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terça-feira, 26 de julho de 2016

Os meus filhos têm os melhores avós do mundo!

Quando me separei do pai dos meus três filhos mais velhos, fiz sempre questão que mantivessem os laços com a família paterna. Nunca é demais lembrar que são os pais que se separam e não os filhos, e é tremendamente injusto {e em tantos casos, criminoso}, impedir os miúdos de conviverem com a família de uma das partes, isto para já não falar do contacto com um dos progenitores.
Não vou mentir, nem sempre é fácil. Nos primeiros tempos, podem haver mal entendidos, palavras que ficaram por dizer, algum rancor, orgulho ferido. Mas é preciso passar por cima disso e fomentar os vínculos familiares dos nossos filhos, porque trata-se de património que é deles e não nosso. Património que lhes pertence por direito.
O resultado deste investimento não tem preço. Os meus filhos têm, de facto, os melhores avós do mundo, e essa aposta dá frutos. Netos amados são putos felizes e com história, porque os avós têm esta capacidade mágica de criar memórias e de, com isso, ajudar a construir identidade e sentimento de pertença.

Não acredito que leiam este blogue mas, ainda assim, agradecer publicamente ao avô Xi e à avó Xia a sua presença e amor constantes na vida dos meus filhos. Já vos escrevi um dia e repito: são os melhores avós do mundo.

PS: mãe e pai, sobre o amor pelos vossos netos, não preciso falar :)

Eterna Vitória

Foto: Pau Storch

Ela foi quem mais achei que pudesse vir a ressentir-se com a chegada do mano. É a mais nova dos três, menina única desta família grande e filha do coração do seu {pai}drasto, a quem ensinou o que é isto do amor incondicional. Quando soube que eu estava grávida de um menino, chorou de desgosto, porque a ser "destronada", mais valia que fosse por uma irmã chamada Mariana. Acalmou quando lhe explicámos que continuaria a ser a única princesa da família, e ficou francamente mais descansada quando percebeu que os meus sapatos e os meus anéis só teriam como único destino os seus pés e os seus dedos. Minudências que só as mulheres entendem!
Hoje, passados dois meses de Vicente, a Vitória cresceu mais um bocadinho e embora lhe veja, de vez em quando, alguns sinais de chamada de atenção, está rendida ao mano. Lambuza-o de beijos, envolve-o de abraços ternos e olha-o com aquela cara de amor que não engana.
Ontem pediu ao Rui mais um irmão. Queria que "ele tratasse disso", como se fosse assim tão simples. Não, não vamos ao quinto filho, mas sabe-la apaziguada com este furacão que entrou na sua vida, basta-nos.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

42 já cá cantam!

Foto: Pau Storch

Mudei drasticamente a minha vida aos 37 e nas vésperas de fazer 42, voltei a dar-lhe uma volta gigante: esta aventura em que entrámos, a maior do nosso mundo em comum.

Hoje é dia de celebrar a minha provecta idade e esta família grande, barulhenta e maravilhosa que temos. Vamos a isso!

[amanhã mostro as outras fotos lindas que o Pau Storch nos tirou!]

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Odeio números, mas a matemática do Amor já não me assusta!


A adaptação da família ao Vicente tem sido mais fácil do que estava à espera. Não fossem as noites mal dormidas, arriscaria dizer que a coisa tem sido muito pacífica, porque com as idades com que os irmãos já estão, não me parece que se sintam tão "ameaçados" com a chegada de um bebé, como se fossem mais novos ou como eu temia.
A nossa preocupação maior tem sido a manutenção do vínculo dos três com o Rui, para que não sintam a sua relação com ele posta em causa com a chegada do Vicente, mas acho que temos conseguido gerir a situação, tentando que todos mantenham as mesmas rotinas. O Rui continua tão presente na vida dos três como de costume: leva o Duarte às suas primeiras saídas, deita a Vitória, vai ao parque ao final da tarde com a família inteira, é confidente dos rapazes. Tem feito um enorme esforço para estreitar ainda mais a sua relação com os miúdos, num exercício que me comove muito e que valida tudo aquilo que já sabia: que o Amor não se divide, mas multiplica-se infinitamente.
E se isto é válido para o meu marido, também é para mim enquanto mãe. Desta vez, não fui assolada pelo medo de dividir amor vezes quatro. Sou péssima a números, mas a matemática dos afectos já deixou de me assustar, porque se trata de uma aritmética tão simples, esta, onde só há lugar a duas operações: a adição e a multiplicação.  

