Mostrar mensagens com a etiqueta esta família que escolhi. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta esta família que escolhi. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Miúda com sorte!

Foto: Juvenália de Oliveira

Ontem o dia foi teu, rodeada de uma família grande [enorme] onde cabem todas as pessoas que fazem o teu mundo girar, sem excepção.
És uma miúda cheia de sorte, sabias?
Acho que sabes.

domingo, 1 de maio de 2016

MÃE


Fotos: Pau Storch

Nunca sonhei em ser mãe e nunca nenhum boneco fez de meu filho. Os filhos dos amigos eram queridos, mas apenas isso, e sempre imaginei a minha vida para além da maternidade.
Quis a ironia do destino, contudo, que fosse mãe de quatro, e há quase quinze anos que mordo a língua com as "certezas" que achava que tinha e com aquilo que depois a vida revela.
Ainda assim, já aqui disse e repito, que não foi fácil estrear-me no papel de mãe. Foi duro, porque ainda era muito filha. Porque ainda era muito cuidada, mais do que preparada para cuidar. Tinha 27 anos e era uma miúda mimada.
É por isto que acho que os meus filhos me têm ensinado muito mais que eu a eles: a ser mais tolerante, mais paciente, mais generosa, mais crescida.
Hoje, a pouco mais de um mês de ser mãe de quatro, olho para trás e vejo o caminho longo já feito. E sinto orgulho, porque cada dia que passa me aproximo mais da mãe imperfeita [mas profundamente feliz] que os meus filhos merecem ter.

[à minha mãe, um beijinho especial neste dia. Porque me ensinou tudo]

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Não me chamo "Mãe", chamo-me Marta!



Tempos houve -numa outra vida- em que a mulher que era desbotou com a maternidade, logo a começar na gravidez. Esta mudança nem sempre é drástica nem visível a olho nu, e o perigo é exactamente a forma silenciosa como acontece, porque quando tomamos consciência do erro já é, tantas vezes, tarde demais. Ao contrário do que pensamos, é muito fácil esquecermos as mulheres que somos em troca do que se espera que passemos a ser: mães omnipresentes e muitas renúncias, umas mais conscientes que outras: ao amor e à paixão, tantas vezes à profissão, aos hobbies e a quase tudo o que nos definiu até então, mas que não conseguimos gerir sozinhas, nem sabemos {ou queremos} delegar. 
Caí neste erro três vezes, pelos meus três filhos e por culpa inteiramente minha, e quase morri devagarinho. Fui claramente feita para ser mãe, ou a Vida não me teria brindado com quatro filhos, mas aprendi a assumir que não me esgoto nesse papel, ou falta-me o ar. Descobri que o maior legado que lhes posso deixar é a minha gana de viver e de me cumprir, e disso fazem parte os meus projectos pessoais e profissionais e o tempo e atenção que continuo a dedicar ao meu marido, com quem em privado, continuo a ser amante, acima de tudo.
Nesta gravidez, treino esta tomada de consciência todos os dias. Visto-me para me sentir atraente e dispo-me com orgulho das minhas formas generosas. Namoro ao serão, preparo as surpresas possíveis e assumo que não morri para a vida {nem para nada, diga-se}, em nome da maternidade. Tenho uma amiga, mãe esmerada de dois filhos e amante eterna do seu marido de sempre, que quando se sente a perder-se da mulher que é, põe ao pescoço um fio com o seu nome, para se lembrar que não se chama "mãe". 
É preciso arranjar estratégias e isso dá trabalho. E às vezes é preciso ter falhado para perceber onde não voltar a tropeçar.
É aí que estou.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Esqueletos fora do armário


Aos poucos e à medida que o nascimento do Vicente se aproxima, os meus filhos vão metendo os seus esqueletos fora do armário, que é o mesmo que dizer, vão começando a verbalizar os medos que os visitam.
A minha filha tem para já, três fantasmas a descoberto:

1. Que eu e o Rui deixemos de lhe dar atenção depois do mano nascer;
2. Que a sua festa dos 9 anos possa ser ofuscada pelo nascimento, já que se prevêem os dois acontecimentos quase para a mesma altura;
3. Que o pai não leve o Vicente consigo e com os outros irmãos aos fins-de-semana.

