quarta-feira, 11 de março de 2015

De que tamanho são os teus sonhos?



Nunca soube de que tamanho eram os meus sonhos, porque nunca quis tirar-lhes as medidas.
Saber-lhes o peso, o comprimento e altura dava-lhes corpo e forma, e punha-os, perigosamente, no patamar das coisas tangíveis. Daquilo que se materializa, caso nos esforcemos minimamente. 
E, afinal, ter sonhos é maravilhoso, mas fazê-los acontecer dá trabalho e medo e, se calhar, mais vale mantê-los fechados numa caixa que só abrimos sozinhos. No escuro ou debaixo dos lençóis. Para fechá-la, logo a seguir, não vá dar-se o caso de cedermos a tentações desnecessárias.
Sonhar sabe bem, mas pôr pernas a caminho e abrir o jogo - dizer alto que se quer isto ou aquilo; mudar de vida; bater a porta - assusta. Assusta muito. E talvez por isso, passei quase quarenta anos da minha vida de cabeça enfiada na areia. A sonhar ao espelho da minha casa-de-banho, atrás das portas, fechada no quarto, mas sempre dentro de uma espécie de armário que nos tira o ar.
Desisti disso há poucos anos.
Quero saber o tamanho dos meus sonhos, medi-los de alto a baixo e perceber se tenho unhas para cada um deles. Quero mirá-los olhos nos olhos, e enfrentar o pânico de me reinventar.
Se tenho medo? Muito, tanto. Mas tenho ainda mais medo de me perder de mim. E de nunca mais me conseguir voltar.



3 comentários:

Anónimo disse...

Belo texto!
Admiro a sua alegria diária :-)
Tenho pena de ja não conseguir sonhar e de ter perdido a esperança algures por ai.

Cláudia M disse...

Que lindo texto ! E concordo... é preciso coragem também...

Unknown disse...

Bonito Marta e a foto também.
beijinhos
Raquel