo Art
Embora estejamos em pleno século XXI, o preconceito associado a quem se tatua ainda é enorme, mesmo que muitas vezes encapotado. Umas pessoas sem dar conta, outras plenamente conscientes disso, associam as tatuagens a criminosos, rufias, irresponsáveis, toxicodependentes e/ou alcoólicos, tipos violentos, dignos de pouca confiança, má rês. Os chavões poderiam continuar indefinidamente, e infelizmente, sempre negativos. Ao fim ao cabo, é de rótulos que estamos a falar e como todos os rótulos, são profundamente limitadores e estigmatizantes. 
É preciso quebrar este preconceito e racionalizar. Senão vejamos: sou assistente social, mãe de 4 filhos e, neste momento, a exercer um cargo de chefia na função pública. Tenho dez tatuagens, a primeira feita perto dos 40 e as outras nove depois disso. Sempre fui tida como alguém responsável, competente e confiável. Pergunto se o facto de ser uma mulher recentemente tatuada mudou alguma coisa a este nível. Pergunto se as minhas 10 tatuagens significam que, repentinamente, deixei de ser a mulher que era e me transformei no rótulo. Isto parece óbvio, mas acreditem que não é. E são estes preconceitos que nos limitam tantas vezes a tomar decisões: o que pensarão no local de trabalho; o que pensarão os pais, e por aí adiante.
Dizer-vos que o estigma no local de trabalho cabe também a cada um de nós quebrar; somos os mesmos profissionais e mantemos as mesmas competências, certo?
Quanto aos pais, dizer-vos com toda a generosidade que é bem mais saudável assumirmos a nossa matriz (no que quer que seja), com eles em vida, que aguardando pelo dia em que já não estarão connosco. A maior tristeza na relação entre pais e filhos é fingir uns vida inteira. Fingir que gostamos de um emprego que nos faz tremendamente infelizes, fingir que estamos felizes num casamento miserável, fingir sobre a nossa orientação sexual, fingir que somos alguém que não somos. A maior tristeza na relação entre pais e filhos é a personagem que às vezes criamos para não desiludir, para não entristecer, para não zangar. É assustador sermos uma farsa em nome do Amor. E é perigoso, porque facilmente pode resvalar em ressentimento.
Com isto não quero obviamente dizer que todos temos que gostar de tatuagens. Ninguém é obrigado a gostar de nada. Eu não gosto de piercings no umbigo, porque nunca toquei no meu (isso daria um novo post!), detesto pezinhos de coentrada e cabidela e nunca pintaria o meu cabelo de loiro platinado, nem na fase em que queria ser a Alexandra Lencastre. É mesmo verdade que "gostos não se discutem". Sejamos felizes e livres, porque grande parte das nossas "prisões" mora na nossa cabeça.



segunda-feira, 30 de julho de 2018

Cara de férias com 4 filhos...


Só há duas maneiras de encarar isto:
1. Com uma certa dose de loucura/taralhoquice;
2. Com uma certa dose de desespero/desesperança.

Façam assim: adivinhem qual é a minha e a dele e escolham a vossa. E partilhem, já agora.
Obrigada.

sábado, 28 de julho de 2018

Os meus números!




44 anos. 4 filhos. 2 casamentos. 1 divórcio. 10 tatuagens. 1 prótese craniana.   2 pares de sogros. 3 famílias. 2 vidas. 0 irmãos de sangue. 2 irmãs de coração. 3, se calhar. 2 pós-graduações. 5 namorados. 6, se calhar. 1 licenciatura. 1 livro. 2, se calhar. 4-7-74, 1 capicua. 2018, ninho um bocadinho vazio. 2 cidades. 3, se calhar. 1 grande amor. 
Quem me conhece, sabe que os números não são o meu forte, mas os meus fortalecem-me.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Se alguém da tua família está a passar por uma separação ou por um divórcio, este post é para ti!