A minha resposta aos dois primeiros medos foi mais fácil. Já a terceira depende de muitos factores, de muitos estados de alma e de uma "gestão dos crescidos" que se vai fazendo aos poucos. Com calma e sem stress.
A verdade, é que não sei como vai ser. Não faço ideia. Já vi famílias em que o pai leva os filhos e irmãos destes nalguns fins-de-semana que lhes pertencem, e outras em que essa realidade tem sido impossível.
Quero acreditar que tudo tem o seu tempo, esse "tipo porreiro" que apazigua muitos males e que tem como missão repor as coisas no lugar certo e na altura devida. E não há soluções a granel que caibam em todas as famílias. Para além disso, e tal como tenho feito em tudo o resto, acredito que não vale a pena antecipar nenhum cenário, porque a vida encarrega-se de me mostrar que consegue ser bem mais criativa do que eu, e bem mais sensata, já que tem sabido, com mestria, arrumar os meus fantasmas sem guião pré-definido, mas no timing perfeito.

Disse à minha filha que não sabia ainda responder à terceira questão. E fi-lo com a tranquilidade de quem acredita que não precisamos conhecer o fim da história para confiar no enredo. Basta-me saber que conta com as personagens certas no cenário perfeito.


sábado, 9 de abril de 2016

A nossa história


Nesta foto, o Rui tinha entrado há pouco tempo nas nossas vidas. O nosso mundo em ainda estava quase todo por desbravar, e a ideia de termos um filho juntos não se punha, sequer. Ainda estávamos a braços com esta nova família que agora começávamos a ser, a ganhar uma almofada confortável para nos recostarmos juntos e a assimilar sentimentos novos e rotinas por estrear.
Gosto de rever fotos antigas enquanto arrumo o presente. E gosto de me lembrar do que já passámos, numa espécie de reconstituição histórica que nos dá pilares e alicerces.


terça-feira, 5 de abril de 2016

Ninguém disse que refazer uma família é fácil. Mas é possível!



Juvenália de Oliveira Fotografia
Ontem, sobre este post, falava com uma amiga do desafio que é atrevermo-nos a viver uma segunda vida e a trazermos para o dia-a-dia dos nossos filhos uma "nova pessoa". A experiência da entrada do Rui nas nossas vidas não foi difícil, mas a minha amiga alertava-me para o facto de nem sempre acontecer dessa forma. E fiquei a pensar que ela tem razão, porque há muitos factores que se intrometem: a idade das crianças, o papel do progenitor que inclui a "nova pessoa" e como o faz, a história que os miúdos já trazem consigo e as histórias dos adultos, e por aí adiante. Olhando para a minha própria história com o discernimento que só a distância permite, relembro que também sou filha de pais que se separaram e que refizeram as suas vidas, e que lido com uma família diferente há quase vinte anos e com tudo aquilo que de melhor e de pior ela me trouxe: uma multiplicação de afectos e de complicações. Acreditem que já quase fiz o pino para entreter pessoas que mal se falam, para mantê-las em salas diferentes, para sentá-las em cantos opostos da mesa. E já fiz o salto encarpado para gerir conversas que ninguém quer conversar, para desencontrar horários, para gerir conflitos numa família que amo e que é a minha, mas que não é fácil.
Ainda assim, continuo a acreditar firmemente que o sucesso das famílias que se recompõem reside em dois grandes factores: o tempo {é preciso deixá-lo passar para cicatrizar feridas e relativizar fantasmas}, e a segurança dos afectos {ter a certeza absoluta que somos amados pelos nossos filhos e que ninguém rouba nenhum lugar, quanto muito, acrescenta Amor}.
O tempo e a segurança dos afectos é crucial e, às vezes, uma merda para conseguir, também vos digo. O tempo é muitas vezes lento demais,  e quanto ao amor incondicional que os nossos filhos nos têm, isso daria para mais mil posts sobre o tema. As nossas fragilidades e culpabilidade vêm todas ao de cima, como o lixo num oceano: as vezes que chegámos tarde à festa da escola, as que gritámos, o tempo que passámos fora, o que não brincámos, a atenção que não lhes demos. De repente, é como se a relação com os nossos filhos se resumisse às nossas falhas, esquecendo-nos dos nossos momentos de glória, como quando lhes contámos aquela história três vezes seguidas, quando os abraçámos depois de uma queda, ou a vez em que lhes dissemos que serão sempre o amor das nossa vidas.
A minha amiga tem razão, nada disto é fácil. Refazer uma família leva tempo, dá trabalho, requer paciência e uma maturidade que, com franqueza, não temos a todo momento nem todos os dias. Olho-me ao espelho, com 41 anos e com o quarto filho a caminho, e revejo tantas vezes a miúda mimada e infantil que evita conflitos como o Diabo da cruz, que tem medo dos outros e que nem sempre tem coragem para dizer o que pensa. Fantasmas que me obrigaram a vários anos de terapia e que ainda hoje fazem das suas, com os desafios que a vida me vai impondo todos os dias.
Mas é possível refazer uma família, ainda que com uma condição: não cair na tentação de achar que, desta vez, vai ser tudo perfeito. Não vai. E ainda bem, porque é sinal que é uma família a sério.