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Dias do caraças [e felizes!]

Foto: Pau Storch

Os dias continuam a um ritmo só nosso, à mercê dos horários ainda muito irregulares e exigentes do Vicente. Faço um esforço para manter as rotinas possíveis pelos meus três filhos mais velhos, e confesso que tem ajudado o facto das escolas já terem acabado, porque fica tudo mais flexível: a hora de deitar e das refeições, o ritmo do dia, a ausência de TPCs e de sessões de estudo. Mas agora que o meu marido voltou ao trabalho, é mais difícil gerir a confusão do quotidiano, sozinha com quatro crianças em casa.
Ainda assim, seria tremendamente injusta se não falasse das ajudas preciosas que tenho tido: da minha mãe {porto de abrigo constante}, dos meus três filhos {a quem agradeço o amor que têm demonstrado pelo mano e a ajuda que, cada um à sua maneira, me tem dado}, e dos avós paternos dos  três {cujo apoio neste processo tem sido tão discreto, quanto generoso}. De cada vez que vejo a preocupação que têm pelo Vicente e a ajuda que me vão dando com os netos para aliviar as rotinas diárias, penso como o tempo, de facto, opera milagres. E como as famílias podem assumir tantas formas, tamanhos e estilos diferentes, em nome do Amor.
Estes dias têm sido tão duros, quanto felizes. E ao contrário de outros tempos, tomo consciência da passagem voraz disto tudo e gozo cada segundo. Porque agora já sei que nada se repete.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Numa família, o casal vem primeiro [leiam até ao fim, antes de dizerem que não]


Sempre que penso no que tem funcionado melhor na construção desta nossa "nova família", deparo-me com uma verdade da qual não consigo fugir, mas que mal explicada pode ser erradamente interpretada: o facto da minha relação com o meu marido vir em primeiro lugar.
Não se apressem já a criticar. Esta constatação não decorre de nenhuma insensatez, nem embriaguez da minha parte com este segundo casamento, nem resulta de egoísmo ou negligência de nenhuma espécie. Vejo a coisa exactamente ao contrário: o meu foco está no nosso casamento e na forma como o vamos gerindo diariamente, umas vezes melhor que outras. Opto conscientemente por dar prioridade à saúde da nossa relação, porque aprendi que dela depende directamente a saúde e a harmonia desta família que construímos em conjunto. "Gasto" tempo a fortificá-la e a alimentá-la todos os dias, porque sei agora que ela não resiste sem tempo e dedicação. E que de nada terá valido o investimento nesta reconstrução familiar  e numa nova oportunidade ao Amor e à esperança, se for para voltar a perder-me do essencial: só consigo fazer os outros felizes quando me sinto feliz.
Bem sei que encontrar o equilíbrio entre o investimento na relação conjugal e nas outras todas que são relevantes para nós, é difícil. E arrisco dizer que se já é complicado nas famílias ditas "tradicionais", mais será nas recompostas. Os desafios diários para estas últimas, às quais agora pertenço, são imensos: a gestão da relação com ex-maridos/ex-mulheres e a inevitabilidade de partilharmos para sempre filhos em comum; a gestão da relação com a família alargada dos filhos, à qual já pertencemos e que tivemos de aprender a reposicionar na vida e no coração; a gestão da relação com amigos que eram comuns ao casamento que terminou e que, graças à sensatez de ambas as partes, se têm mantido de pedra e cal e que também é preciso "regar"; e a mais importante destas todas: a gestão da relação com os filhos, que já sentiram na pele e na alma a falência do casamento dos pais. Os mesmos filhos que só têm a ganhar com o sucesso desta reconstrução familiar, a bem do seu crescimento emocional e da fé inabalável em relações que funcionam, mesmo que para lá chegarem, tenham que fazer um caminho sinuoso. Será sempre menos penoso, se lhes for permitido acreditar no Amor.
Numa família, o casal tem precedência a bem da saúde de todos os que a constituem, e esquecer-me disto é voltar a cometer o mesmo erro. Já aprendi a lição.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Pai e padrasto