Uma separação ou um divórcio nunca são um assunto que implica apenas quem se separa ou divorcia. É um assunto dos filhos, isso é certo, e escreverei por aqui sobre eles muitas outras vezes. Mas é também um assunto que implica as famílias do casal que se separa ou divorcia.
Este mundo à volta do casal pode ser contentor ou disruptivo; pode contribuir para a paz ou pode instigar à guerra. Com isto não quero dizer que existam bons e maus da fita, vítimas ou vilões. Quero apenas dizer que no meio do sofrimento e da confusão de emoções que uma separação gera sempre, há muitas maneiras de reagir e há muitas histórias pessoais que vêm ao de cima, como quando o azeite se mistura com a água. E nem todas apelam à paz...
Para os pais que terminam uma relação e que têm filhos à sua responsabilidade, o momento é crítico, provavelmente, dos mais críticos que terão de atravessar. De modo que a postura da família é crucial para ajudar a manter a serenidade ou para criar ainda mais conflitos. É preciso ter esta consciência clara para tomar a decisão certa e para evitar atear fogos desnecessários.
Este post é, portanto, para todos aqueles que giram de perto à volta de um casal que se separa. É para vos dizer que são peças fundamentais para ajudar a estabilizar os adultos e as crianças envolvidas por consequência, e que podem fazer toda a diferença no meio do tsunami que aquela família (que também é vossa!), está a atravessar neste exato momento.
Sentir as dores daquele que é sangue do nosso sangue faz parte, somos todos humanos. Assistir ao sofrimento de quem nos é querido pode tirar-nos do sério, de modo que a via mais fácil é, muitas vezes, a crítica, a procura desenfreada de um culpado (que raramente é aquele que mais amamos),  a raiva e o rancor que nos levam a perder o pé e a dizer o que não queremos, tantas vezes à frente das crianças.
Lembrar-vos que nenhuma história é linear e que a história de um divórcio, em particular, nunca é só uma. A minha história é diferente da do pai dos meus três filhos mais velhos e é mesmo assim. Somos diferentes e cada um de nós "leu" o acontecimento "separação" de maneira diferente.
A todos aqueles que giram à volta de um divórcio, dizer-vos que a única história que interessa é aquela que passará a ser escrita, e que ela depende também de vocês, acolhendo a dor, apaziguando as mágoas e o rancor e ajudando a olhar para além da circunstância atual, assustadora, instável e ilusoriamente solitária.
Querem ajudar?
Ouçam sem emitir juízos de valor.
Abracem e ofereçam o ombro e o colo e refeições quentes e a casa, se preciso for.
Esqueçam frases como "eu avisei!" ou "eu bem te disse que ele/ela não prestavam!".
Fujam das verdades absolutas e das histórias lineares, como o Diabo da cruz.
Ofereçam colo e sopa e gelados aos miúdos.
Repitam as vezes que forem precisas que vão estar sempre ali, de pedra e cal.
Limitem-se a dizer as verdades que puderem ser assimiladas no momento.
Permaneçam.

Foto de família


Sou nostálgica e um nadinha saudosista, traços que tento conter a duras penas, porque sei que o devir é o que me resta; o passado é só passado. Mas há momentos em que não consigo evitar um nó no estômago, como quando tiro esta foto, que repetimos todos os Verões. É através delas (das fotos que se repetem), que comparo fases, alturas e humores. É através delas que vejo o tempo a passar, doce e duro e imparável.

sábado, 14 de julho de 2018

Eu tenho um sonho...

Revista Activa, Março 2018

Gostava que todos os pais desavindos do mundo, escolhessem a felicidade dos filhos ao invés do orgulho ferido e da instrumentalização.
Gostava que separassem as águas da parentalidade e da conjugalidade e que nunca desistissem de ser pais, nem os adultos da jogada.
Gostava que continuassem a lembrar-se das razões porque algum dia se terão apaixonado e que essas razões fizessem perpetuar o respeito e a confiança mútuos.
Gostava que abandonassem as histórias binárias e infantis do "bem e do mal" e do "preto e do branco", e que vissem as cores de todas as narrativas e de todas as pessoas.
Gostava que os pais escolhessem sempre os filhos, independentemente de todas as suas outras escolhas.
Eu tenho um sonho...
Gostava que todos os pais desavindos do mundo nunca deixassem de ser pais de filhos felizes, mesmo não vivendo juntos, nem querendo mais estar juntos. Os filhos serão sempre a sua história conjunta e eterna.
Que o meu sonho seja também o vosso.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Ninho vazio


Acordei uma noite destas com esta tatuagem na cabeça. Quatro pássaros a sair do ninho, a baterem as asas e a fazerem-se à vida, como tem de ser.
A ideia não veio por acaso. Falta pouco mais de um mês para o meu filho mais velho viajar para a China, e ficar por lá um ano com o pai. Sei disto há muito tempo, mas não tenho conseguido escrever sobre o assunto. À família e aos amigos, desdramatizo, relativizo, desvalorizo. Vai fazer-lhe bem, vai crescer, vai ganhar mundo. Vai. Vai isso tudo. Mas não há volta a dar: o meu bebé vai embora. Vai.
Na minha pele, contudo, ficará para sempre.

domingo, 8 de julho de 2018

Qual é o teu tema de vida?


