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domingo, 21 de outubro de 2018

Saudades.


Hoje voltei a sonhar contigo. Estavas a preto e branco, mas feliz. Estavas perto, mas não te conseguia tocar, nem falar. Não me vias, envolvido que estavas na tua nova vida.
A dormir, parece que as saudades brutais ganham um sabor a angústia que, felizmente, acordada não sinto. 
No sonho comecei a chorar, e quando abri os olhos, ainda de madrugada, estava a chorar também. Nunca mais tinha chorado desde a véspera em que te foste embora; 13 de Agosto.
Logo depois, adormeci. Adormeci a pensar que tenho que viver os teus irmãos, enquanto não ficam, também eles, a fazer parte de um sonho a preto e branco, ainda que um sonho feliz.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

"Infelizes e juntos para sempre, até que a morte nos separe?"


Não sou apologista do divórcio, mas defendo-o como um mal necessário sempre que estamos perante um "mau casamento".
E o que é um "mau casamento"?

É uma relação destrutiva para, pelo menos, uma das partes. 

É uma relação que traz tristeza e desesperança a, pelo menos, uma das partes. 

É uma relação que faz infeliz, pelo menos, uma das partes.

Se reparares, em nenhuma destas afirmações inseri os filhos, o dinheiro, nem a pressão social e familiar, porque perante um "mau casamento", nenhum dos factores acima deveria ser razão para evitar o divórcio. Bem sei que a realidade não é esta. Há mulheres e homens que não se divorciam por causa dos filhos. Há mulheres e homens que não se divorciam por razões financeiras. Há mulheres e homens que não se divorciam pela pressão da família e da sociedade. Pergunto-me, contudo, se as mulheres e homens que não se divorciam "apenas" por uma das razões acima, por algumas delas ou por todas, levam vidas felizes. E por vidas felizes, refiro-me a uma existência que lhes traga serenidade, segurança e sentido de propósito.
Também fiz questão de referir que basta uma das partes sentir tristeza, desesperança e infelicidade para estarmos perante um "mau casamento", porque tal como no tango, o casamento só se dança a dois, embora tantas vezes nos esqueçamos disso, porque queremos muito que resulte, porque entramos em negação, porque temos medo de sermos deixados ou de deixarmos alguém e fazermos sofrer, porque, porque, porque.
A verdade é que, por mais doloroso que seja para todos os envolvidos, levar a vida para a frente, fechar ciclos e recomeçar de novo implica, por vezes, passar pela experiência da separação ou do divórcio. E ainda que algum sofrimento seja inevitável, é preciso abalar crenças para que o processo decorra com o mínimo de efeitos secundários.

Partilho convosco aquelas que, no meu processo, precisei derrubar:

1. Os filhos serão, inevitavelmente, infelizes depois do divórcio dos pais;
2. O dinheiro será sempre um problema com o divórcio (por razões culturais, esta crença abala mais as mulheres);
3. Os pais que se divorciam ficarão com a relação parental, irremediavelmente, empobrecida.

Abalar crenças requer tempo, coragem e, é preciso dizer, ajuda, mas a boa notícia é que elas se abalam. Vamos começar a desconstruir algumas?

Crença 1. Os filhos serão, inevitavelmente, infelizes depois do divórcio dos pais.

A estabilidade emocional dos nossos filhos depende da nossa, por isso, tem atenção ao que lhes dizes, à forma como constróis a tua narrativa à volta do divórcio e às narrativas dos outros, a que as crianças ficam expostas. Elas ouvem e sentem tudo, ainda que possam parecer alheadas. E também fantasiam e criam fantasmas, quando a informação não lhes é passada em tempo útil e de forma adaptada à idade e à circunstância. Não subestimes a sensibilidade do teu filho para perceber que algo se passa. E certifica-te que, apesar de tudo, ele não sente que o chão lhe está a fugir debaixo dos pés. Tu e o pai continuam a ser pais, e é vossa responsabilidade transmitir segurança, estabilidade e Amor, independentemente das marés vivas em que possam estar a navegar. E lembra-te sempre: é pelas lentes dos adultos que as crianças olham o mundo que as rodeia. A tua visão será a deles, assume a responsabilidade.

Crença 2. O dinheiro será sempre um problema com o divórcio.

