domingo, 18 de janeiro de 2015

A minha história de Amor

A minha grande história de amor é aquela que tenho com os meus filhos.
Os putos que quando chegaram à minha vida mudaram tudo. Viraram tudo do avesso, como numa revoada de vento.
Pela primeira vez na vida, deixava de ter tempo para as coisas que gostava. Para ficar esparramada no sofá. Para só comer quando me apetecesse. Para gozar o meu biorritmo sem pressões. Para ser uma filha única mimada. Para cultivar o meu umbigo como quem cultiva uma horta caseira: com esmero, dedicação e foco.
Quando eles chegaram, ainda não era mãe. Era filha, muito filha. A menina-centro-das-atenções.

A mãe que comecei por ser foi crescendo, um bocadinho a contragosto. 
Custava-me acordar quatro vezes por noite. Doíam-me as mamas carregadas de tanto leite, que dava para amamentar uma maternidade inteira.Sentia-me feia e gorda e exausta. E não percebia nada da poda. Não tinha tido irmãos para período de estágio. Nem primos pequenos, nem sobrinhos. Os bebés das amigas eram giros no colo delas, nunca no meu. Nunca brincara aos pais e às mães. Não sonhara especialmente em ser mãe.

A coisa foi andando. E crescendo, agigantando-se, quase sem dar conta.
Afastar-me deles foi começando a tornar-se penoso. O prazer que tinha nas minhas coisas já não era o mesmo, caramba. Já nada tinha o mesmo gosto. A merda da culpa e das saudades. A sensação de já nunca estar inteira na sua ausência. O medo avassalador de os perder e de me perder. A preocupação constante com a sua felicidade.

Agora, que nem sempre os tenho por perto, reaprendo a respirar fundo na sua ausência. E esforço-me {num exercício diário e ainda pouco mecanizado}, para perder a sensação de vazio, sempre que acordo a meio da noite e sei que não estão logo ali ao lado. 
A boa notícia, é que já me vou livrando da nuvem negra que às vezes pousava sobre mim. E já consigo ver uma série lamechas sem passar o tempo todo a chorar.


A permanência constante das pessoas que amamos, não é um dado adquirido. 
Ainda assim, ser Mãe é a única história de amor que dura a vida toda.

[dedico este post à querida Marisa Barroca, dona de um coração e de uma força enormes e mentora do Mercado dos Santos - Edição Amor, de que tenho o privilégio de ser uma das madrinhas]




3 comentários:

Maggie F. disse...

Que lindo. Ser Mãe é mesmo outra coisa.

bjos

Maggie

Paula Ferrinho disse...

E é mesmo, Marta, um amor assim que "se agiganta", como dizes e que toma conta de nós inteirinhas!
Um beijinho...

A Limonada da Vida disse...

Dão-nos a volta à vida, trocam-nos as prioridades, vivemos em função deles e com muito gosto. Conheço bem a parte das noites em que não estãp connosco, logo ali ao lado. É mesmo isto, parabéns pelo texto.