Ontem terminei oficialmente a minha Pós-Graduação em Mediação Familiar. Quem me vai seguindo por aqui, sabe que é um tema de vida, porque os meus pais separaram-se há vários anos e eu separei-me do pai dos meus três filhos mais velhos, há outros tantos. As minhas circunstâncias pessoais fizeram com que soubesse de cor o "sabor" do divórcio na qualidade de filha e de mulher-mãe que decide acabar um casamento, e estes "dois lados da barricada" deram-me perspectiva e uma obsessão por aprender mais sobre o tema da separação, do divórcio e da gestão dos conflitos inerentes.
Ainda sem aprender um mundo de coisas com as senhoras desta foto, já me recusava a acreditar no estigma das "famílias inevitavelmente destruídas pelo divórcio" e dos "filhos do divórcio". Não há "filhos do divórcio", há filhos de pais que se divorciam e que têm que aprender a viver nessa sua nova circunstância. E essa nova circunstância depende do que os adultos fazem dela e como se posicionam perante ela, facto que faz toda a diferença na vida dos filhos, isso sim.
Sei, na pele, que não é fácil. Sei que, mesmo para quem tomou a decisão da separação, como foi o meu caso, terminar um casamento é duro. Muito duro. Sei que a vida fica virada do avesso, de pernas para o ar, sei que falta o ar, que achamos que nada mais vai ser como antes. Sei que para as mães conscientes (e para os pais conscientes, sejamos justos), que tomam essa decisão difícil, morrem de medo de ter destruído a vida dos filhos. Sei disso tudo. E também é para ajudar nisso que a Mediação existe. 
Acreditem que também sei que há uma luz ao fundo do túnel, sei que a felicidade e a estabilidade dos filhos dependem directamente da felicidade e da estabilidade dos pais, e sei que é legítimo procurá-la. Façamos, contudo, a coisa bem feita. Procuremos ajuda terapêutica, se precisarmos, procuremos a ajuda de um Mediador (coisa diferente, não baralhemos as estações), façamos das tripas coração, Pais, para estarmos com a cabeça no lugar, porque é com a nossa cabeça no lugar que acertamos o lugar do coração dos nossos filhos.
Este é o meu tema de vida. Obrigada à Red Apple (e à Ana Varão e à Isabel Oliveira), por me terem devolvido o sonho.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

4-7-74



Desde que me conheço que ouço a minha mãe dizer que a minha data de nascimento é capicua, e que isso dá sorte. Tem dado. A Vida tem sido generosa comigo, porque embora dura em muitas ocasiões, não se tem furtado a mostrar-me caminhos.
Certo é, que também não me tenho furtado a segui-los, uns mais doces que outros, caminhos que vão dar a outros caminhos, encruzilhadas, trilhos, auto-estradas, passeios e estrada de gravilha.
Nestes 44 anos de vida, nunca nenhum me levou a um beco sem saída, porque mesmo os becos sem saída têm uma: voltar para trás e começar de novo. Contar até dez, respirar fundo, e recalcular a marcha.
"Recalculando", diz a senhora do meu GPS. Recalculando. Recalculando sempre.
E não é isto, a Vida?

[obrigada por continuarem aí desse lado, mesmo com todas as minhas ausências. Continuarei por aqui, a recalcular]

domingo, 17 de junho de 2018

11 anos de ti!


Há um ano tiveste um dia terrível. Tinha sido Pedrogão e umas das maiores tragédias nacionais, vieste de uma viagem desidratada e doente, soubeste que não podias ir à China visitar o pai. Choraste muito no teu dia de anos e quando, no seguinte, soubeste que a viagem estava fora de questão, vi-te numa tristeza como nunca antes. Disseste que a entrada nos 10 anos foi o pior dia da tua vida e eu, impotente, senti-me a pior mãe do mundo.
Este ano, compensámos isso e tiveste o aniversário cheio que merecias. Amo-te, miúda.

domingo, 27 de maio de 2018

Os meus filhos não te bastaram [e ainda bem]

Juvenália de Oliveira Fotografia
Disseste-me sempre que não precisavas ter filhos, porque os meus te bastavam. Eram teus, também. Pelas vezes que lhes contavas histórias à noite, pelas idas e vindas da escola, pelos abraços, pelos desabafos, pelo colo sempre aberto, pelas preocupações, pelas alegrias, pelo apoio nos pequenos fracassos e pela cumplicidade nas grandes vitórias. 
Disseste-me sempre que não precisavas ter filhos e sei que nunca me mentiste. Mas agora, desde há dois anos, sei que mentias a ti próprio. E que apesar de tudo o resto ser verdade, há verdades que são elásticas e que esticam, esticam, como o teu coração.