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Pelos olhos de Maisie [um filme sobre a separação e sobre a Lei do Coração Elástico]


Ontem tropecei neste filme sem querer. Estava a dar na RTP1, já a acabar, mas percebi que se tratava da história de Maisie, uma menina de 7 anos enredada na separação dos pais. As duas cenas bastaram-me para decidirmos vê-lo ao serão e hoje acordei a pensar nele, como acontece sempre que gosto muito de um filme. Para além de contar com a actriz Juliane Moore {que adoro!}, fala-nos da separação aos olhos de Maisie, e de como o coração das crianças é generoso e elástico quando se trata de entrarem "novas pessoas" nas suas vidas, assim venham por bem.
Este é um tema que mexe comigo por razões óbvias, já que sou filha de pais divorciados e divorciada do pai dos meus três filhos. E também porque há já uns anos que assisto à Lei do Coração Elástico acontecer dentro de minha casa, sempre que olho para a relação dos meus filhos com o padrasto e percebo que aquela figura não vem substituir ninguém, mas pode bem construir um mundo de afectos poderoso e reparador.
Descobri que o filme foi lançado em Portugal em Abril de 2014, e pergunto-me como é que me passou ao lado. E depois penso que, de facto, só vemos aquilo para que estamos despertos e esta é a fase em que, por muitas razões, este tema me cai no colo vezes sem conta. 
Recomendo vivamente a todos aqueles que estão a passar ou que já passaram por uma separação com  filhos. E a todos os que já perceberam [ou que precisam ainda perceber], que a figura do padrasto/madrasta não tem de ser a maléfica dos contos de fadas, porque ao contrário do que pensamos, a vida real pode ser mais doce.

segunda-feira, 28 de março de 2016

O melhor do meu fim-de-semana [e a arte da divisão do tempo]

Todas as nossas festas são a mil à hora, porque isto de viver numa família recomposta e de ser filha de pais separados tem destas coisas: exercemos a arte da divisão do tempo com a mestria possível, porque quer os meus filhos quer eu própria temos que nos dividir por muitas famílias, muitos abraços, muita gente a querer-nos bem.
Esta Páscoa não foi diferente. Almoços com uns, lanches com outros, jantares com outros ainda, num desfile de mimos que reforçam a ideia que tenho, desde que vivo numa família diferente: o coração é elástico para caberem todos os que vêm por bem, e se os adultos da história souberem gerir a situação com sensatez, o Amor não se divide, mas multiplica-se.
É verdade que estamos todos cansados da correria, mas em paz com isto tudo. E hoje, aviso já que não vamos fazer nada.

[boa semana!]


sábado, 26 de março de 2016

Em treinos



Pergunto-me como conseguiste estar tantos anos sem filhos e, logo a seguir, acho a minha pergunta parva. O tempo ajuda a pôr tudo no lugar e a trazer todas as bençãos na hora certa. 
A equação é a mesma relativamente aos anos que levamos juntos e ao facto de já nos termos encontrado mais tarde na vida. Antes, talvez não nos achássemos graça nenhuma. Eu, escondida atrás de um cabelo alourado e de pescoço de golas altas e de medalhas penduradas ao peito. Tu, sisudo como sabes ser quando não queres passar cavaco, a aparentar um certo snobismo que te dava aquele charme irritante e pouco confiável.
Este é o tempo certo, simplesmente porque é o nosso. E já viste o caminho que ainda temos pela frente?


sábado, 19 de março de 2016

Pai Rui


É verdade que tens vivido estes últimos anos de Dia do Pai com a certeza de teres três filhos do coração que te adoram. Mas este é o primeiro em que nada nem ninguém te pode tirar a sensação de seres pai de direito.
Amo-te, meu amor. Feliz Dia do Pai.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Foi há 4 anos...


A minha página de facebook trouxe-me de volta esta fotografia, tirada há 4 anos à saída do Oceanário.
Parece que foi ontem e, ainda assim, há tanto tempo. A minha filha minúscula com uma mulher que mal reconheço.
A minha vida mudava, devagarinho.

terça-feira, 1 de março de 2016

E quando os filhos estão doentes e ficam com o pai?