Foto: Pau Storch

Meu amor,

Apesar da exaustão em que te encontras nestas últimas semanas, vejo a forma como olhas o nosso bebé e leio o que se passa contigo: a incredulidade disto tudo, o mistério, o paradoxo do amor incondicional a descer sobre ti como uma maldição e uma benção. Sei exactamente onde estás, reconheço esse sentimento do caraças e dou-te o colo que precisares, o mesmo que me dás todos os dias.
Apesar desta avalanche de sentimentos, continuas a gerir com mestria o facto de seres padrasto de outros três milagres da tua vida. Mesmo quase sem dormir, levas e trazes os putos das actividades, preparas almoços e jantares {já que ao lado tens uma mulher zombie o dia todo}, rebolas no chão a brincar, fazes desenhos, tens conversas sérias, zangas-te sempre que é preciso, esforças-te por manter as rotinas do nosso "antes de Vicente", porque sei que precisas provar que nada mudou.
Por mais que tente perceber o reboliço de sentimentos que te enchem por estes dias, não estou na tua pele. Não sou madrasta de ninguém, "apenas" mãe de quatro, e não imagino o que seja gerir este tsunami de emoções em que te vês mergulhado. Sei que estás numa fase de adaptação às novas rotinas mas, mais que isso, de afinação de sentimentos, não porque diminuíste a capacidade de amar mas, ao contrário, porque o teu coração expandiu à bruta e é preciso reencontrares o equilíbrio.
Ainda não falámos sobre nada disto, porque não conseguimos. As mil e uma tarefas diárias e o cansaço extremo não deixaram. Mas se leres isto, quero que saibas que percebo exactamente onde estás. E que te adoro ainda mais.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Socorro,vivo com o padrasto dos meus filhos!



Foto: Vera Marmelo


Os amigos e família chegada dizem-me muitas vezes que os meus três filhos tiveram muita sorte com o padrasto. E têm razão. Sobre essa sorte, aliás, já falei AQUI. De facto, ao longo dos anos tenho escrito muitos posts sobre como tem sido comovente assistir à entrega e compromisso diários do meu marido com filhos que não gerou, mas que também lhes pertencem no coração, e de como esse amor por eles tem contribuído para fazer crescer o nosso, já que um não existe sem o outro. São duas faces da mesma moeda. 
Ser padrasto/madrasta - esse nome feio que os contos de fadas eternizaram tão injustamente, está na maioria dos casos {e felizmente}, muito longe do cenário assustador e castrador com que fomos bombardeados nas histórias de infância, e tudo o que sirva para desmistificar o seu papel ingrato, é serviço público para as nossas crianças. Ainda assim, amar e viver com o padrasto dos nossos filhos nem sempre é fácil, porque há muitas frentes para gerir desde o "momento zero", isto é, aquele exacto instante em que aquela "nova pessoa" começa a fazer parte da vida dos nossos filhos. 
Da minha experiência e do que tenho vindo a reflectir sobre o assunto, acho que há 7 regras básicas que facilitam o processo:
1. A entrada de um(a) padrasto/madrasta na família implica tempo, mas um tempo contado na proporção das crianças e nunca dos adultos. As horas, minutos e segundos dos miúdos são diferentes dos nossos e não adianta apressar nada, ou corremos o risco de estragar tudo;

2. Dependendo da idade das crianças e do seu nível de maturidade, assim lhes deve ser explicado quem é aquela “nova pessoa” e que significado tem para a mãe/pai. Na minha opinião, dizer que se trata de um amigo(a), quando as crianças assistem a manifestações que não temos com os nossos amigos, é enviesar o teor das relações sociais e amorosas e mostrar-lhes que a mentira está autorizada. 

