sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Meu amor, desculpa o mau feitio [de resto, sou uma tipa porreira]

Correndo o risco de ser repetitiva, nunca me cansarei de te agradecer infinitas vezes.
Porque me aturas o mau feitio matinal, o mau génio que decorre do período menstrual e o veneno que destilo nos dias que antecedem a efeméride, o mau feitio que me chega quando os filhos não fazem o que lhes mando, ou sempre que os dias não correm ao sabor da minha maré agitada.
Sou uma chata do pior, a verdade é essa. Tantas vezes longe daquela moça sorridente que aparece nas fotografias que me tiras, ou nas selfies idiotas que vou publicando por aí. 
O mau feitio é, se quiseres {e aproveita, que não direi isto muitas vezes!}, o traço mais marcante do meu estatuto de filha única, já que sempre fui boa a conjugar o verbo "partilhar".
Sou, contudo, pouco resistente à frustração, impaciente com quem resvala em assuntos que me aborrecem, intolerante com quem acho que não me acrescenta. E tenho o péssimo hábito de treinar o mau génio na minha bolha segura - a família - laboratório perfeito para exercitar a arte de fazer subir a mostarda ao nariz com uma perna às costas. Arte circense, digna do Chapitô.

Correndo o risco de ser repetitiva, nunca me cansarei de te agradecer infinitas vezes.
Porque me aceitas como sou, todos os dias.
E porque me ensinaste que o Amor verdadeiro não é uma formulação teórica, mas tão somente aquele que vai resistindo à verdade pura e dura: há dias do caraças.



2 comentários:

Anónimo disse...

Eu também sou filha única. O meu mau feitio é também complicado. Só tenho uma coisa a favor. Já felizmente não tenho período menstrual. Atenuou ligeiramente. Não passou. Nem podia. Mas melhora. É aguardar e não perder a esperança

filipa vasconcelos disse...

Acho isso um defeito terrível. E descrito magistralmente, como sempre, devo dizer: "treinar o mau génio na minha bolha segura - a família". Sofro do mesmo e acho tão, mas tão injusto. Culpo-me tanto. Acho que é aquilo que de pior tenho, mas é difícil de combater, é aqui na bolha que somos nós próprias, no melhor e no pior. Se descobrires uma mezinha, ajuda aí, que eu agradeço.