Tenho os meus dois rapazes doentes desde ontem, com uma virose daquelas que dá febre baixa, muitos vómitos e diarreia. Parece que o maldito bicho dura 24 horas, mas enquanto por cá anda, causa mossa: prostração, o risco de desidratação, o costume nestas situações.
Esta semana, contudo, é a semana dos meus filhos estarem com o pai, e com o pai permanecem nestas circunstâncias.
Há segundos do dia em que me pergunto se faço a coisa certa. Se não deveria ser eu a assegurar, sempre, os cuidados aos meus filhos quando estão doentes. Passo alguns minutos a penitenciar-me em pensamento, num sentimento de culpa que acredito, nos corre a nós, mulheres e mães nas veias, desde tempos imemoriais. Esta maldita crença que nos diz que a mãe deve ser a única cuidadora, a única progenitora com competências e com o dever de cuidar.
É fácil cair nesta "teia da culpa". É demasiado fácil. Porque nos esquecemos que o pai é igualmente capaz de o fazer, biológica e emocionalmente falando. E porque cuidar dos filhos não é só um dever, mas também é um direito que assiste aos dois, pai e mãe.
Neste tempo que vivemos, em que a guarda parental se partilha no superior interesse da criança {partindo, naturalmente, do princípio que os filhos são amados e bem cuidados em ambos os lados das suas vidas, como é o caso}, partilham-se deveres e direitos, responsabilidades, preocupações e alegrias. Poder estar com a mãe e com o pai em partes iguais, implica que as crianças vivam esta partilha num todo, sem ser pela metade. A parte, neste caso, não implica metade nenhuma. Ao contrário, implica que de ambos os lados os filhos sintam o suporte necessário quando as coisas correm bem, e nos momentos que correm menos bem, e para os quais precisam sentir segurança da mesma maneira.

Ontem os meus filhos estavam doentes e fui aconchegá-los à noite, em casa do pai. E não saí de coração apertado por duas razões: porque estavam bem, e porque percebi que  os filhos dão lições de vida aos pais, diariamente. Assim sejamos todos crescidos para conseguir percebê-lo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Carta de Amor

Quando o Vicente tinha apenas 9 semanas e ainda era desconhecido de quase toda a gente, o pai escreveu-lhe esta carta, que me mandou por mail e que me emocionou.
Hoje, grávida de 21 semanas e com a sua autorização, partilho convosco excertos do que lhe escreveu. Porque faço deste blogue um diário que vou relendo sempre que me apetece, e porque esta é uma carta de amor para recordar, sempre...

"Olá, meu Amor

Hoje, no dia em que te escrevo, tens apenas 9 semanas, na barriga da tua Mamã.

Ainda mal passas de um pequeno feijão. Um pequeno rebuçado. Um floco de neve.

A barriga da Mamã ainda mal cresceu. A Vivi e os Manos ainda nem sequer notaram que tu existes! Nem a maior parte das pessoas, à nossa volta (...).


(...) Hoje, eu tenho 40 anos. Quando era miúdo, achava sempre que os meus pais já eram muito velhos, quando tinham eles 40 anos. Hoje, sinto que sou, eu próprio, um miúdo, com tanto ainda para viver. Sinto que esta é a altura perfeita para eu ser Pai e para tu existires. Sabes, tu encaixas perfeitamente na minha vida e na nossa família, e nós desejamos-te muito!

Sempre adorei crianças e sempre quis muito ser Pai. Quando encontrei a nossa família, que já existia, pensei que estávamos bem assim; que éramos felizes assim; que não iríamos ter mais filhos (...). Eu e a Mãe sempre falámos que seria tão bom ter mais um bebé, mas ainda não tinha sido o tempo… Agora foi! E estamos muito felizes por isso ter acontecido!

Quero dizer-te que estou muito, muito feliz por estares na barriga da Mãe. A Mãe também. Todas as noites, pouso a minha mão na sua barriguinha e sinto-te a crescer. Sinto como estás quentinho e protegido, no teu pequeno mundo… Fico emocionado por te imaginar ali dentro, e como serás, quando nasceres. Como vai ser bom ver-te nascer, pegar-te, nos teus primeiros minutos de vida. E tratar de ti, cuidar-te, proteger-te e amar-te, para o resto das nossas vidas. Nada será como dantes, meu Amor. Nada. Absolutamente nada!