3. O amor pelo progenitor que não está a coabitar com as crianças nunca deve ser posto em causa, nem questionado de nenhuma forma. É fundamental que as crianças percebam desde o início, que a “nova pessoa” não vem substituir ninguém, nem ocupar o lugar de ninguém nos seus corações. O pai/mãe sê-lo-ão para a eternidade, e a entrada daquela “nova pessoa” nas suas vidas nunca porá esta verdade absoluta em causa;

4. É proibido criticar o pai ou a mãe com quem a criança não está no momento. Esta é outra verdade absoluta quando reconstituímos uma família, e é vital para a felicidade dos filhos e para a saúde deste novo núcleo familiar;

 5. A responsabilidade da educação dos filhos é sempre do pai e da mãe. E as grandes decisões (relacionadas com a escola, com as actividades extracurriculares, e outras que tenham que ver com questões essenciais para o projecto de vida das crianças), deverão ser tomadas pelos pais. Verdade absoluta. Ainda assim, a “nova pessoa” deve ter uma palavra a dizer, a partir do momento em que integra aquele agregado familiar. Pode e deve opinar e ser um apoio do pai ou da mãe (dependendo do caso), na tomada de decisões. Deve, igualmente, participar activamente na educação das crianças, porque não é invisível, nem é de ferro. Vive lá em casa, e deve ser mais um elemento a contribuir para a sua formação pessoal. E muito importante, deve estar em linha com o pai/mãe das crianças e deixar-lhe, sempre, a decisão final;

6. Se for possível fomentar um relacionamento saudável entre a “nova pessoa” e o pai/mãe das crianças, tanto melhor. Os miúdos agradecem e os adultos suspiram de alívio pela paz instalada. Há momentos de inevitável encontro (festas da escola, aniversários, …), e manter um relacionamento afável, ajuda. Mas se isso não for possível, não vale a pena dramatizar nem fazer disso um “cavalo de batalha”. As batalhas devem ser estrategicamente escolhidas e, normalmente, quem passou por um divórcio já travou umas quantas. O tempo pode resolver a questão. Ou então, bastam doses q.b. de boa educação e sensatez em momentos-chave;

7. A comunicação entre o pai e a mãe das crianças é sempre da responsabilidade dos adultos e nunca deve ser delegada nos filhos. São os adultos que devem encontrar uma plataforma de entendimento, sem nunca utilizar as crianças para recados e picardias que não lhes cabe a eles gerir.


Nota: estas regras básicas são fruto da minha experiência enquanto filha de pais separados, de mulher divorciada do pai dos meus três filhos mais velhos e de muitas leituras que tenho feito sobre os temas do divórcio e das famílias recompostas. Não sou especialista na matéria, pelo que valem o que valem.
Se quiseres partilhar as tuas regras básicas {aquelas que funcionam na tua realidade}, envia mail para martamoncacha@gmail.com

Obrigada!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

As crianças, as mudanças e o Amor



Com a chegada do mano, a família dos meus três filhos mais velhos voltou a mudar. Os últimos anos têm sido, aliás, especialistas em mudanças para aquela malta pequena: o divórcio dos pais e as alterações inerentes, a chegada de um padrasto às suas vidas diárias, o nascimento do Vicente. Apesar disto, vejo-os resolvidos com a vida que têm. Encaram a família alargada como uma sorte extra e usufruem desta sua realidade com a naturalidade de quem não tem gente a complicar à volta.
Sei, no entanto, que a arte de descomplicar a vida dá trabalho. É preciso que os adultos ganhem a perspectiva necessária, que valorizem, de facto, o interesse superior das crianças, e que o defendam  com unhas e dentes acima de todos os conflitos, de todos os orgulhos feridos e de toda a tristeza inerente. E isso nem sempre é fácil, mas é possível. Como? Respeitando os milagres que o tempo opera e, no entretanto, evitando guerras desnecessárias, mesmo que isso implique engolir alguns sapos. Acredito mesmo que aprender a escolher as batalhas que travamos é uma arte preciosa na gestão de conflitos, e que vale a pena investir no seu domínio. 
O confronto com a mudança nas crianças é, no entanto, sempre delicado e é preciso estarmos atentos a alguns sinais: alterações de comportamento em casa e na escola, alheamento, tristeza e/ou sentimentos de revolta, perturbações do apetite e do sono, entre outros. Foi o que fizemos desde o momento zero deste já longo processo - o dia em que os meus filhos souberam que os pais se iriam separar, e é o que vamos fazendo até hoje, numa gestão atenta e reforçada, sempre que alguma mudança maior acontece. E não deverá sempre sempre assim, afinal?

