quarta-feira, 15 de julho de 2015

Os sonhos e os medos


Sonhei que deixavas de gostar de mim. Não é novidade, este sonho. Tenho-o desde que estamos juntos.
Perguntas-me se me sinto insegura contigo, se não me mostras o quanto me amas da maneira e na quantidade certas. Respondo-te que me fazes sentir a mulher mais amada do mundo, e que nada da merda do sonho corresponde à nossa vida real.
Acalmas com a minha resposta e eu acalmo com a tua preocupação.
Encosto os meus pés aos teus, ainda na cama, e ponho a minha cabeça em cima do teu peito, a posição em que adormecemos todas as noites. Deixo-me ficar colada a ti, no nosso silêncio cheio de palavras, e o maldito sonho e a sensação que trouxe com ele, começa finalmente a desaparecer, até esquecer a dor que me causou. 
Tento encontrar razões racionais para sonhar isto tantas vezes e lembro-me do sonho que me acompanhou grande parte da infância. Aquele em que ia numa fila indiana com os meus colegas do infantário, agarrada ao bibe do da frente. Passávamos várias portas e eu era sempre a última da fila, a que ficava sempre para trás da última porta, num terror qualquer que nunca cheguei a descobrir qual era. As minhas pernas queriam correr e não saíam do lugar. Às vezes conseguia voar por uns segundos, mas voltava sempre ao chão e à sensação de pânico e de profunda solidão. Acordava sempre antes de perceber o perigo exacto que corria, mas permanecia comigo a maldita dificuldade em pôr pernas a caminho e o medo de ficar sozinha.
Lembrar-me disto é ter a certeza de que nem todos os sonhos prevêem o futuro, como também já me aconteceu. Há os que nos mostram os medos que temos dentro e que precisamos resolver. Porque a vida não espera.


2 comentários:

Ana Almeida disse...

Agora emocionaste-me!

da cidade pro campo disse...

Lindo! Obrigada!
:)
Beijinho