Desde que eu e Mãe tivemos a certeza de que tu já eras mais do que uma estrelinha, andamos tão contentes… Eu, pareço que ando a pairar sobre as nuvens. Feliz. Tão feliz…

Na primeira vez que vi o teu pequeno coração bater, na ecografia, fiquei tão contente! Parecia que ia desatar a chorar de tanta emoção e felicidade! Eras tu. Ali. O meu bebé… Finalmente!

A Mãe anda sempre cheia de fome. Come, come, come, e, depois, fica enjoada! Mas até dá gosto vê-la comer! Porque é para ti. És tu a crescer! E isso é um milagre da Vida.

Já contámos aos Avós que tu ias chegar, daqui a uns meses. Todos eles ficaram super contentes! Em breve, iremos contar aos Manos! Eles vão ficar completamente malucos de contentamento! Sabes, vais ser um sortudo por ter três manos que te vão adorar, dar muito amor e carinho e cuidar de ti, para o resto da vida!

Hoje, apeteceu-me escrever-te. Sinto-te já, como parte de nós; da nossa Família, do nosso Mundo. Espero que sintas os meus beijos e as minhas festinhas. Que oiças a minha voz. Que oiças quando digo que te adoro.

Estou em pulgas para te ver!

Continua a crescer, saudável e lindo!

Adoro-te, meu Amor!"


Rui Pinto

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A revelação [Feliz Ano Novo!]



De todas as coisas boas e menos boas que este ano me trouxe, desfrutar verdadeiramente do tempo em família foi a que mais me marcou. Em 2015, fruto das circunstâncias de mãe divorciada do pai dos meus filhos, aprendi a preencher os vazios que a sua ausência me foi deixando semana-sim-semana-não, e a tirar partido de todos os minutos com eles, com a minha tendência visceral para a nostalgia arrumada num canto qualquer.
Aprendi neste ano que se acaba, que todas as horas com os meus filhos são preciosas, desde a altura do dia em que lavam os dentes, até aos programas mais planeados. Não importa a grandeza do evento, mas a riqueza do momento.
O desgosto dos primeiros tempos de partilha literal dos filhos foi dando lugar a muitas lições de vida: que ninguém ocupa o meu lugar, que o Amor prevalece sempre, que os nossos filhos não são nossa propriedade, que tenho vida para além deles, mas que nada na vida faz sentido sem que aprimore este milagre que a vida insiste em dar-me de mão beijada: o da maternidade.
Acredito piamente que somos postos à prova nos temas em que mais nos sentimos inseguros e vulneráveis, mas para os quais nascemos. Em 2015 descobri que nasci para ser mãe. E por mais piroso e lugar comum que isto soe, já não tenho  dúvidas.
Em 2016, serei posta à prova nessa matéria, mais uma vez, com o nascimento do meu quarto filho.
É rapaz e chama-se Vicente.

Feliz Ano Novo!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Festas com sabor a mel

Foto: Nuno Escudeiro

Há um ano atrás, não exagero se disser que tinha o coração partido. Chorava por dentro pelas mudanças que a minha vida iria ter, logo no início de 2015, e tentava aparentar uma força e uma alegria que, à noite, com a cara metida no ombro do meu homem, desmoronavam.
Foram tempos difíceis, aqueles. Talvez dos mais difíceis da minha vida recente. Uma sensação de perda e de vazio a que ainda consigo regressar, sempre que penso neles, passado exactamente um ano.
Doze meses depois, olho para trás e vejo como a vida se regenera. Ou como diz a Catarina, como ela tem o dom de se resolver sozinha. As minhas angústias dissiparam-se, a minha vida mudou para ainda melhor em 2015, e estou à espera de mais um milagre em forma de bebé para fazer valer o sentido literal da mensagem "Ano Novo, vida nova".

Estas festas terão um "sabor" diferente pela chegada deste filho, mas mais do que isso, saberão a mel e a caramelo e a algodão doce, porque a minha família se manteve intacta como aço, e porque a vida se resolve sozinha e o Amor resolve mesmo tudo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