O mano Vicente foi a mais recente reviravolta nas suas vidas e, mais uma vez, o Amor voltou a ganhar espaço e a sobrepor-se a todos os receios. E esse milagre é, por si só, um dos maiores da minha existência.

sábado, 4 de junho de 2016

Há sempre um "nós"

Foto: Juvenália Oliveira Fotografia

Os nossos últimos dias têm-se chamado "Vicente". Mas ainda assim, no meio do turbilhão de trabalho e de falta de sono em que andamos metidos, continua a restar-nos tempo e vontade para continuarmos a ser um "nós". 
E esta sensação de que não deixámos de formar uma dupla, apesar do tsunami que acabou de acontecer nas nossas vidas, faz de mim a mulher mais feliz do mundo.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Sorte ou escolha? [esta família que escolhi]


Dizem-me muitas vezes que tive sorte. Que encontrei um homem que ama os meus três filhos como se fossem dele e que isso é coisa rara hoje em dia. Será?
Digo, muitas vezes, que o meu amor pelo Rui só foi possível pelo amor que entregou aos meus filhos desde o início. Não me imagino apaixonada por um homem que não aceita a mulher que sou por inteiro e que inclui, naturalmente, a faceta da maternidade. Correndo o risco disto ser um lugar comum, dizer-vos que seria impossível sentir-me amada por alguém que não se apaixonasse perdidamente pelas pessoas que são mais importantes na minha vida. Isso seria viver uma mentira ou uma paixão com fim anunciado. Grande parte do amor e do respeito que lhe tenho depende, na proporção exacta, do investimento emocional que faz com os meus filhos todos os dias, e que me enternece. E nada disto se finge, porque o coração das crianças é como o algodão e nunca se engana.
Pergunto-me se o amor é uma questão de sorte ou uma escolha. Prefiro pensar que é fruto de uma escolha com sorte. Aquela que se faz com o coração nas estrelas e com a cabeça em terra firme.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Bebé planeado?


À pergunta se o Vicente foi um filho planeado, respondo sempre que não. Agora, no entanto, acho que tenho dado a resposta errada. A vida planeou-o por nós, esse fluxo de energia que sabe tão bem o que faz...

sexta-feira, 20 de maio de 2016

A desculpa do "desamor" não chega?

Foto: Pau Storch

No outro dia falava com uma amiga de como ainda é difícil isto, de explicar aos outros que é possível deixar simplesmente de amar alguém, e terminar um casamento por causa disso. Continua a ser mais fácil alegar "divergências irreconciliáveis" ou alguma forma de mau-trato, para justificar o desamor. A merda do desamor. Como se a partir de uma certa idade e depois de decisões sérias tomadas, deixasse de ser legítimo desamar, ou pelo menos deixasse de ser fundamento suficiente para tomar uma decisão mais radical.
Deixar de amar alguém fica, assim, renegado para segundo ou terceiro plano, uma espécie de "parente pobre" dos casamentos infelizes e uma cartada que não vale ser jogada, porque parece batota. À pergunta "porque foi que te quiseste separar?", não adianta dizer que foi porque deixámos de gostar o suficiente. Os filhos, a vida, e a "maturidade das pessoas casadas" não permitem arrufos desta natureza. Não gostar o suficiente não pode ser razão suficiente. Resultado: o preconceito a que tantas vezes se é votado por esta "resposta mal dada" pode levar a mentiras, essas sim, com repercussões graves, numa tentativa de construção de uma realidade fantasiosa que diaboliza o outro e a relação que se quis terminar, ao invés de se honrar o que de positivo se viveu em conjunto. Mas que acabou.
Já fui vítima do desamor na perspectiva de quem "desamou", e já fui desamada algumas vezes, pelo que conheço os dois lados da moeda e sei que em nenhum deles se é necessariamente bonzinho ou vilão. E também sei que, em ambos os casos, se sofre muito.
Aprendamos todos a valorizar os dois lados da barricada com dignidade, e a acreditar que não há justificações menos válidas. Há pessoas e as suas circunstâncias únicas, há estados de desamor que podem matar aos bocadinhos {ainda que haja outros que podem fazer renascer algo ainda melhor e maior}, há vidas que merecem ser renovadas e outras, ainda, que bastam ser regeneradas. Há uma panóplia de razões para acabar um casamento ou para reinventá-lo. E também há o desamor. Uma merda que não se explica, porque é difícil explicar ao outro o desencanto, mas que existe. E dourar a pílula pode ser a morte do artista.

domingo, 15 de maio de 2016

Se as famílias fossem todas iguais, isto não tinha graça nenhuma!