Perder a autonomia financeira com o divórcio é, infelizmente, uma realidade efectiva em muitos casos, mas arrisco-me a dizer que em muitas das situações, não falamos de perda de autonomia financeira, mas de perda de um determinado estilo de vida que o casamento proporcionava. Se for este o caso, é preciso reavaliar valores e prioridades, pesar prós e contras e decidir o que é realmente importante para ti.

Crença 3. Os pais que se divorciam ficarão com a relação parental, irremediavelmente, empobrecida.

Já escrevi sobre isto muitas vezes, mas repetirei sempre: A relação que os pais estabelecem com os filhos depois da separação ou do divórcio, é uma escolha, não é uma triste inevitabilidade. O divórcio não pode ser, em nenhuma circunstância (a não ser na negligência e no mau-trato), razão para alienar um dos progenitores ou para desaparecer da vida das crianças. O acesso a ambos os pais é um direito dos filhos, e se é verdade que a rotina é difícil,e que as exigências são muitas, também é verdade que essa será sempre uma responsabilidade e um dever dos adultos.Os filhos agradecem.


Não sou apologista do divórcio, mas sou defensora acérrima do direito que todos temos a ser felizes em qualquer fase da vida, mesmo que isso implique acertar o passo nalgum momento. Sermos infelizes até que a morte nos separe soa mal, mas é, infelizmente, o que acontece a muitos casais. É preciso pensar nisto com frontalidade, ainda que mortos de medo. Porque há vida para além do divórcio. 





domingo, 14 de outubro de 2018

Saudades mil.


Hoje sonhei contigo, puto. Sabias que o mano também? No meu sonho continuavas longe, mas estavas perto de mim, não sei explicar melhor.
Quando acordei, senti uma angústia fininha, acho que a isso se chama saudades. Muitas. Tantas, que nem sabia que existiam.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Mediação, por favor!



Sou uma "sobrevivente" do divórcio dos meus pais, e do meu próprio com o pai dos meus três filhos mais velhos, de modo que conheço bem o papel de filha e o de mulher e mãe nessa circunstância.
Esta experiência num duplo papel, apesar de muito dura em qualquer um deles, trouxe-me a possibilidade de conhecer bem o medo de perder o meu pai quando o vi sair porta fora, e o medo de estar a causar aos meus filhos uma perda irreparável quando decidi separar-me: a de deixarem de viver com o pai como até ali.
Conheço demasiado bem o medo da antecipação destas perdas, mas aos 44 anos e depois de alguns quilómetros de vida, reconheço que a perda só acontece por escolha de alguém. São escolhas, não são inevitabilidades da vida. Quando um pai ou uma mãe decidem separar-se, é escolha de cada um deles o tipo de vínculo que irão estabelecer com os filhos naquela nova situação de vida. A separação dos pais não implica a separação dos filhos, ainda que esta constatação aparentemente óbvia não seja sempre tão linear. Imbuídos nos seus sofrimentos legítimos e em jogos de poder tantas vezes inconscientes, é tentador colocar os filhos no meio do conflito, arremessando culpas e construindo narrativas a preto e branco para histórias que foram feitas de muitas cores. E as crianças, inocentes neste palco de dor, vêem-se privadas do Amor a que têm direito: o da mãe e o do pai, independentemente de todos os contextos (retiro deste cenário, as situações de maus-tratos, naturalmente, que conheço bem, por força da minha profissão).
Eu sei; é duro reconhecermo-nos nisto. É duro assumirmos que se os nossos filhos não têm acesso a um dos progenitores, algum de nós não está a assumir o seu papel. Mas é verdade. A mãe ou o pai que vedam o contacto dos filhos ao outro, é tão grave como a mãe ou o pai que se anulam nesse papel e que abandonam. Excepção feita às situações de negligência e maus-tratos, todos os filhos têm direito aos pais, independentemente do marido e mulher que ambos foram, e separar estas águas pode ser penoso, mas é necessário.
Se vos disser que conheci o meu pai aos 20 anos, quando os meus pais se separaram, não vos minto. Até ali, era alguém que entrava e saía para trabalhar e que pouco ou nada sabia sobre mim. Foi só quando saiu de casa que decidiu investir. Sim, poderia ter sido tarde, mas ambos escolhemos não ser. Hoje, é o meu porto seguro, a par da minha mãe.
A separação ou o divórcio não podem implicar a perda dos filhos, e esse medo latente não pode ser inibidor de cumprirmos a nossa verdade. Nenhum pai e nenhuma mãe deve passar pela terror de perder os filhos quando decide separar-se, porque essa circunstância, mais do que a violação do direitos dos pais, é uma terrível violação do direito dos filhos. Há soluções legais e há soluções de bom-senso. Há Amor, mesmo quando os pais já não se amam mais.

