domingo, 25 de novembro de 2012

A mãe que eu não sou e a avó que quero ser

Já aqui confessei que sou fã da Nigella.
Os meus últimos finais de tarde de Domingo têm sido passados a ver os dois programas seguidos com que a SIC Mulher me presenteia, e que servem de fôlego para a semana que se avizinha.
Num dos que vi recentemente, ouvi-a dizer que teve filhos para ter netos. E para cumprir aquele sonho de os estragar com toda a espécie de mimos culinários. Aqueles mimos {digo eu} que só as avós têm licença para dar, sem culpa.
Nunca mais me esqueci desta ideia porque me fez algum eco, confesso. Ser mãe, pelo menos para mim, traz-me muitas angústias, daquelas que espero já ter perdido quando for avó.
Quero que os meus filhos se alimentem bem {embora não seja fundamentalista com a matéria}, e pouco tempo me sobra para grandes aventuras gastronómicos. Os pequenos-almoços de panquecas, as areias aos fins-de-semana e as pizzas caseiras são obra do meu homem, esse sim, que se entrega aos prazeres da cozinha sem medo de educar mal ninguém. Uma prenda que dá aos meus filhos e que guardarão para a vida inteira, estou certa.
Já eu, sou uma mãe mais apressada e mais stressada do que gostaria, e nem sempre disponível para brincadeiras na cozinha, bocas lambuzadas e mãos sujas em cima da roupa deles e da minha.
Olhem para mim como a mãe que lê histórias e que muda a voz a cada personagem, como a que {às vezes} faz risos dignos de bruxa que levam as crianças às lágrimas de tanto rirem, e que gosta de ouvir o dia que tiveram na escola, mas pouco como a que se senta a brincar com as crianças, ou como a que partilha com elas a tarefa de fazer um bolo.
Não sou uma mãe assim. E talvez por isso, gostaria muito {como a Nigella} de vir a ser uma avó assim. Com bolinhos e bolachas sempre em casa, em frascos de vidro à espera dos netos. E de espalhar pela casa o cheiro das torradas acabadas de fazer e do chá de limão. E de fazer sempre o mesmo bolo quando me visitam, aquele de que se irão lembrar a vida inteira quando pensarem em mim. E de lhes dar abraços com cheiro a mel e a pão e a canela. E de ter tempo para lhes ensinar receitas minhas e de lhas fazer sempre, sem medo de os estragar com mimos feitos de açúcar.
Quero ser uma avó assim. Como a minha. E dar-lhes memórias que guardarão para sempre como um tesouro. Como as que eu guardei, e que vou buscar sempre que preciso de conforto. Como nestes dias.
 
 
Este post é um "momento Limetree"
 
MM

6 comentários:

Belle du Jour disse...

Olá!

Esta minha visita "relâmpago" vem dar a conhecer uma iniciativa de Natal que visa OFERECER um elevado número de prendas, que temos angariado, ao maior n. possível de blogger's e gfc que se inscrevam. (Não é vender, nem trocar prendas. É oferecer.)

É só isto: inscreverem-se! (Até dia 30 de Novembro).

Já temos dezenas de prendas e gostávamos de levar um sorriso e um "miminho" ao maior número de nós, bloggers, que "convivemos" todo o ano e partilhamos alegrias e tristezas neste mundo que é a blogosfera.

Foi tendo isso por base que surgiu a ideia: levar sorrisos e esperança a todos quanto estão a passar fases menos boas na vida com a crise que vivemos.

Um beijinho,

Belle du Jour

http://arvore-natal-blogosfera.blogspot.pt

Teresa disse...

E somos duas fãs da Nigella,mas já deve ter reparado que agora temos nova cozinheira! Bem gira e com estilo como a Nigella! o conceito do programa é giro e hoje achei piada a uma portuguesa,que adora comida!!??Quanto ao seu post sobre as avós,bem (fiquei com uma lágrima no canto do olho),tenho tantas saudades da minha avó! Os meus cheiros de Natal,são no Alentejo com as delícias da minha avó!Bons tempos!Ficam para Sempre!!

Maggie disse...

hummm ora bem, eu sou uma mãe como tu, tbem não deixo a minha prole mexer na cozinha, nem fazemos bolos aos fins de semana, e tbem tive uma avó assim como a tua, ach que quase todos tivemos, daquelas que nos deixaram mtas saudades.

Bjos
Maggie

Dolce Far Niente disse...

Fomos umas sortudas, Maggie! :=)

Um beijinho

Dolce Far Niente disse...

Teresa, obrigada pelas palavras. As minhas memórias tb são do Alentejo...

Um grande beijinho

Margarida disse...

Mas não é esta a aspiração das mães?

Eu sou mãe para panquecas ao domingo de manhã, ( e este domingo manhã foi às 7h...)e bolos, bolinhas e bolachas, compotas e marmeladas por sim e por nos apetece. Mas de fugida, a correr, e com remorsos do que fica por fazer.

Mas quando for avó...

Por isso, fui mais longe: aos 33 anos, com 2 filhas, decidi trabalhar por conta própria para ter mais tempo para elas, e ser dona de mim, do meu emprego e do tempo que passo a trabalhar...para quando, daqui a 20 ou 25 anos as minhas filhas tiverem filhos, eu puder ser avó presente.

( Alguém se esqueceu de me explicar, em dezembro de 2007, que a recessão vinha a caminho, e que montar uma empresa de serviços para construção ia ser uma aposta desastrosa, e que se calhar não vai correr como eu sonhava...mas também, se nós soubéssemos como vai ser o futura, as coisas não tinham a mesma pica, não é?)