Esta é a "família" da minha filha, descrita pela própria num mural do ATL, a propósito do Dia Internacional da Família.
As crianças têm a capacidade de tornar simples o que, tantas vezes, os adultos complicam. E de serem generosas e transparentes, quando chega a altura de mostrar que estão felizes.

Neste Dia Internacional da Família, uma reflexão sobre a minha [repost]



Escrevi este texto sobre a minha família há exactamente um ano, e publico-o novamente porque não lhe acrescentaria uma vírgula.
[Feliz Dia da Família]

Saber que passaremos a ter filhos semana-sim-semana-não é demolidor. Uma espécie de descida ao abismo, num mundo em que tudo continua aparentemente na mesma, mas em que o nosso desmorona por completo.
Foi assim que me senti quando, no final do ano passado, foi tomada a decisão.
Nesse momento, colocam-se muitas questões, colam-se-nos muitos fantasmas, chegam-nos muitos medos. Pensamos se teremos tempo suficiente paraEXERCER a maternidade, se os nossos filhos continuarão a gostar de nós da mesma maneira, se se manterão equilibrados, se conseguiremos estar com eles como sempre estivemos: dando mimo e pregando sermões, sem a culpa que, às vezes, a falta de tempo pode trazer consigo.
Já quase passou meio ano e os meus fantasmas encontram-se serenados, porque continuo a ver os meus filhos felizes.
Acredito, agora, que as crianças têm uma capacidade quase infinita de se ajustarem a novas realidades, assim sejam amadas na justa medida. 
Ao mesmo tempo, esta nova vida faz-meCONTINUAR a acreditar que não me esgoto na qualidade de mãe, embora esse seja o papel da minha vida: o mais belo, mas o mais duro e o mais exigente. Aquele que me põe à prova todos os dias, o que me questiona a todo o momento, o que coloca tudo em perspectiva e que traz à tona todos os meus defeitos e as minhas maiores virtudes. Ser mãe faz-me descer à terra. Obriga-me a gerir a casa, a fazer o jantar, a ir ao supermercado, a ter as contas em dias. A maternidade obriga-me a ser crescida e a não me perder nos meus próprios devaneios, embora precise deles paraCONTINUAR a sonhar. Para manter a fome que tenho de me cumprir.

Neste Dia Internacional da Família, vivo uma situação familiar diferente daquela que vivi nos outros dias quinze de Maio todos.
Ainda assim, não é uma situação pior, mas apenas diferente. Um contexto que cumpre o direito que os meus filhos têm a uma vida igualmente securizante com a mãe e com o pai, ainda que em separado, e a constatação de que a instabilidade dos filhos de pais separados não advém da separação em si, mas daquilo que os adultos fazem com ela. 

sábado, 14 de maio de 2016

Dia Internacional da Família [post de véspera]

Sempre que olho para a cumplicidade destes dois, percebo que a família não pode ser, como quase nada na vida, um conceito estanque. Ao contrário, é um mundo inteiro de possibilidades que se constroem todos os dias, muito para além dos laços de sangue.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

E quando um casamento acaba depois dos 50?