Red Apple vai iniciar mais uma Pós-Graduação em Mediação de Conflitos com Especialização em Mediação Familiar, no dia 26 de Outubro. 
Inscreve-te AQUI!

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O "copo meio cheio"

[Nova Zelândia 2018]

O Duarte vive desde há um mês com o pai, a (mãe)drasta e o filho dela. O Duarte vive com família, uma família que em vez de se ter dividido na vida dele, expandiu-se. 
Porque é que numa separação ou num divórcio, escolhemos fazer contas de dividir em vez de multiplicar? Porque é que achamos que os filhos de pais separados vão perder família, e não ganhar uma ainda maior?
Escolho ver o "copo meio cheio". E vocês?

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Quando os nossos filhos adoecem


Na semana passada o Vicente esteve doente, e esta tarde voltaram a ligar da creche, porque estava com febre e vómitos. A minha primeira reacção em "piloto automático", foi ligar à minha mãe e pedir-lhe para o ir buscar, porque foi esse o meu padrão dos últimos meses. O meu trabalho não podia esperar, não porque alguém mo impusesse, mas porque eu me impunha a mim própria.
Depois de já ter ligado à minha mãe, parei por uns segundos e perguntei-me por que raio não ia para casa ter com o meu bebé. Por que raio não assumia eu a responsabilidade de estar presente e a benção de ser o seu colo. E fui, sem culpa.
Dizer-vos que não julgo as mães que não vão. As que não vão porque não podem, as que não vão porque têm outros afazeres, as que não vão porque têm quem possa ir por elas. Todas as razões são válidas e todos os caminhos são legítimos, desde que vividos com verdade. Acontece que, às vezes, a nossa verdade muda e aí, tenhamos a coragem de mudar a rota e acertar o passo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

30 dias sem ti



Há exatamente 30 dias que viajaste. Falamos ao telefone todos os dias e manténs (para bem dos meus pecados!), aquele ar solto e desprendido que me ajuda a relativizar tudo. A pontinha de emoção que sinto da tua parte, é quando falamos do mano, aí, a tua voz adoça.
Dizer-te que o Vicente está à tua espera, feliz e resolvido com a tua ausência. Sabe que estás na China (onde quer que isso seja para ele), e acredita piamente que estás sempre a banhos, por causa do vídeo que lhe mostrei contigo mergulhado num lago maravilhoso. Para ele, a China é um sítio ou uma coisa qualquer que tem o "mano Date" dentro, mas não é mau. É algo confortável e amigo, onde tu cabes, mas que não te roubou dele. O mano sabe que estás por lá, mas que continuas nosso e dele, uma certeza que lhe vem do coração, porque a mente ainda não interfere.
És de poucas palavras e eu detesto falar ao telefone. De modo que como sou melhor com as palavras escritas, é só para te dizer que estamos todos bem, que quando voltares o teu quarto estará um nadinha diferente (culpa do Vasco!), mas que continuará a ser teu, e que o Natal já esteve mais longe.
Adoro-te, puto.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Síndrome do Ninho Vazio [ou um coração entre dois Continentes]



Desde o dia 14 de Agosto que o meu coração passou a viver entre dois Continentes. No meu telemóvel pus a hora e a temperatura de Chongqing e o whatsApp tornou-se a minha aplicação de eleição (passo a publicidade). Sempre que acordo a meio da noite, pergunto-me o que estará o meu filho a fazer, porque as minhas noites são os dias dele e isto de vivermos ao contrário é esquisito. A madrugada tem sido o pior período do dia, porque é quando acordo, ainda meio ensonada, que tomo consciência da sua ausência no quarto em frente; da sua ausência prolongada. Ele não virá depois da visita de estudo, nem depois de uns dias passados nos avós. Ele virá no Natal. E depois, virá no Verão.
O pai partilha fotos da apresentação na escola (sim, as aulas começam já na 2ª feira!), e da própria escola, digna de revista. Vejo uma fotografia do Duarte, homenzinho como eles só sabem ser longe das mães, um sorriso largo, feliz. Tento infantilmente ler-lhe os pensamentos, se tem medo, se está ansioso, se contente da vida. E numa existência agora meio bipolar, emociono-me de alegria e frustração, porque pela primeira vez, não estou perto em momentos chave. Não conheço a escola, nunca falarei com nenhum professor nem com nenhum colega, limito-me ao que é enviado por whatsApp pelo pai e que guardo religiosamente no telefone, numa tentativa de lhe conhecer as rotinas e de não lhe perder o rasto.
Acho que a isto se chama "dores de crescimento", será isso? Também se chama Síndrome do Ninho Vazio. Dar nomes às nossas angústias e aos nossos medos não resolve, mas ajuda. Saber que milhões de mães (e pais) espalhados pelo mundo inteiro já passaram, ou estão a passar por isto não resolve, mas ajuda. Saber que o nosso filho voou, mas está feliz não resolve, mas ajuda. Saber que está bem amparado não resolve, mas ajuda. Ter vida para além da vida dos nossos filhos não resolve, mas ajuda.
Acho que por hoje, é isto.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Os acontecimentos acontecem. As histórias são da nossa autoria.


