domingo, 10 de julho de 2016

Não há mimo a mais, nem colo a mais, nem mama a mais!

Foto: Pau Storch


Os meus dias continuam tão doces quanto duros.
O Vicente está cada vez mais desperto e a exigir mimo e colo e mama a todo o momento. Não lhe nego nenhum dos três, porque agora já sei que isto não dura para sempre. 
Às vezes envergonho-me do pouco que me lembro dos meus três filhos bebés: o nascimento do primeiro dente, a primeira palavra, o dia em que gatinharam e andaram pela primeira vez, o mês em que largaram as fraldas. Desta vez e porque a memória pode voltar a atraiçoar-me, farei tudo para desfrutar desta fase com sentido de presença. E isso implica viver cada etapa plenamente, sem medo de afrontar regras pedagógicas mais ou menos instituídas, dependendo dos autores e das marés. 
Neste meu mundo chamado "umbigo", não há mimo a mais, nem colo a mais, nem mama a mais {a mama, por enquanto, claro está}. Há prioridades de antes que ficam para trás, mas cada vez com menos angústia, porque sei que é tudo a prazo. É um "lado A" da minha existência que fica em suspenso, congelada no tempo até que o meu bebé precise menos de mim. Exclusivamente de mim. 
Lá fora, a vida continua ao mesmo ritmo acelerado de sempre, mas ainda não posso mergulhar nela. Dou de mamar como quem respira, e o cansaço ainda me tolda o raciocínio e os movimentos. Noto toda a gente agitada nas suas vidas, enquanto a minha continua em slow motion, numa espécie de realidade paralela.
O meu corpo pede que esta hibernação materna dure mais tempo, embora a minha cabeça vá reclamando por vida lá fora. Tento o equilíbrio ainda difícil disto tudo porque, afinal, o Vicente só tem 1 mês e duas semanas. Quero escrever sem interrupções, apetece-me sair de casa sem nenhum apêndice, nem nenhuma limitação de tempo, morro de saudades de ir ao cinema e de comer uns petiscos sozinha com o meu homem, num canto qualquer da cidade. Ainda não consigo. Habituo-me devagar a esta nova vida, uns dias em felicidade plena, outros com nostalgia. 
Enquanto isso, dou mimo e colo e mama a todo o momento. E na maioria do tempo, sinto-me a mulher mais sortuda do mundo.

4 comentários:

Alexandra Isabel Emidio de Carvalho disse...

E é assim que tem de ser Marta.
Quem me dera poder voltar atrás e fazer exatamente isso com o meu filho em vez de dar ouvidos a todos.....

Anónimo disse...

Concordo em absoluto, essas coisas nunca são demais.
E discordo totalmente de quem diz que mimo a mais "estraga" as crianças.
Mimo e colo não significam má educaçao.
Podemos ter muito mimo e sermos bem educados :-)

Bailarina disse...

Tão bom ler-te

Lu disse...

Oh... Que lindo. Retrata a realidade tal como ela é.
Os primeiros tempos são deles, só deles...
Eu tive o meu filho à 7 anos, e agora espero o segundo.. Ler estas palavras faz-me, por um lado, relembrar de tudo, mas por outro, recear passar pelo mesmo. São momentos cansativos, mas tão mágicos... Se não fizessem parte não seria a mesma coisa...

Força!
Beijinho
Lu, blogdamamalu.blogspot.com