Fotos: Juvenália de Oliveira Fotografia

Basta olhar à volta com atenção, para encontrarmos exemplos de pessoas que se reinventaram depois de um período crítico de vida. A autora destas fotos é uma delas. Aos 51 anos, vê-se confrontada com uma separação depois de 30 anos de casamento e de mais seis de namoro. Trinta e seis anos de existência ao lado de alguém, pouco menos que os meus anos de vida, numa geração em que o tabu associado ao divórcio e ao direito à reconstrução pelo feminino de uma vida diferente depois dele, ainda é um preconceito.
Apesar disso, esta mulher fintou o destino e deu a volta por cima. Entre muitas decisões tomadas, rumou à sua essência e ao que foi deixando para trás com a profissão de professora, a maternidade e a vida conjugal. Era agora, finalmente, tempo de retomar paixões antigas e de reinventar a rotina à sua maneira, sem limitações de nenhuma espécie.
A paixão pela fotografia foi o gatilho para esta sua redescoberta pessoal e o resultado é este que se vê, a provar que nunca é tarde para fazer o que se gosta, nem para renascer.
A autora destas fotografias é minha mãe, tem hoje 68 anos, e sempre que pode, corre o mundo atrás do cenário e da luz certos para a próxima sessão fotográfica. 
Não importa qual seja o mote para pôr o sofrimento em perspectiva e ganhar novo fôlego para voltar a viver com prazer. Pode ser a família, um novo amor, um hobby, um projecto aliciante, um salto de pára-quedas, tanto faz. Tudo é legítimo, desde que consiga o milagre de devolver a genica para acordar de manhã e o brilho nos olhos. A minha mãe tem isso todos os dias e, só por essa razão, é uma enorme inspiração.
Para conhecerem melhor o seu trabalho, visitem a sua página AQUI! Juro que vale a pena.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Casamentos falhados, lares desfeitos, famílias destruídas [vamos esquecer estas expressões?]

Foto: Pau Storch


Embora a decisão tenha sido minha, separar-me do pai dos meus filhos trouxe-me muitas angústias, porque não há decisões destas que se tomem de ânimo leve. Tive muito medo do desconhecido, de não conseguir dar conta do recado com os miúdos e com as tarefas mais básicas, de não me orientar financeiramente, de perder o pé. Acho que deve ser normal.
Numa fase posterior, preocupou-me a gestão dos filhos numa família que acabava e que deu, depois, origem a outra. Foi a entrada de um padrasto na vida deles, a saída de alguns "amigos" e a chegada de outros. E foi o distanciamento de uma família alargada que também era minha e com quem tive que reposicionar e redimensionar afectos. Foi um mundo novo, com tudo o que isso tem de assustador e de desafiante.
Hoje, passados vários anos e com a lucidez que só a distância permite, recuso-me dizer que o meu primeiro casamento falhou. As palavras têm um peso de que temos que aprender a tomar consciência, e não quero ver essa fase da vida reduzida a um "falhanço", a um mero acidente de percurso, nem a um erro. Afinal, foi a fase em que fui mãe pela primeira vez e em que repeti a experiência mais duas vezes, a que me estreei numa vida em comum, e aquela em que me descobri como mulher de alguém. 
Prefiro dizer que o meu primeiro casamento acabou, e lembrar-me que nem tudo o que acaba tem que ser necessariamente uma falha.
Foi também graças a este caminho que tenho trilhado, e do qual faz parte esta história, que tenho aprendido a dar valor às pessoas maravilhosas com quem me vou cruzando e a todas as experiências por que vou passando, e foi claramente por causa dele que descobri a minha capacidade para tomar decisões, mesmo quando não são populares. Essa, aliás, talvez tenha sido a minha maior descoberta, já que sou por natureza uma mulher que evita conflitos, mesmo quando isso implica anular-me um bocadinho.
Nada disto quer dizer que defenda a separação e o divórcio e que ache que esse é, inevitavelmente, o caminho para um qualquer crescimento pessoal. Isso seria o mesmo que defender que o cancro ou um outro trágico acontecimento de vida fosse essencial para buscarmos a nossa essência, assumpção louca e totalmente descabida. Acredito, sim, que há dores de crescimento que se manifestam de várias formas na nossa vida e que podem contribuir {assim estejamos despertos para o que podemos vir a aprender com elas}, para nos tornarmos mais próximos do que realmente somos e do que viemos cá fazer. E nada disso acontece se, ao longo do tempo, continuarmos a olhar para essas experiências dolorosas apenas com os "óculos da desgraça". Insistir em olhar para uma separação como um "casamento falhado", um "lar que se desfez" ou uma "família destruída", impede-nos de andar para a frente e, tenho a certeza, atrasa a capacidade que os nossos filhos têm de regeneração. Isto porque acredito piamente que é a forma como nós, "adultos da jogada", integramos e passamos pelo processo, que irá determinar em grande medida, a maneira como eles farão o seu próprio percurso.
Ver um casamento terminado dói, e requer que passemos por muitas etapas: a mágoa, a raiva e a dor serão algumas delas. Mas acredito que cristalizar nesse ponto pode ser perigoso, porque arriscamo-nos a deixar passar a felicidade, mesmo debaixo das nossas barbas.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