As quartas-feiras das semanas que não são minhas

Os meus filhos estão na semana do pai e, como de costume, vieram hoje jantar cá a casa.
É um final de dia e serão que planeio sempre perfeitos, porque os miúdos vão e vêm, não permanecem.
Tenho o jantar planeado e as preferências de cada um alinhadas {a manga da Vitória, a cenoura cozida do Vasco, a Nutella do Duarte}, as baterias todas recarregadas, a casa num brinco, as saudades ao rubro. Quero ouvir como correu a escola vezes três, quais são os testes da próxima semana, as notícias das pseudo-namoradas, tudo o que lhes pertence e que tenho sempre medo que me fuja. À quarta-feira das semanas que não são minhas, brinco à "mãe perfeita" que cede mais da conta, que dá beijos até dizerem que estão fartos, que sorri muito, mesmo quando o dia não se prestou a grandes alegrias.
Ainda assim, nem sempre corre como o planeado. Os putos são exactamente iguais a eles próprios, com as birras e manias do costume e com as brigas irritantes de todos os dias. Para eles, não há isto de serem perfeitos à quarta-feira da semana do pai, só para provarem que nada mudou. São eles, com 14, 12 e 8 anos em estado puro, e essa constatação, que no princípio me frustra, acalma-me o espírito sempre que saem porta fora. Como agora.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Perdoem-me os balanços, de vez em quando...




A vida nem sempre corre como esperamos. Porque tem vida própria e nos finta o guião cor-de-rosa, ou porque somos nós que lixamos o figurino. Em qualquer das hipóteses, são poucas as vezes em que acaba tudo como começou: o mesmo marido, os mesmos amigos, a profissão que tínhamos em mente. A meio do trilho, alguém sai de casa, há "amigos do peito" que ficam pelo caminho e, não raras vezes, não nos tornamos os professores, médicos ou advogados que sonhávamos em criança.
Há quem paralise perante este cenário de instabilidade latente e universal. E depois, também há quem arregace as mangas e reescreva o seu próprio guião, a lápis de cor.
Tenho madrasta, padrasto, marido e ex-marido. Tenho um gato psicopata chamado Dexter, três filhos na idade do armário ou a caminho, amigos loucos como eu, e mais personagens tivesse, continuaria numa espécie de novela mexicana, que me tempera o espírito e me enriquece a vida.
Se a minha existência podia ter sido mais certinha, podia. Mas o que faria sem a elasticidade que esta malta me deu? Desfazia-me em cacos.

sábado, 24 de outubro de 2015

Acreditar no Amor

[Foto: Vera Marmelo]

Acreditar no Amor.
Saltar para um doce precipício, sem nenhuma rede, e esperar não me ferir. Esperar uma aterragem sem dor.
Acreditar no Amor, uma e outra vez, em sucessivos voos perigosos e, ainda assim, não paralisar de pânico.
Acreditar no Amor contra alguns ventos e marés e arriscar sempre, porque o maior risco deles todos é ter deixado por fazer o que poderia, até, ter sido feito docemente.
Acreditar no Amor, sempre. Antes que seja tarde demais.

[post dedicado à Carolina e ao Pau Storch e a todos os que, com eles e connosco, na noite de 22 de Outubro, se juntaram para celebrar o Amor]

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Sobre isto de ser feliz


Ser feliz e apregoá-lo aos sete ventos incomoda muita gente [isto ainda a propósito do post aqui de baixo].
Não me canso de dizer que os tempos, infelizmente, não  mudaram assim tanto. Quando tomei a difícil decisão de me separar, ouvi duras críticas, e senti na pele aquelas que não se ouvem, mas que se sentem, que se vêem e que se intuem. São as piores. Olhares de lado, meias conversas, e-mails de quem fala do que não sabe, falsos moralismos.
A vida tem-me ensinado,a duras penas, que há certas dores que não matam, mas moem. 
Isto para dizer que o preconceito da mulher com filhos que deixa um casamento ainda é uma realidade. Ainda corre muita tinta sobre a suposta "irresponsabilidade" e leviandade que a decisão parece, inevitavelmente, implicar. Como se os protagonistas da história, qualquer que ela seja, sejam sempre e irremediavelmente, vítimas de um mesmo cenário: os bons e os maus, o lado certo e o lado errado, a luz e a sombra, a vítima e o monstro e por aí adiante.
Esta postura entristece-me, não só porque estou em causa própria, mas porque detesto generalizações simplistas. Nem tudo é branco, nem preto e a linha que separa as boas das más decisões é, muitas vezes, tão frágil como uma folha a pairar ao vento. Quem parte não é sempre o mau da fita, mas às vezes pode ser; quem fica não é sempre a vítima, mas às vezes pode ser. As histórias são feitas de gente dentro e têm pouco de ciência exacta. E acho que ainda bem. 
É por isso que para sermos felizes não há receitas, e isto não é mesmo um chavão. E quem se arroga dono das verdades todas, ou é tonto ou ainda tem de levar umas quantas cabeçadas.