Hoje dei dois abraços apertados no aeroporto: ao meu filho que se ia embora e à outra Marta da vida dele, a (mãe)drasta. À minha homónima no nome e na vida, pedi ao ouvido que tomasse conta do meu menino e que estivesse atenta aos seus silêncios. Garantiu-me que sim, num compromisso selado com aquele tipo de abraço que não precisa sequer de palavras. A Marta poderia não ter dito nada e só abraçado, que eu teria ficado igualmente descansada.
Nada é branco ou preto. Madrastas, padrastos, separações, divórcios. Palavras a que damos o significado e a significância que escolhermos.
Para o melhor e para o pior, não controlamos os acontecimentos da nossa vida, mas temos o super-poder de escolher as nossas narrativas, as que contamos a nós próprios e aos outros.

E voou...


[14 de Agosto de 2018, Aeroporto de Lisboa, 6h30]

domingo, 12 de agosto de 2018

Este post é para ti, puto!


De todos os teus irmãos, sempre foste o mais económico nas palavras e nos gestos. Ainda me lembro de quando te ia buscar ao jardim-de-infância e no carro te perguntava como tinha corrido o dia, e me respondias com um lacónico "bem", mergulhando num silêncio que acho que só a mim me desconfortava. Tu ficavas impecável, sempre ficaste impecável com os silêncios.
A tua pouca necessidade de palavras foi uma luta para a minha natureza verbal, às vezes histriónica. Logo eu, que vomito as emoções com frases seguidas, estreei-me na maternidade contigo, omisso nas palavras e fugidio ao toque. Foste o meu maior desafio e o meu primeiro grande Amor, essa força maior que, felizmente, não se mede em minudências gramaticais.
Talvez tenha sido por isso que desabei quando te vi chorar copiosa, mas silenciosamente (lá está!), quando assististe à morte do pai do Rei Leão na cassete VHS que repetiste tantas vezes no quarto dos brinquedos. Ou quando te desfizeste em lágrimas, já bem mais velho, a ver um filme de um cão que quando o dono morreu, ficou especado ao lado do caixão, e de lá não saiu. Também ainda me desconcerto com o facto de continuares a dormir com o teu Johnny-cão desde os 3 anos, e de o levares contigo depois de amanhã, para o outro lado do mundo.
Não me estico mais, não te preocupes. Isto tudo é só para te dizer que te adoro, que és um sortudo por teres uma família gigante que te ama tanto, e que estaremos sempre aqui. E que não vou chorar no aeroporto. E que quando tiveres saudades nossas, estamos todos (eu, os manos, o Rui e os avós), metidos no Johnny-cão. Mas mais importante, enfiadinhos para sempre no teu coração.
Amo-te, puto.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Quantas vidas cabem numa vida?

Juvenália de Oliveira Fotos e Histórias
Numa vida cabem muitas vidas, assim tenhamos coragem de as viver. Se a mudança dá medo? Dá pavor; um pavor que pode paralisar ou apelar à acção. Depende do grau de "quase morte" em que estejamos. Ou do grau de consciência. Eu explico: mudamos impelidos por duas razões, porque estamos plenamente convencidos das melhorias que essa mudança trará às nossas vidas ou por pura sobrevivência. Já alguma vez sentiram que se nada fizessem, morreriam aos bocados, sem ninguém dar conta? É isso.
Uma sugestão: chegar a esse limite é perigoso. Tentemos antecipar a morte anunciada e tenhamos a coragem para fazer o que tem de ser feito, no tempo certo. Se dá medo? Já disse, dá pavor. Mas já olharam bem esta foto?

domingo, 5 de agosto de 2018

Aproveitar cada dia!