2 anos disto, de ti, de nós...





Fotos: Pau Storch


Nada é perfeito na vida e nós também não somos. Eu aturo-te a intransigência e a tendência para o perfeccionismo em tudo o que fazes e no que esperas dos outros {e de mim}, e tu aturas as marcas de mimo deixadas pela filha única que sou, uma natural predisposição para o drama, e esta maldita mania de focar no meu umbigo.
És a pessoa que mais facilmente me irrita, talvez por seres a que melhor me conhece e eu sou, decididamente, a que mais facilmente te tira do sério, nas tantas diferenças conciliáveis que temos.
Isto somos nós, em alta definição. Isto, e esta certeza inabalável de que fazemos sentido juntos, e que nos fez voltar a acreditar que é possível recomeçar, há exactamente dois anos.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Atenção, este blog tem novidades!


Foto: Pau Storch
Há quase cinco anos que este blog funciona como uma espécie de diário, onde escrevo sobre o meu dia-a-dia e onde vou partilhando alegrias, tristezas, o que me apetece. Quando decidi criá-lo, a minha vida tinha mudado muito com a separação do pai do meus três filhos e depois de ter reencontrado o amor, ao lado do meu actual marido. 
Ao longo destes tempo, tenho recebido dúzias de emails com questões, preocupações e comentários sobre o tema da separação e das famílias que, como a minha, se reinventam.  Pessoas que têm medo do divórcio por causa dos filhos, outras que se viram confrontadas com esse facto e que não sabem como lidar com isso, outras ainda que têm medo de reencontrar o amor ou de integrar um novo elemento na vida dos filhos e por aí adiante. Muitas dúvidas às quais não sei dar resposta, porque conto apenas com a minha experiência, que vale o que vale. Não sou especialista na matéria e não sei mais para além do que vou vivendo e pesquisando sobre o tema, por razões óbvias. Ainda assim, entendo que a partilha de experiências ajuda, nalguns casos, a desmistificar tabus, e que o facto de não nos sabermos sozinhos no desafio de reconstruir uma família, pode ser uma ajuda preciosa em momentos cruciais. 
Esta conversa toda para vos pedir para olharem para a barra direita do blog, onde encontrarão 3 tópicos novos:
- esta família que escolhi
- outras famílias como a minha
- a opinião dos especialistas.

No primeiro [esta família que escolhi], encontrarão uma selecção minha dos posts que vou publicando no blog e que resultam das minhas reflexões [e apenas isso] sobre a minha família reinventada, recomposta, como lhe quiserem chamar.
No segundo [outras famílias como a minha], poderão conhecer as experiência de outras famílias que passam por idênticos desafios, porque acredito que é a partilhar que combatemos preconceitos e que nos sentimos menos sozinhos.
No terceiro tópico [a opinião dos especialistas], irão ler sobre o tema das famílias recompostas, mas na perspectiva dos técnicos que trabalham e que estudam estas questões, desde mediadores familiares, a psicólogos, sociólogos, formadores na área das competências parentais, entre outros.
De momento, apenas o primeiro tópico já tem conteúdos, porque dependem exclusivamente de mim, mas prometo que assim que tenha novidades para os restantes, avisarei por aqui, combinado? [e já não tardam...]

A quem estes temas não interessarem nada, dizer que o blog continuará igual a si próprio: um espaço onde tanto falo de famílias com do meu pequeno-almoço. Tudo igual.
E entretanto, digam de vossa justiça. Gostam desta nova organização? Faz sentido falar sobre estes temas e arrumá-los desta maneira?
Fico à vossa espera.