Faltam exactamente nove dias para o meu filho mais velho ir viver um ano para a China com o pai. Duzentas e dezasseis horas da sua presença, que nunca chegarão para tudo o que agora acho que poderíamos ter conversado e nunca conversámos, para todas as coisas que poderíamos ter feito juntos e nunca fizemos, e para todos os beijos e abraços que demos, mas que nunca serão suficientes para apaziguar o número de horas que ficarei sem poder fazê-lo.
Vivamos a presença dos nossos filhos sem a arrogância da certeza da infinitude. Saibamos sempre aproveitar o momento sem a antecipação da perda anunciada, mas com a sabedoria necessária para aproveitar tudo, todas as fases, as fraldas, as birras, as noites mal dormidas, as crises existenciais, a idade do armário, os amuos, os atrasos, os olhos a rebolar. É porque são mesmo só fases, e um dia acordamos, e elas far-nos-ão uma falta do caraças.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Se alguém da tua família está a passar por uma separação ou por um divórcio, este post é para ti!



Uma separação ou um divórcio nunca são um assunto que implica apenas quem se separa ou divorcia. É um assunto dos filhos, isso é certo, e escreverei por aqui sobre eles muitas outras vezes. Mas é também um assunto que implica as famílias do casal que se separa ou divorcia.
Este mundo à volta do casal pode ser contentor ou disruptivo; pode contribuir para a paz ou pode instigar à guerra. Com isto não quero dizer que existam bons e maus da fita, vítimas ou vilões. Quero apenas dizer que no meio do sofrimento e da confusão de emoções que uma separação gera sempre, há muitas maneiras de reagir e há muitas histórias pessoais que vêm ao de cima, como quando o azeite se mistura com a água. E nem todas apelam à paz...
Para os pais que terminam uma relação e que têm filhos à sua responsabilidade, o momento é crítico, provavelmente, dos mais críticos que terão de atravessar. De modo que a postura da família é crucial para ajudar a manter a serenidade ou para criar ainda mais conflitos. É preciso ter esta consciência clara para tomar a decisão certa e para evitar atear fogos desnecessários.
Este post é, portanto, para todos aqueles que giram de perto à volta de um casal que se separa. É para vos dizer que são peças fundamentais para ajudar a estabilizar os adultos e as crianças envolvidas por consequência, e que podem fazer toda a diferença no meio do tsunami que aquela família (que também é vossa!), está a atravessar neste exato momento.
Sentir as dores daquele que é sangue do nosso sangue faz parte, somos todos humanos. Assistir ao sofrimento de quem nos é querido pode tirar-nos do sério, de modo que a via mais fácil é, muitas vezes, a crítica, a procura desenfreada de um culpado (que raramente é aquele que mais amamos),  a raiva e o rancor que nos levam a perder o pé e a dizer o que não queremos, tantas vezes à frente das crianças.
Lembrar-vos que nenhuma história é linear e que a história de um divórcio, em particular, nunca é só uma. A minha história é diferente da do pai dos meus três filhos mais velhos e é mesmo assim. Somos diferentes e cada um de nós "leu" o acontecimento "separação" de maneira diferente.
A todos aqueles que giram à volta de um divórcio, dizer-vos que a única história que interessa é aquela que passará a ser escrita, e que ela depende também de vocês, acolhendo a dor, apaziguando as mágoas e o rancor e ajudando a olhar para além da circunstância atual, assustadora, instável e ilusoriamente solitária.
Querem ajudar?
Ouçam sem emitir juízos de valor.
Abracem e ofereçam o ombro e o colo e refeições quentes e a casa, se preciso for.
Esqueçam frases como "eu avisei!" ou "eu bem te disse que ele/ela não prestavam!".
Fujam das verdades absolutas e das histórias lineares, como o Diabo da cruz.
Ofereçam colo e sopa e gelados aos miúdos.
Repitam as vezes que forem precisas que vão estar sempre ali, de pedra e cal.
Limitem-se a dizer as verdades que puderem ser assimiladas no momento.
Permaneçam.

sábado, 14 de julho de 2018

Eu tenho um sonho...

Revista Activa, Março 2018

Gostava que todos os pais desavindos do mundo, escolhessem a felicidade dos filhos ao invés do orgulho ferido e da instrumentalização.
Gostava que separassem as águas da parentalidade e da conjugalidade e que nunca desistissem de ser pais, nem os adultos da jogada.
Gostava que continuassem a lembrar-se das razões porque algum dia se terão apaixonado e que essas razões fizessem perpetuar o respeito e a confiança mútuos.
Gostava que abandonassem as histórias binárias e infantis do "bem e do mal" e do "preto e do branco", e que vissem as cores de todas as narrativas e de todas as pessoas.
Gostava que os pais escolhessem sempre os filhos, independentemente de todas as suas outras escolhas.
Eu tenho um sonho...
Gostava que todos os pais desavindos do mundo nunca deixassem de ser pais de filhos felizes, mesmo não vivendo juntos, nem querendo mais estar juntos. Os filhos serão sempre a sua história conjunta e eterna.
Que o meu sonho seja também o vosso.

sábado, 29 de abril de 2017

Amor é...


...gostarmos de alguém porque sim. Gostarmos imediata e irremediavelmente. Gostarmos de alguém para além do contexto e dos momentos mais ou menos difíceis. Gostarmos de alguém que gosta dos "nossos" e que os torna seus, um bocadinho mais, todos os dias.

[amo-te]

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Os Pais são o País dos filhos!



Na língua portuguesa, as palavras "Pais" e "País" só diferem no acento e no meu dicionário, não é por acaso. Todos os Pais com letra maiúscula devem ser o País dos filhos, um território que dá sentido de pertença, que constrói a identidade, de onde às vezes se foge para conquistar outras terras, mas para onde se regressa sempre, porque ele é a origem de tudo e a explicação para grande parte do que somos.
Este País que são os "bons Pais para os filhos", não se desvanece quando acontece uma separação. Ou por outra, não se deve desvanecer. Bem sei que há guerras que partem Países ao meio e que fragmentam tudo até restar quase nada, mas pergunto-me se é isso que queremos fazer aos nossos filhos: quebrá-los até restar muito pouco. A guerra entre Pais é tão avassaladora como a guerra de um País, porque também pode ferir de morte e matar (ainda que aos bocadinhos), e deixa cicatrizes, umas a céu aberto e outras que não se vêem, mas que duram uma vida inteira.
Que todos os Pais tenham a noção de que são o País dos filhos, sem barricadas impostas à custa de uma separação. As fronteiras dos pais separados são somente dos próprios, porque os miúdos circulam livremente nesse espaço geográfico que se chama "Amor" e que lhes pertence por direito, eternamente.

domingo, 19 de março de 2017

Hoje é o teu primeiro "Dia do Pai"?



Ia dizer que este é o teu primeiro Dia do Pai, mas seria injusta. Há já vários anos que neste dia te dedicam desenhos, postais, frases, sereias para colares no frigorífico, abraços e mimo.
Deve ser porque fazes "coisas de pai": levas e trazes da escola, preparas lancheiras, ouves desabafos, aturas as crises da "idade do armário", levas e trazes das trezentas festas de anos de adolescentes, compras o "pão de ló" que os rapazes mais gostam e as "frutinhas" da princesa cá de casa, distribuis sermões e abraços com igual facilidade, ris e choras com os sucessos deles e com as pequeninas "quedas", desdobras-te as vezes que forem precisas para lhes chegares, com uma generosidade que continua a comover-me.
Não me entendas mal. Não substituis o pai, porque felizmente não precisam: têm o deles e adoram-no. Mas cumpres o papel de "paidrasto" na perfeição, num modelo que inventaste à tua imagem e semelhança, já que nenhum de nós (tu, eu, eles), sabíamos antes o que isso era.
Hoje é o teu primeiro "Dia do Pai oficial". O primeiro em que recebes uma prenda minha em nome do Vicente e em que me ouvirás dizer "estás de parabéns, papá!". Mas há já vários anos que este dia também te pertence um nanosegundo que seja. E isso, continua a fazer de ti o tipo por quem me apaixono mais um bocadinho, todos os dias.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Amo-te, mas isso já tu sabes de cor...

Juvenália de Oliveira Fotografia

Já escrevi muito sobre ti, mas acho que nunca escrevi isto: que a tua existência juntou mais ainda, e para sempre, os manos ao teu papá. Deste-lhes a todos, de bandeja, os laços de sangue que nunca teriam se não chegasses. És o nosso milagre.

[amo-te, mas isso já tu sabes de cor...]